Uma forte reversão enfrentada pelo setor siderúrgico chinês levou mais de metade de seus grandes produtores a reportar prejuízos no ano passado.
As empresas membros da Associação Chinesa do Ferro e Aço (Acfa) sofreram um prejuízo combinado de 64,5 bilhões de yuans (US$ 9,8 bilhões), em comparação com lucros de 22,6 bilhões de yuans em 2014.
A indústria de aço no país, que responde por mais de metade da produção mundial, sofreu, no ano passado, uma contração pela primeira vez em quase 35 anos, tendo a produção de aço bruto caído 2,3% – sua primeira queda desde 1981.
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A demanda por aço está definhando devido à um esfriamento das atividades de construção civil e indústria pesada, numa desaceleração evidenciada ontem, quando o índice dos gerentes de compras (PMI, em inglês) da indústria de transformação chinesa caiu de 49,7 em dezembro para 49,4 em janeiro.
Um PMI abaixo de 50 indica uma queda da atividade.
Li-Gang Liu, economista-chefe do ANZ e especializado em China, disse que o número sugere que “a contração no setor de manufatura ficou mais arraigado”. O especialista observou que a produção de aço ano sobre ano caiu 12% tanto em dezembro como no início de janeiro.
O Birô Nacional de Estatísticas atribuiu a queda mais forte do que a esperada à campanha do governo visando reduzir o excesso de capacidade industrial, especialmente nos setores de aço e do carvão, bem como a um efeito de contaminação dos feriados do Ano Novo Lunar. Os feriados começam em 7 de fevereiro e as empresas muitas vezes suspendem as atividades com semanas de antecedência.
A desaceleração econômica chinesa atingiu duramente a demanda doméstica por aço em 2015, pois setores intensivos em uso de aço, entre eles o setor imobiliário, antes resistente, perdeu o impulso para lançar novos projetos, diante do excedente de estoques.
A Acfa, que atribui a culpa dos prejuízos no setor à queda nos preços domésticos, disse que seu índice de preços caiu mais de 30% ao longo de 2015.
O fechamento de usinas permanece improvável, apesar dos prejuízos, porém, em parte devido a temores de que demissões em massa subsequentes possam produzir instabilidade social.
Apenas o fechamento das chamadas “empresas zumbis” poderia significar 400 mil demissões, segundo recente discurso de Li Xinchuang, diretor do Instituto de Planejamento e Pesquisa da Indústria Metalúrgica Chinesa.
Confrontado com essas questões, aumentar os volumes de exportação continua sendo o paliativo escolhido pela indústria para o excesso de capacidade. As exportações de aço chinesas cresceram mais de 20% em 2015, para 112 milhões de toneladas.
A enxurrada de aço chinês está alimentando uma onda de protecionismo comercial, à medida que empresas em outras partes do mundo enfrentam dificuldades para competir com os preços chineses. No ano passado, 37 processos foram iniciados contra produtores de aço chineses, a maioria por razões antidumping.
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