O governo do Reino Unido está negociando com a firma de investimento Liberty House para que ela assuma boa parte das operações britânicas da indiana Tata Steel Ltd., evitando, assim, um fechamento de fábricas que poderia significar o fim da indústria siderúrgica local. O futuro dessas unidades se tornou um desafio político para o primeiro-ministro David Cameron, que está sendo pressionado a nacionalizar a indústria para salvar milhares de empregos.
Cameron vai se encontrar hoje com o primeiro ministro do País de Gales, Carwyn Jones, para discutir o futuro da fábrica da Tata Steel na cidade de Port Talbot, a maior das unidades que pode ser colocada à venda. “O governo está fazendo tudo o que pode para encontrar uma solução de longo prazo, viável, para salvar a siderúrgica de Port Talbot”, disse.
O fundador e diretor-presidente da Liberty House, Sanjeev Gupta, disse que está disposto a comprar essa fábrica da Tata, mas quer saber qual tipo de apoio o governo poderia dar à sua firma de commodities de metais, que tem centros de operação em Londres, Dubai, Cingapura e Hong Kong. Ele disse que o governo precisa ajudar nas questões dos passivos do fundo de pensão, os altos custos de energia e equipamentos deficitários da fábrica antes que ele considere uma aquisição.
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“Eles estão se engajando positivamente, mas [a negociação está] ainda em estágio inicial”, disse ontem Gupta, numa entrevista ao The Wall Street Journal.
O secretário de Negócios do Reino Unido, Sajid Javid, disse que o governo vai considerar todas as opções para ajudar a Tata a encontrar um comprador, incluindo uma possível ajuda do Estado com as obrigações previdenciárias, os custos de energia e regras mais favoráveis nos contratos com o governo. Cerca de 4.300 empregos estão em risco numa região do País de Gales conhecida por sua dependência da indústria siderúrgica.
A Tata Steel, segunda maior siderúrgica da Europa em capacidade de produção, declarou que precisa “urgentemente” vender seus ativos no Reino Unido, que enfrentam graves problemas de financiamento. As operações europeias da companhia registraram nove meses consecutivos de prejuízos até dezembro, segundo os resultados financeiros trimestrais divulgados pelo conglomerado indiano.
O risco de milhares de trabalhadores serem demitidos colocou o governo britânico numa corrida para manter as fábricas da Tata operando, especialmente em Port Talbot. Os líderes do Partido dos Trabalhadores, de oposição, têm exigido a estatização da fábrica, se necessário, para salvar empregos.
As siderúrgicas britânicas vêm sofrendo com os preços baixos do aço e uma onda de importações baratas da China, a maior produtora de aço do mundo. Como as siderúrgicas consomem muita energia, elas também têm sido afetadas por impostos sobre emissões de carbono e outros tributos destinados a levantar recursos para projetos de energia renovável. As operações da Tata Steel responderam por cerca de 70% da produção de aço do Reino Unido em 2015.
Outra firma de investimento, a britânica Greybull Capital LLP, vem desde dezembro negociando separadamente com a Tata Steel uma potencial aquisição das operações no Reino Unido e de uma laminadora na França que fornece aço para as indústrias ferroviária e de construção.
Os financiadores por trás da Greybull Capital garantiram 400 milhões de libras esterlinas (US$ 569 milhões) para reestruturar os ativos, diz uma pessoa a par do assunto. Os dados finais do investimento, assim como prazos, estão sujeitos a mudanças.
Com a saída de outras empresas, a Liberty House tem se mostrado interessada em entrar no mercado de aço britânico. Ela comprou e reiniciou a operação de uma unidade de laminados a quente em Newport, País de Gales, dois anos e meio após ela ter sido desativada. Depois, adquiriu uma fábrica de tubos de aço e, no mês passado, comprou duas laminadoras escocesas da Tata.
Gupta disse que a indústria siderúrgica britânica tem que mudar suas práticas de produção, fabricando aço a partir de sucata reciclada e não com altos-fornos que usam matérias-primas importadas, como minério de ferro e carvão. “Estaríamos fazendo o mesmo aço”, disse ele, mas de forma mais eficiente, sem o alto custo dos fornos que dependem de material importado. “Temos matéria-prima doméstica que atende a todas as nossas necessidades”, disse ele.
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