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Mais enxuta, CBA vai focar em embalagens e transportes

A Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), que volta a ser uma empresa independente no grupo Votorantim, pretende deixar suas operações mais enxutas e concentrar esforços nos mercados que hoje trazem maior retorno. E, potencialmente, colocar em operação o projeto de expansão Rondon, no Estado do Pará, de bauxita e alumina.

Em entrevista ao Valor, Tito Martins, que preside a área de metais e vai comandar a Votorantim Metais Holding, revelou que consumidores dos setores de embalagens e transportes serão os preferenciais da companhia daqui para frente. Passam a deixar de ser prioridade produtos destinados à construção civil e à fabricação de utensílios. A linha de cabos, inclusive, já foi descontinuada.

A CBA possui unidades produtivas de alumínio em São Paulo, em Alumínio (alumina e metal), e em Minas Gerais (extração e beneficiamento de bauxita).

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Na reorganização, a companhia vai operar ao nível de 125 mil toneladas em produtos transformados. A demanda por produtos de alumínio encolheu nos últimos anos. O enfraquecimento da construção fez com que a área deixasse de ser tão rentável para a CBA e, além disso, menor número de projetos – especialmente em infraestrutura – derrubaram a procura por cabos de alumínio.

Na área de fundição, vai produzir no patamar de 325 mil toneladas de metal – duas linhas de fornos foram fechadas desde 2013. A empresa tinha capacidade de 475 mil toneladas ao ano.

Assim como na VMH, o foco será elevar a fatia de mineração na CBA. Martins disse, por exemplo, que chegou a enviar recentemente embarques de bauxita à Ásia. Historicamente, toda a capacidade era destinada à produção de alumina e de metal primário.

O problema é que o projeto Rondon, que iria fazer a CBA avançar nesse caminho, está paralisado. Busca-se uma solução logística economicamente viável para iniciar sua operação, que estava previsto para o fim de 2017. Segundo Martins, caso não haja uma alternativa competitiva, o projeto será “engavetado”. O investimento total é estimado em R$ 6,6 bilhões.

O projeto foi refeito, visando uma operação mista de bauxita e alumina. As opções avaliadas vão desde produção da matéria-prima (3 milhões de toneladas de bauxita) e o mesmo tanto de alumina, ou, apenas o minério – 9 milhões a 12 milhões de toneladas.

Uma alternativa logística é a nova ferrovia que o governo do Pará pretende licitar, que ligaria Santana do Araguaia, no Sul, até Barcarena, no Norte. Há interessados em financiar essa estrada de ferro, principalmente chineses, mas não há nada concreto. Sem essa solução, a exportação teria de ser feita pelo porto de São Luís, o que é menos interessa para a CBA.

Com a reorganização, as operações de níquel também ficarão com a CBA. A atividade foi paralisada totalmente no início de maio – mas não abandonada. Os ativos esperam pela melhora do mercado. O executivo não quer que, como a maioria dos atores do mercado de níquel no mundo, a Votorantim continue operando, mesmo no vermelho.

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