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Pacote de estímulo prevê gastos de US$ 770 bi em transportes na China

A China deverá injetar quase 5 trilhões de yuans (US$ 770 bilhões) na infraestrutura de transportes nos próximos três anos. O aporte sinaliza a determinação do país em usar investimentos públicos para manter a economia em plena atividade.

No entanto, analistas disseram que o anúncio, do Ministério dos Transportes, agravou a sensação de confusão quanto aos rumos da política econômica. Os gastos com infraestrutura foram bons para a China quando o país crescia rapidamente e tentava construir uma economia moderna, mas nos últimos anos resultaram em elefantes brancos, excesso de capacidade industrial, distorções da economia e endividamento.

O anúncio, ontem, do programa de gastos – 5 trilhões de yuans equivalem a 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB) da China em 2015 – ocorre apesar de outras vozes influentes terem advertido, nesta semana, sobre o alarmante grau de alavancagem presente na economia chinesa.

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Na segunda-feira, o órgão do Partido Comunista “Diário do Povo” publicou uma entrevista de primeira página com uma “personalidade respeitada”, que disse que os vertiginosos níveis de endividamento do país poderão levar a “riscos financeiros sistêmicos”.

“Esta é uma semana de sinais desencontrados”, disse o economista Andrew Batson, da Gavekal Dragonomics, de Pequim. “Eles estão oscilando entre dois polos, o de enfatizar o respaldo ao crescimento e o de enfatizar as reformas estruturais. Não está claro que recado estão tentando transmitir.”

Não se sabe também em que medida as metas de financiamento anunciadas nesta semana são novas ou se são projetos já previstos no orçamento do governo e aprovados. Muitas provavelmente figuravam no plano quinquenal, aprovado em março, na reunião legislativa anual.

De acordo com o plano de ação conjunta do ministério e da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, 4,7 trilhões de yuans vão ser destinados a 303 projetos, incluindo ferrovias, estradas, canais, aeroportos e sistemas de metrô pelo país.

“A questão é como se financia essa quantia. Então, no fim das contas, trata-se da política monetária, porque mais gastos em infraestrutura, no fim das contas, são financiados por meio de dívidas”, afirmou Batson.

A quantia, divulgada em artigo do serviço oficial de notícias sobre transporte e republicada ontem no site do ministério, redirecionou as atenções ao tamanho dos contínuos investimentos chineses em infraestrutura.

O artigo declara que a infraestrutura de transporte não conseguiu manter o ritmo das necessidades decorrentes do desenvolvimento econômico e social da China, em termos de cobertura e de qualidade. E também defende esforços conjuntos para aprimorar e manter a rede nacional de transportes.

A mais nova rodada de financiamento deverá beneficiar a debilitada indústria pesada e o setor de construção civil. Chega na sequência do anúncio pela comissão na terça-feira de que 1,6 trilhão de yuans serão investidos em 130 projetos no também necessitado cinturão industrial das províncias da região Noroeste.

Zhou Jianping, funcionário da comissão encarregado de reanimar o Noroeste, disse na terça que os recursos não podem ser considerados um subsídio do governo federal para a problemática região. Em vez disso, segundo Jianping, o dinheiro será alocado de acordo com cada projeto. “Se for apropriado, daremos o dinheiro.”

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