O número de falhas graves no metrô de São Paulo mais que
dobrou em cinco anos, e a tendência de alta continua em 2016, segundo dados
obtidos pela Folha por meio de Lei de Acesso à Informação.
Em 2010, houve 30 ocorrências notáveis —nomenclatura técnica
para panes que resultam em paralisação das linhas, ainda que parcial. Em 2015, 76,
aumento de 153%.
No primeiro semestre deste ano, já foram 44, praticamente
uma a cada quatro dias.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Os números obtidos se referem às quatro linhas operadas pelo
próprio Metrô (1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 5-lilás), a cargo do governo
Geraldo Alckmin (PSDB).
Essas falhas graves podem ocorrer tanto nos trens como em
equipamentos da rede.
Na prática, afetam a vida não só de quem fica preso nos
vagões por pelo menos cinco minutos —tempo para caracterizar uma ocorrência
notável— como dos demais usuários, já que há um efeito cascata nas linhas do
metrô.
Uma falha aumenta os intervalos de viagem, a lotação dos
trens e as filas para embarque. Em algumas dessas panes, os trens precisam ser
encaminhados para manutenção corretiva, retirando composições de circulação.
Considerando apenas os problemas registrados nos trens, a
quantidade passou de 22 para 42 nos últimos cinco anos, alta de 91%.
O Tribunal de Contas do Estado concluiu, com base em dados
do Metrô, que cerca de 92 mil viagens de trens deixaram de ser feitas em 2015
em razão de falhas ou problemas de manutenção.
Nos últimos cinco anos, não houve aumento significativo da
frota, que passou de 150 para 154 trens, tampouco no volume de quilômetros
percorridos pelas composições, que subiu de 18,2 milhões para 18,9 milhões.
Além disso, não houve crescimento expressivo nessa malha
metroviária gerenciada pelo Estado, que de 65,3 km chegou a 68,5 km.
O volume de passageiros transportados aumentou 45% no
período, mas ainda assim em ritmo mais modesto que as panes graves.
A gestão Alckmin afirma que a alta das panes se deve à
adaptação de trens modernizados recentemente.
Funcionários, porém, citam a redução de investimentos na
operação, manutenção e modernização de linhas, trens e estações e, como revelou
a Folha, a falta de peças e a terceirização no serviço em trens novos e
reformados.
Em março, a reportagem mostrou a situação de cinco trens
retirados de operação para servir de estoque de peças de reposição para outros.
O Metrô tem enfrentado falta de recursos —em 2015, a gestão Alckmin deu calote
de R$ 66 milhões na empresa, referente à verba de gratuidades.
O consultor Peter Alouche, especialista em trilhos e que
trabalhou décadas no Metrô, ressalta que a rede é pequena para “um dos
mais elevados números de passageiros por km de linha no mundo”.
Para ele, a alta das falhas pode estar ligada à interferência
da implantação nos últimos anos do CTBC —sistema de sinalização de trens mais
moderno, que promete reduzir os intervalos entre trens.
“Enquanto não estiver em operação adequada, isso
interfere no sistema convencional e causa incidentes”, afirma. O sistema
só foi implantado integralmente na linha 2. O cronograma de entrega hoje se
estende até 2021.
OUTRO LADO
Segundo o Metrô, o aumento de 153% nas panes graves em um
período de cinco anos se deve ao retorno de trens do processo de modernização.
De 2010 a 2016, a companhia colocou em operação 80 trens
modernizados. O contrato prevê a entrega de outros 18, o que resultará em 98
composições renovadas.
Em nota, a empresa ligada à gestão Alckmin (PSDB) diz que
“quanto mais novo for um trem, maior será o número de ocorrências
apresentadas justamente porque equipamentos novos passam por fase controlada de
estabilização de desempenho até alcançarem sua máxima eficiência”.
Segundo a companhia, “a avaliação da variação das
ocorrências notáveis não pode ser feita de forma isolada e simplista”.
“O total de falhas do período analisado está praticamente constante porque
enquanto alguns trens novos entram em operação, outros já estão
estabilizados”, prossegue.
A empresa destaca que todo trem novo ou modernizado requer
acompanhamento técnico em seu período inicial de operação.
Por fim, o Metrô afirma que os trens modernizados,
“entre outras melhorias, recebem novos freios, tração, sistema de
ar-condicionado, câmeras de vigilância, sensores para detecção de fumaça,
sistema de informação audiovisual (monitores e displays), trazendo maior
conforto e segurança aos usuários”.
Seja o primeiro a comentar