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BNDES deve desembolsar menos de R$ 100 bi no ano

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES) devem ficar abaixo de R$ 100 bilhões no acumulado do
ano, o que, se confirmado, levará as concessões de crédito do banco ao menor
nível desde 2008. E, apesar de estar se preparando para uma recuperação da
demanda no próximo ano, os níveis de crédito não devem alcançar os resultados
de 2013 e 2014, quando chegaram perto de R$ 200 bilhões.

“O ano de 2014 foi o auge de processos de empréstimos
do Tesouro, condições que são ‘irrepetíveis’. É um mundo que acabou. Não só
acabou, como agora estamos num mundo exatamente oposto. Antes o Tesouro
emprestava, agora está pedindo para devolvermos o dinheiro”, disse o
superintendente de planejamento e pesquisa do banco de fomento, Fábio
Giambiagi.

As consultas ao BNDES, de R$ 84,9 bilhões de janeiro a
setembro, foram 8,6% menores em relação aos primeiros nove meses de 2015 e 53%
mais baixas ante igual período de 2014. Os desembolsos no acumulado do ano
somaram R$ 62,2 bilhões – a queda, na comparação com o desempenho de 2015, foi
de 34%, e de 52% ante 2014.

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Para 2016, mantida a média de desembolsos entre R$ 6 bilhões
e R$ 8 bilhões mensais até o fim do ano, é possível dizer ficará abaixo de R$
100 bilhões, na avaliação de Giambiagi. “Demos um mergulho recessivo
profundo e isso repercutiu nos números do banco”, disse.

Os desembolsos do BNDES para todos os setores da economia
somaram R$ 22,083 bilhões no terceiro trimestre, uma queda de 14% ante o mesmo
período em 2015. Em relação ao segundo trimestre houve alta discreta (0,07%).
No caso das consultas, no entanto, que são um termômetro do apetite por
investimentos, houve queda de 19,4% em relação a igual período do ano passado e
de 12,8% na comparação com o segundo trimestre.

Na indústria, no entanto, os desembolsos cresceram no
trimestre tanto na comparação ano a ano quanto em relação ao segundo trimestre,
ao totalizarem R$ 9,938 bilhões no período de julho a setembro. O número mostra
alta de 34% sobre os R$ 7,418 bilhões do mesmo período do ano passado e de
55,3% sobre R$ 6,4 bilhões do segundo trimestre de 2016.

As consultas do setor para novos empréstimos, contudo, não
mostram um quadro animador, caíram de forma expressiva no terceiro trimestre.
De acordo com os dados do BNDES, somente na indústria as consultas somaram
apenas R$ 6,97 bilhões no terceiro trimestre, bem abaixo dos R$ 15,64 bilhões
do mesmo período do ano passado, e dos R$ 11,909 bilhões do segundo trimestre
deste ano. As quedas foram de, respectivamente, 55,43% e de 41,47%.

No caso de outro setor importante para os investimentos, a
infraestrutura, o comportamento foi inverso. Enquanto os desembolsos caíram no
terceiro trimestre, as consultas aumentaram. Os desembolsos somaram apenas R$
5,084 bilhões no período, queda de 46% ante os R$ 9,417 bilhões do terceiro
trimestre de 2015 e recuo de 29% ante R$ 7,168 bilhões no segundo trimestre.

O BNDES está se preparando para divulgar nova política
operacional em novembro ou início de dezembro. Segundo Giambiagi, ela terá
ênfase no setor de infraestrutura e uma redução da participação da TJLP.

O economista também mencionou um “compromisso
firme” de apoio para as micro, pequenas e médias empresas, como já foi
mencionado pela presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques. Ela afirmou
esta semana que o banco de fomento lançará, em dezembro, novas medidas para as
empresas de menor porte.

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