Depois de um terceiro trimestre de fraco desempenho
operacional, Fibria e Suzano Papel e Celulose devem mostrar novo fôlego nos
três últimos meses do ano, diante da valorização do dólar frente ao real e da
recuperação dos preços da celulose de fibra curta. Ainda assim, é improvável
que os resultados se aproximem daqueles exibidos um ano antes, uma vez que
câmbio e cotações ainda não voltaram aos níveis do fim do ano passado. A
Klabin, que colocou uma nova fábrica da matéria-prima em operação em março
deste ano, também deve ser beneficiada.
A recente valorização do dólar, na esteira da eleição do
republicano Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, vai ajudar as
receitas com exportação das companhias. No terceiro trimestre, o dólar médio
(Ptax) estava em R$ 3,25 e, agora, voltou a operar acima da casa de R$ 3,40 –
há um ano, o valor médio foi de R$ 3,84.
Ao mesmo tempo, o aumento de preço de US$ 20 por tonelada
anunciado pelos produtores de celulose de fibra curta a partir de outubro para
o mercado chinês já se reflete nas cotações praticadas. No começo da semana
passada, a consultoria internacional Foex mostrou que a cotação da fibra curta
na China havia subido cerca de US$ 2,80 na comparação com a semana anterior,
para US$ 501,60 por tonelada. No início de outubro, a cotação da commodity no
mercado era de US$ 485,80 a tonelada e os preços pretendidos pelas companhias,
com o reajuste integral, chegavam a US$ 530.
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Na Europa, o preço da fibra curta estava em torno de US$ 658
por tonelada, com queda de US$ 0,60 frente à semana anterior. No terceiro
trimestre, a cotação média no mercado europeu foi de US$ 672 a tonelada. Desde
meados deste ano, porém, a China ocupa o posto de principal destino da celulose
produzida no Brasil, à frente da Europa, com cerca de 37% das receitas de
exportação.
A percepção de que o projeto OKI, da Asia Pulp & Paper
(APP) não terá impacto efetivo no mercado ainda em 2016, combinada ao
crescimento da demanda, abriu espaço para o reajuste. Em relatório de 15 de
novembro, analistas do UBS comentaram a notícia da consultoria RISI de que a
primeira linha do projeto OKI deve entrar em operação neste ano e a segunda, no
primeiro trimestre do ano que vem, com produção acumulada em 2017 de 1,2 milhão
de toneladas por ano.
“A despeito dos rumores recentes de que a chinesa APP
poderia ofertar até 2,5 milhões de toneladas de sua enorme fábrica já em 2017,
nossos contatos sugerem que o mercado está cético quanto a esse volume e
projeta vendas adicionais de 1 milhão a 1,5 milhão de toneladas”,
escreveram os analistas Andreas Bokkenheuser, Marcio Farid, David Hallden e
Edwin Chen.
Ao mesmo tempo, os analistas apontam que a valorização
recente do dólar frente ao real, de R$ 3,25 para R$ 3,45, equivale a um aumento
de preço de US$ 30 a tonelada. Essa alta, no entanto, pode ser anulada pela
desvalorização do yuan.
De julho a setembro, as três companhias tiveram juntas
receita líquida de R$ 6,44 bilhões, queda de 10,8% na comparação anual. A linha
mais afetada, porém, foi a do resultado antes de juros, impostos, depreciação e
amortização (Ebitda, na sigla em inglês), com declínio de 40,6%. No
consolidado, Fibria, Suzano e Klabin tiveram Ebitda de R$ 2,11 bilhões, frente
a R$ 3,55 bilhões um ano antes.
Já o resultado final das fabricantes foi impactado de
maneiras opostas pela variação cambial entre a abertura e o fechamento do
trimestre, que pode gerar ganhos ou perdas contábeis na linha financeira. De
julho a setembro deste ano, a despeito da piora operacional, as companhias
tiveram lucro líquido conjunto de R$ 116 milhões. Um ano antes, a marcação a
mercado da parcela da dívida que está expressa em moeda estrangeira inflou as
despesas financeiras e levou as companhias a registrarem perda líquida
consolidada de R$ 2,9 bilhões.
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