A operadora portuária Santos Brasil está negociando com o
armador Hamburg Süd a extensão do contrato para que a companhia de navegação
alemã continue a escalar seus navios no Tecon Santos. O atual contrato vai até
2019. Segundo o Valor apurou, as tratativas preveem a extensão da parceria por
longo prazo, o que asseguraria ao Tecon Santos um volume considerável de
contêineres por um período maior, num momento de crise do setor. Atualmente, a
superoferta de terminais – sobretudo no cais santista – aumentou o poder de
barganha das companhias de navegação.
Procuradas, nem Santos Brasil nem Hamburg Süd quiseram
comentar o assunto.
A Hamburg Süd é o armador-âncora do Tecon Santos e líder nos
tráfegos de longo curso que escalam a Costa Leste da América do Sul – dominados
pelo Brasil. Já o Tecon Santos é o número um na movimentação portuária de
contêineres do Brasil.
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Na semana passada, em teleconferência sobre o balanço do
terceiro trimestre da Santos Brasil, analistas de mercado questionaram como
ficariam os volumes do Tecon Santos se a Hamburg Süd for atingida pelo processo
de consolidação que está em curso no setor da navegação mundial, diante do
excesso de capacidade ociosa nos mares e da falta de rentabilidade do negócio
da armação.
Apesar de líder no Brasil, a Hamburg Süd ocupa a sétima
posição no mercado mundial de contêineres, com 2,9% de fatia – o ranking é
dominado pela Maersk Line, uma das apontadas no exterior como potencial
interessada em eventualmente comprar a alemã. Ambas sempre disseram que não
comentam especulações de mercado.
“Se isso de fato acontecer, não há como ter fuga
imediata de cargas, não trabalhamos com esse cenário. E há outra questão: para
onde essa carga fugiria?”, questionou Daniel Dorea, o novo diretor
econômico-financeiro e de relações com os investidores da Santos Brasil. Uma
das possibilidades seria para o terminal da BTP, concorrente do Tecon Santos no
porto paulista e que tem entre os sócios a APM Terminals, empresa do mesmo
grupo da Maersk Line.
“A BTP está lotada de cargas”, disse o presidente
da Santos Brasil, Antonio Carlos Sepúlveda, ao ser questionado em
teleconferência com analistas, numa referência de que dificilmente poderia
absorver novos volumes.
“Nós temos cais, temos retroárea, conseguimos operar os
maiores volumes do porto de Santos. Buscamos ser o melhor e mais competitivo
terminal para qualquer cliente”, ponderou Dorea, destacando ainda que o
Tecon Santos não é terminal de um cliente só. Segundo dados da Agência Nacional
de Transportes Aquaviários (Antaq), o terminal é o mais eficiente do país.
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