O conglomerado dinamarquês AP Moller- Maersk pretende
tornar-se uma loja de serviços completos para o transporte de contêineres,
similar aos modelos da FedEx e da UPS. O plano é valer-se das áreas de
transporte e de logística como motor de crescimento nesse novo segmento, para
compensar o impacto do desmembramento de suas atividades com fontes de energia.
O executivo-chefe da Maersk, Soren Skou, disse ontem ao
“Financial Times” que o grupo vai empenhar-se em vender muito mais do
que apenas seu principal produto atual, de remessa de contêineres.
A ideia é oferecer toda uma gama de serviços para os
clientes da Maersk, como liberação alfandegária, seguro de cargas e transporte
de mercadorias até os portos via caminhões, acrescentou o executivo.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
“Isso significa que precisamos ser capazes de fornecer um
serviço que seja mais de ponta a ponta para nossos clientes, efetivamente
tornando mais simples para que eles remetam algo de um lado para o outro do
mundo, dando-lhes controle e transparência”, afirmou o executivo.
O grupo dinamarquês está em meio a um dos maiores
desmembramentos empresariais do mundo nos últimos anos. Vai separar-se de sua
unidade de energia, fonte de 25% da receita e de 40% do lucro em 2015, para
direcionar seu foco à Maersk Line, maior linha de transporte naval de
contêineres do mundo.
A meta da companhia é elevar em 2 pontos percentuais o
retorno sobre o capital investido – que nos últimos cinco anos girou em torno a
7% em média, por meio de uma maior economia de custos entre as operações da
Maersk Line e as de uma série de unidades menores, como a administradora de
portos APM Terminals e a empresa especializada em logística e cadeias de
abastecimento Damco.
Uma das vantagens de imitar as concorrentes FedEx e a UPS
seria dar mais estabilidade a seu negócio de transporte naval de contêineres,
conhecido pelas grandes oscilações nos fretes.
Neste ano, os fretes caíram para seus menores patamares na
história. “O que ficaríamos satisfeitos em ver é uma maior estabilidade
nos preços, não necessariamente preços maiores”, afirmou Skou.
O executivo acrescentou que a Maersk vai compensar a receita
perdida decorrente da separação da unidade de energia – que inclui a produção
de petróleo, sondas de perfuração e petroleiros – por meio de aquisições e de
crescimento “orgânico” em sua unidade de transporte.
A Maersk anunciou planos de comprar a Hamburg Süd, a sétima
maior linha de transporte de contêineres do mundo, uma transação que ajudaria a
ganhar o equivalente a aproximadamente 65% da receita gerada pela unidade de
energia.
No “dia do investidor” da Maersk, promovido ontem,
o conglomerado dinamarquês destacou o comprometimento em manter sua
classificação de investimento não especulativo, em meio ao receio de alguns
investidores e agências de que o novo rumo poderia levar a um rebaixamento de
sua nota de risco de crédito.
Skou chegou a indicar que a Maersk poderia fica com sua
unidade de energia por um prazo maior do que os dois anos que se havia dado,
caso isso ajude a proteger sua nota de crédito.
“Enquanto estivermos juntos como um grupo, temos maior
capacidade para manter um rating de investimento não especulativo”,
acrescentou.
Seja o primeiro a comentar