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Receita acessória aumenta ganho das concessionárias

Concessionárias da área de transportes lucram cada vez mais
com as receitas acessórias de seus negócios. Em metrôs, aeroportos e nas
rodovias a cobrança de taxas, tarifas e pedágios ainda é a principal fonte de
receita. Mas a exploração dos espaços para publicidade e áreas para comércio e
serviços começa a ganhar espaço no faturamento e é um campo promissor.

Na Companhia do Metrô de São Paulo, por exemplo, as receitas
não tarifárias já correspondem a cerca de 10% das tarifárias. Em 2015, segundo
dados da assessoria da companhia, a receita não tarifária alcançou R$ 187,4
milhões, um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior. A previsão é encerrar
2016 com crescimento de 5% em relação ao ano passado e avançar ainda mais daqui
para a frente, por causa das licitações que estão sendo abertas, informa a
assessoria.

Esse crescimento se deve ao movimento de 1 bilhão de
passageiros que transitam por ano nos espaços das 61 estações do Metrô
paulistano. As áreas são concedidas para exploração publicitária e comercial
para lojas e shoppings anexos, além do licenciamento da marca para a venda de
produtos e souvenirs. A principal fonte de receita não tarifária vem do
segmento imobiliário, que representa 46% dessa renda, com destaque para os
centros comerciais anexos e terminais rodoviários.

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As receitas acessórias do grupo CCR vêm de diferentes áreas.
Com uma dezena de concessionárias que administram 3.265 quilômetros de
rodovias, linhas de metrô em São Paulo e na Bahia, transporte aquaviário de
passageiros e VLT no Rio, o grupo tem perspectivas de manter as receitas em
alta. “Em 2015 o grupo faturou R$ 9 bilhões e a receita acessória total,
incluindo rodovias, aeroportos e metro, não chegou a R$ 300 milhões”, diz
Leonardo Vianna, diretor de novos negócios do grupo.

Um quadro que está mudando. “Na área de Metrô,
especialmente a Linha 4 Amarela de São Paulo, o percentual de receita comercial
chega a 7% do faturamento total”, diz. Do total das receitas acessórias,
66% veem de publicidades e promoções e o outro um terço vem do varejo,
alimentação e serviços, acrescenta. “No segmento de rodovias o ganho ainda
é muito pequeno”, observa. No caso das estradas de São Paulo, varia de 1%
a 1,5% a participação. “O estado não permite propaganda ao longo da faixa.
Nas rodovias federais, onde não há restrições o percentual oscila entre 2% a
2,5%, explica. Segundo ele, o que mais contribui para a receita comercial nas
rodovias é o direito de passagem de fibra óptica na faixa de domínio da
rodovia, que já se estende por 4.700 quilômetros.

Na concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, a
representatividade dessas receitas aumentou de 2% do faturamento, em 2012, para
20% hoje. “Até 2042, ao final da concessão, pretendemos atingir 33%”,
diz Gustavo Mussnich, presidente da concessionária. Neste ano, a receita
acessória da empresa cresceu 30% sobre 2015, um salto que também se deve à
ampliação das operações. Em abril, a empresa passou a operar com um terminal
seis vezes maior que o antigo.

Um dos mais importantes terminais de cargas do país e o
maior em valor FOB de carga importada no Brasil, Viracopos só deve crescer.
Entre os planos da empresa, o mais ambicioso é a exploração do local como
“aeroporto cidade”, com a construção de um hotel, um armazém para
consolidação de mercadoria, shopping center, centro de convenções, posto de
combustível. A previsão é de um investimento de cerca de R$ 30 milhões.

No caso de Viracopos, os concessionários arcam com o aluguel
da área ocupada e pagam um percentual entre 6% e 7% da receita. “As
concessões são um bom negócio para a concessionária, mas estão ligadas ao
volume de passageiros”, observa. “Com a crise houve queda de 13% no
volume de carga e de 11% no número de passageiros”, diz.

A Infraero, concessionária que administra 60 aeroportos em
todo o país, informa que, em 2015, sua receita bruta total foi de R$ 2,718
bilhões, dos quais R$ 1,161 bilhão vieram de receitas comerciais e de logística
de carga. A empresa não separa as receitas comerciais das logísticas. Ainda
segundo a Infraero, as concessionárias que operam nos aeroportos da Rede são
escolhidas por meio de processo licitatório, conforme o estabelecido na lei nº
8.666/93. “Os prazos e regras são estabelecidos em contrato, variando de
acordo com o próprio negócio e com o contexto de mercado vigente”, afirma.

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