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Desconectadas, ferrovias brasileiras apresentam baixa rentabilidade, dizem chineses

Principal foco do governo para a atração de investimentos
chineses, as ferrovias foram criticadas por potenciais investidores pelo fato
de não comporem um sistema, durante o encontro empresarial Brasil-China. Os
empresários chineses disseram que, pelo fato de não estarem interligadas, elas
podem ter baixa rentabilidade. Um deles questionou se não seria possível
separar a construção das linhas de sua operação.

O secretário de Desenvolvimento da Infraestrutura do
Ministério do Planejamento, Hailton Madureira, disse que há no Brasil opções
nos três modelos. Ele informou que o governo contratou a construção de linhas,
como foi no caso da Norte-sul, cuja conclusão está prevista para o início do
próximo ano. Mas, dadas as restrições fiscais, não há previsão de grandes
contratações por ora, explicou.

Ele disse que o governo dialoga com o setor privado para ver
se há interesse das empresas em construir um trecho da Ferrovia de Integração
Oeste-leste (Fiol) e operar a parte que já foi construída com recursos
públicos. O trecho que está em construção liga o porto de Ilhéus (a ser
construído) com minas de ferro no interior da Bahia. A parte a ser construída
seguiria desse ponto até inteligar-se com a Ferrovia Norte-sul. A Fiol, disse o
secretário, é o início da Ferrovia Bioceânica, considerada uma prioridade pelos
chineses.

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Outro projeto oferecido pelo secretário é uma sociedade para
concluir a Transnordestina. Esse projeto é uma parceria do governo federal com
a CSN, explicou ele. O governo está disposto a aportar sua parte no trecho que
falta, mas a CSN busca um sócio privado para fazer sua parte.

Fundo. O Fundo Brasil-China, de US$ 20 bilhões, que começou
a operar este mês, deverá aprovar em agosto sua primeira lista de projetos,
disse nesta sexta-feira o ministro-interino do Planejamento, Esteves Colnago,
após a abertura do encontro.

Entre os candidatos estão a Ferrovia Norte-Sul, a Ferrogrão
e outros projetos da carteira do Projeto de Parcerias de Investimentos (PPI).
Os projetos em infraestrutura chamam mais a nossa atenção, disse Colnago, mas o
fundo pode financiar empreendimentos em outras áreas.

Também na abertura, o embaixador da China no Brasil, Li
Jinzhang, disse que o fundo poderá financiar projetos na indústria. Ele
observou que seu país lançou um programa chamado Made in China 2025 e o Brasil,
por sua vez, trabalha no projeto Indústria 4.0. Esses dois esforços de
reformulação industrial poderiam, de alguma forma, ser conjugados por meio do
fundo.

Transações. O fundo será um modelo para cooperações entre a
China e outros países da América Latina, disse Li Jinzhang.

Na abertura, ele destacou que as relações entre os dois
países avançam de maneira positiva em suas três linhas: comércio, investimentos
e financeira.

No ano passado, disse o embaixador, as transações comerciais
chegaram a US$ 58 bilhões, o que representa 18% do comércio exterior
brasileiro. Os investimentos diretos chineses estão em crescimento e são um
destaque na cooperação bilateral.

O embaixador listou três diretrizes para o bom funcionamento
do fundo. A primeira, disse ele, é definir prioridades. Nesse tópico, ele
listou os projetos na área industrial e afirmou que a China será parceira do
Brasil na execução de projetos em infraestrutura.

A segunda, afirmou o embaixador, é que o fundo deverá seguir
princípios de mercado e operar con forme regras internacionais de forma
cautelosa, diminuindo riscos. Ele citou como exemplos de projetos com essas
características as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Ele pediu, ainda, pressa
na assinatura do convênio de proteção de investimentos bilaterais e outras
medidas para facilitar investimentos.

A terceira diretriz reforçada pelo embaixador é o
planejamento. Ele comentou que, nos últimos anos, a China liberou US$ 140
bilhões em investimentos para a America Latina e que o fundo bilateral ajudara
na seleção de projetos

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