A mineradora brasileira Vale está procurando por um sócio
para investir em uma das maiores minas de níquel do mundo. A medida faz parte
da estratégia de seu novo diretor-presidente Fabio Schvartsman, que tem o
objetivo de reduzir a dívida da companhia e se desfazer dos ativos com baixo
desempenho.
A Vale está trabalhando com o banco canadense Scotiabank
para vender uma fatia da Vale Nova Caledônia (VNC), operação de processamento
de níquel localizado no arquipélago francês de Nova Caledônia, na Oceania, segundo
pessoas a par do assunto.
A mineradora já realizou conversas com vários grupos
chineses, incluindo a Gem Co., uma companhia com sede em Shenzhen que recicla e
refina níquel-cobalto para usar em baterias, disseram as fontes.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
A companhia brasileira está apostando que a revolução das
baterias, impulsionada pela transição para os veículos elétricos e para os
sistemas de armazenagem de energia, irá ajudá-la a encontrar um investidor
estratégico para um de seus ativos mais desafiadores.
A Vale não quis comentar mas recomendou uma recente
apresentação para investidores onde Schvartsman ressaltou uma nova estratégia
para o mercado de níquel, incluindo uma “parceria” para suas
operações na Nova Caledônia. O Scotiabank e a Gem Co. não foram imediatamente
contactados para comentar.
Schvartsman, que antes ocupava o comando da Klabin, maior
produtora de papel e papelão do Brasil, foi indicado como diretor-presidente da
Vale em março. A indicação surpreendeu muitos representantes do setor de
mineração que esperavam que a empresa com sede no Rio de Janeiro optasse por um
executivo que já trabalhasse na Vale.
Logo após assumir o cargo, Schvartsman iniciou uma avaliação
dos “ativos de baixo desempenho” da Vale. Ele disse que um
“diagnóstico feito em 60 dias” iria indicar que partes da companhia
deveriam ser “melhoradas” e que partes deveriam ser alvo de
“ações prioritárias”.
A Vale investiu bilhões de dólares no desenvolvimento da
VNC, que registrou muitos desafios técnicos e tem enfrentado dificuldades em
gerar caixa.
A unidade é constituída pela mina de Goro, uma fábrica
processadora e o porto. No ano passado, ela produziu 34 mil toneladas de níquel
processado.
Em um relatório recente, analistas do Bank of America
Merrill Lynch informaram que a VNC era insustentável economicamente sem uma
elevação nos preços do níquel ou sem uma “fonte alternativa de
financiamento”. Embora o preço do níquel tenha subido 18% este ano para
US$ 12 mil por tonelada, ele ainda está mais de 50% abaixo do registrado em
2011. Contudo, analistas acreditam que dias melhores virão para o mercado do
níquel.
O níquel é um dos metais que podem se beneficiar da
revolução da energia verde. Baterias de níquel-manganês-cobalto devem se tornar
o padrão industrial para veículos elétricos, à medida que permitem que os
motoristas dirijam distâncias maiores com uma única carga.
Dependendo dos processos químicos envolvidos, haverá
necessidade de uma oferta de níquel adicional entre 300 mil a 900 mil toneladas
por ano até 2025, informa o UBS.
Colocando esses números em perspectiva, para 2017, os
analistas esperam que a produção global de níquel refinado atinja 2 milhões de
toneladas.
A busca de um parceiro estratégico para VNC acontece em um
momento em que a Vale, o maior produtor mundial de minério de ferro, finaliza
um pacto entre os acionistas controladores que está em vigor há duas décadas.
Sua nova estrutura pode acabar reduzindo a influência do
governo na administração da empresa e torná-la mais atraente para os
investidores internacionais, muitos dos quais têm ignorado a empresa devido às
prováveis ligações com o governo brasileiro.
Auxiliado por preços elevados de commodities, as ações da
Vale subiram 36% neste ano, elevando o valor de mercado da empresa para US$ 55
bilhões.
Seja o primeiro a comentar