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Transporte cresce com preocupação no futuro

As cooperativas de transporte atravessam um período de
grande crescimento ao mesmo tempo em que correm para não serem atropeladas por
um mercado mais ágil e menos engessado. De um lado, o setor comemora um salto
de 15% em 2017 sobre o ano anterior, quando já vinha de uma alta média de 17%.
Algumas chegaram a crescer até 30%. De outro, as cooperativas de transporte se
defrontam com entraves, que vão de barreiras em licitações públicas à
implantação de modelos de governança como ferramentas de gestão.

“Esse é um desafio duríssimo para as cooperativas, ter
um modelo democrático, uma gestão transparente e participativa e ao mesmo tempo
oferecer a agilidade que o mercado pede”, diz Abel Paré, coordenador
nacional do conselho consultivo do ramo de transporte da Organização das
Cooperativas Brasileiras (OCB). “O maior perigo para as cooperativas é
esse: conseguir dar a resposta no tempo que o mercado exige”, diz.

As cooperativas de transporte compõem um dos 13 ramos da
OCB, entidade que representa todas as cooperativas do país. São 33 mil veículos
de carga e 46 mil unidades de passageiros, números referentes a 2016. Ao todo,
são 1.227 cooperativas de transporte, envolvendo 136 mil associados e 11.209
empregados.

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Apontadas entre as que mais crescem, as cooperativas de
transporte de cargas somam cerca de 20 mil veículos e são responsáveis pela
circulação de 430 milhões de toneladas dentro e fora do país. As de passageiros
transportam 2 bilhões de pessoas por ano, com uma frota de aproximadamente 50
mil veículos, incluindo van, ônibus, taxi e mototáxi.

Embalada pelo boom do agronegócio, operando com transporte
de grãos e fertilizantes, a Cooperativa de Transportes do Vale do Taquari Ltda
(Vale Log) vem batendo recordes de crescimento. “Foram 34% no passado
contra 13% em 2015; a perspectiva é fechar este ano com alta de 32% e crescer
entre 25% e 35% em 2018”, afirma Adelar Steffler, presidente da Vale Log.
Instalada em Arroio do Meio (RS) e com uma filial em Cascavel (PR), transporta
cerca de 1,4 milhão de toneladas por ano com uma frota de 268 caminhões. “Em
2016, as sobras distribuídas entre os 202 cooperados ficaram na faixa de R$ 1
milhão e para 2017 deverão atingir R$ 1,8 milhão”, diz.

Um dos motivos do sucesso é o sistema de sinergia, operado
pela cooperativa, diz o presidente. “Por exemplo, trazemos os produtos dos
Estados do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, para o Rio Grande do Sul,
como é o caso de soja e milho, para a agroindústria; e voltamos com
fertilizantes ou sementes”, explica.

Para Valteci Wil, presidente da Cooperativa de Transporte da
Região Sudoeste Serrana (Cooptac), “a maior dificuldade hoje é a alta
carga tributária, PIS, Cofins e Imposto de Renda”. A Cooptac está há 14
anos mercado, tem sede em Afonso Cláudio (ES) e reúne mais de 300 cooperados.
Segundo Wil, a área de turismo cresce 14%, mas o transporte escolar sofreu
pequena queda por conta da perda de uma licitação.

“Nossos maiores problemas são o preço do combustível,
que vem subindo acima dos contratos que fechamos”, diz Wil. “As metas
para o próximo ano são uma melhor gestão, reestruturação das equipes e busca de
novos mercados. A meta é crescer 18%”.

No ramo de transportes cooperativos, a chegada do Uber
provocou polêmica. Segundo o coordenador da OCB, a entrada desse modelo no
mercado é bem-vinda, desde que regulamentada. “Se a evolução tecnológica
permite novos atores, a legislação tem que tratar disso, mas, principalmente,
reduzir as barreiras que existem para os taxistas hoje”, diz Paré. “A
questão não é impedir uma atividade, é regulamentar”.

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