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Câmbio e preços em alta favorecem setor de celulose

Os
produtores brasileiros de celulose e papel têm vivido momento bastante positivo
em bolsa. Além da sustentação dos preços da celulose de fibra curta em
trajetória de alta, com margem para novos reajustes no curto prazo, a
valorização acelerada do dólar impulsionou essas ações nas últimas sessões da
B3.

Nesta
terça-feira, os papéis ON de Suzano Papel e Celulose subiram 1,64%, cotadas a
R$ 45,99, enquanto as units de Klabin avançaram 3,93%, para R$ 21,95. Os papéis
de Fibria, que agora oscilam em função dos termos de pagamento propostos pela
Suzano, com algum desconto, tiveram alta de 0,42%, para R$ 71,19.

Relatório do
BTG Pactual, com elevação do preço-alvo para Suzano e Klabin e melhora de
recomendação para a última, também contribuiu para os ganhos no dia.

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Como a maior
parte da celulose de mercado produzida no país é exportada, essas companhias
têm receita maior em reais com a desvalorização cambial. Por outro lado, se a
variação da moeda dentro do trimestre for muito grande, o resultado financeiro
é prejudicado por causa da exposição da dívida ao dólar.

Desde o
início do ano, as ações da Suzano exibem ganhos de mais de 140%, refletindo
também o acordo para compra da Fibria, que deve ser sacramentada entre o fim
deste ano e o início de 2019. Somente no dia em que a transação foi anunciada,
16 de março, os papéis da Suzano ganharam quase 22%. Já os de Fibria têm alta
acumulada no ano de quase 49% e as units de Klabin, de mais de 20%.

O BTG
melhorou suas projeções para os preços da celulose de fibra curta, diante da
demanda firme no mercado global, baixo nível dos estoques, paradas de fábricas
no curto prazo, maior diferença de preços (spread) entre fibra longa e curta e
ausência de nova oferta de matéria-prima nos próximos dois ou três anos. Para
2018 e 2019, o banco trabalha agora com preços de referência de US$ 780 a US$
800 por tonelada na Ásia, frente a US$ 690 a US$ 710 por tonelada
anteriormente. Em 2020, a previsão é de cotação a US$ 765 por tonelada,
comparável a US$ 740 originalmente.

Em nova
edição do relatório “Pulp Pulse”, os analistas Leonardo Correa e
Gerard Roure destacaram que não há sinais de correção iminente dos preços, com
margem para mais um reajuste entre junho e julho. Em relação ao câmbio, os
analistas do BTG assumiram uma taxa estável de R$ 3,50 por dólar em todo o
período considerado para as estimativas, frente a R$ 3,10 a R$ 3,20
anteriormente.

Para Suzano,
que tem recomendação de compra e é a favorita da instituição financeira no
setor, o preço-alvo foi elevado em 34,9%, a R$ 58 por ON. Para Klabin, o banco
elevou a recomendação para compra, de neutra, e o preço-alvo das units subiu de
R$ 22 para R$ 26. No caso da Fibria, escreveram os analistas, as ações passaram
a equivaler a um investimento de renda fixa após a transação com a Suzano, mas
seguem “excessivamente descontadas” no mercado, 4,4% abaixo do valor
teórico (baseado nos termos da negociação com a Suzano).

O acordo
entre as companhias, na avaliação do BTG, é transformador para o setor de
celulose, garantindo maior poder de precificação e uma potencial disciplina de
oferta “sem precendentes” para a indústria. “Recomendamos maior
exposição por meio de Suzano, companhia que agora mostra o melhor perfil de
fluxo de caixa livre”, escreveram.

Para Klabin,
os analistas veem melhora dos fundamentos, o que leva a uma visão mais positiva
para as units. O banco avalia em R$ 15 a R$ 16 por unit o valor do negócio de
papel, o que implica em avaliação de R$ 5 a R$ 6 por unit pelo mercado para a
área de celulose. “Acreditamos que isso desvaloriza materialmente os
ativos de celulose dado o novo câmbio”, escreveram.

 

– Fonte: http://www.valor.com.br/empresas/5527481/cambio-e-precos-em-alta-favorecem-setor-de-celulose


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