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Cade avalia fusão de R$ 90 bi em valor de mercado de Suzano e Fibria

A compra da Fibria pela Suzano Papel e Celulose foi
oficialmente notificada nesta segunda-feira no Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade), de acordo com despacho publicado ontem no “Diário
Oficial da União” (DOU). O prazo de 240 dias prorrogáveis por outros 90
começou a contar na segunda-feira. Assim, a autoridade antitruste tem até o fim
do primeiro semestre de 2019 para autorizar ou vetar o negócio.

A operação, anunciada em meados de março, representará a
fusão das duas maiores fabricantes de celulose de eucalipto do mundo. Hoje,
juntas, as duas empresas têm um valor de mercado de R$ 90 bilhões.

Na instauração do processo, as empresas apontaram que o
negócio atinge os setores de produção de celulose e outras pastas para a
fabricação de papel, cultivo de eucalipto, extração de madeira em florestas
plantadas, fabricação de papel e administração da infraestrutura portuária.

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Para as duas companhias, não há “riscos de exercício
de poder de mercado, de coordenação ou de fechamento de mercado no
Brasil”. Isso porque “a operação não gerará quaisquer efeitos
anticompetitivos no mercado, uma vez que aproximadamente 90% da produção das
partes e dos seus principais concorrentes locais em celulose é destinada à
exportação, com o consumo doméstico sendo marginal”, apontaram no formulário
de notificação ao órgão antitruste.

As empresas reconhecem que a combinação levará a
sobreposições horizontais – termo do jargão antitruste que indica o aumento na
concentração em determinado setor da economia. ” Em decorrência da
Operação Proposta, verificam-se sobreposições horizontais entre as atividades
exercidas pelas Requerentes nos mercados de atividade florestal,
comercialização de madeira, produção e comercialização de celulose e geração e
comercialização de energia elétrica”, listaram.

Outro ponto indicado pelas empresas e que será analisado
pela autarquia são as relações verticais entre as companhias, quando um negócio
envolve diversos elos de uma cadeia produtiva.

Isso acontecerá nos segmentos de “atividade
florestal e produção de celulose, exercidas por ambas as Requerentes, produção
de celulose da Fibria e produção de papel da Suzano, exportação de celulose da
Suzano e operação de terminais portuários da Fibria e geração e consumo de
energia elétrica, utilizada por ambas em todas as suas atividades produtivas e
a relação vertical potencial entre as atividades de exportação de papel da
Suzano e operação de terminais portuários da Fibria”.

Entretanto, isso não levaria a problemas concorrenciais
porque “a presente operação trará diversas eficiências e está sendo feita
com o objetivo de incrementar a competitividade das requerentes [as empresas]
especialmente no mercado de celulose, no qual há intensa rivalidade e
competição, no Brasil e no mundo”.

“Qualquer tentativa de aumento de preços geraria um
deslocamento dos clientes das Requerentes para os concorrentes locais, que,
igualmente, dispõem conjuntamente de capacidade produtiva diversas vezes maior
do que o consumo doméstico e poderiam facilmente redirecionar suas exportações
para abastecimento do mercado nacional”, prossegue.

Agora, a autoridade antitruste iniciará o seu rito de
análise de atos de concentração, oficiando concorrentes, fornecedores e outros
players do mercado para entender sua dinâmica e os impactos do negócio.

Analistas e consultores ouvidos pelo Valor não acreditam
na imposição, pelo Cade, de restrições que envolvam a venda de ativos
industriais (remédio estrutural. Contudo, há quem avalie a possibilidade de
adoção de algum remédio comportamental, como por exemplo assegurar um determinado
volume de celulose a ser ofertado no mercado doméstico.

O acordo de acionistas firmado em março entre os
controladores da Fibria e da Suzano prevê que a Suzano poderá vender até 1,1
milhão de toneladas em ativos da Fibria, ou 10% da capacidade de produção de
celulose de mercado de ambas, caso haja imposição de venda por parte dessas
autoridades, e ainda assim consumar o negócio. Acima desse volume, a companhia
poderia optar por seguir em frente ou retirar-se da operação, mediante
pagamento de multa de R$ 750 milhões.

O volume considerado aceitável em caso de necessidade de
venda de ativo levou a especulações de que a Suzano poderia, em último caso,
abrir mão da unidade da Fibria em Jacareí (SP), cuja capacidade produtiva é de
1,1 milhão de toneladas. Essa unidade, segundo fontes, tem custo de produção
mais elevado em comparação às demais e ofereceria sinergias, a partir da
consolidação com a Suzano, menores do que outros ativos.

 

– Fonte: https://www.valor.com.br/empresas/5636817/cade-inicia-analise-da-aquisicao-da-fibria-por-Suzano


Fonte:

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