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Estação Sufoco: 14 dos 40 trens do Metrô do Recife estão sem funcionar

Dos 40 trens da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em operação no Recife, 14 estão sem funcionar. Além dos atrasos causados pelos problemas com os trens, lixo e ambulantes atuando sem fiscalização ou ordenamento também fazem parte da rotina de 400 mil passageiros. Uma realidade mostrada no NE1 desta segunda-feira (13), na série Estação Sufoco. (Veja vídeo acima)

Na última terça-feira (7), um dos dias em que a reportagem foi gravada, três trens da Linha Sul quebraram. A situação não é novidade. Dos 15 trens novos que chegaram desde 2012, três já estão fora de circulação, com peças que não foram repostas por falta de recursos, segundo a CBTU. Os outros 25 veículos são da década de 1980. Desses, 11 estão quebrados.

“Hoje a gente teria que ter pelo menos 30 trens funcionando. Você sempre tem que tirar algum para manutenção. Quanto maior a reserva, mais fácil você ter um metrô de qualidade”, afirma o superintendente da CBTU no Recife, Leonardo Villar.

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Segundo ele, não há previsão para compra de novos trens. O aumento, há uma semana, de R$ 1,60 para R$ 2,10, chegando a R$ 4 em 2020, é apenas “para a gente continuar com o metrô operando”.

A quebra constante dos trens agrava a superlotação. A Linha Sul, com três trens tirados de circulação ao mesmo tempo, tornou a viagem um martírio. Mesmo no contra fluxo do horário de pico da manhã, no sentido cidade-subúrbio, os vagões estavam cheios.

“Todos os dias é esse atraso no metrô. Quando quebra, é pior ainda. Está sempre lotado, não tem conforto, não segurança, não tem melhoria. Só tem aumento”, afirma a enfermeira Valesca Bastos.

Os problemas do metrô, no entanto, vão além. As pichações estão em toda parte. O lixo, mais ainda. Ao longo do caminho, há destroços amontoados, mato alto e móveis velhos jogados. Perto das estações, os trilhos ficam repletos de sacos de pipoca, garrafas de água, caixas de papelão, palitos de picolé e outros detritos. Não por falta de lixeiras nem de aviso.

“Isso é falta de educação. Infelizmente, é uma cultura. É vergonhoso. Mesmo se não tiver lixeira perto, eu separo na bolsa, numa sacola, e coloco no lixo mais próximo. Mas o pessoal não quer saber”, lamenta o orçamentista Diego Michel.

“A direção do metrô parece que não se importa. Isso incomoda a gente, gera rato e barata. A passagem aumenta e eles não fazem nada. Está uma imundície”, complementa o comerciário Gilmar Antônio da Silva.

O lixo está atrelado a outro problema que o metrô enfrenta: a presença desordenada dos ambulantes. A presença dos vendedores é proibida por lei, mas há fiscalização por parte do metrô é falha e não há nenhuma tentativa de cadastramento ou organização.

Rodrigo Araújo atua como ambulante no metrô há quatro anos. Sai para trabalhar às 5h e roda pelos trens e estações até 15h. Volta para casa e se organiza para ir à escola à noite. “Não quero estar nessa para o resto da vida. Estudo para ter um futuro melhor lá na frente, fazer uma faculdade e ter um emprego melhor. Se houvesse um cadastro, seria melhor para a gente, pois só assim a gente não passaria o corre-corre que passa de vez em quando.”

O ambulante José de Oliveira diz que já perdeu mais de R$ 3 mil em mercadorias apreendidas. Ele era ajudante de caminhão, vivia descarregando fretes, mas viu o emprego praticamente sumir do mapa com a modernização do processo.

“Acabei ficando sem emprego e tenho casa para sustentar. A solução é essa. O metrô tem sido minha vida”, diz ele, que vende acessórios para telefones celulares.

Fonte: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2019/05/13/estacao-sufoco-14-dos-40-trens-do-metro-do-recife-estao-sem-funcionar.ghtml

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