Minério ameaça perder nível de US$ 80

Os preços do minério de ferro encerraram a semana passada em queda acentuada no mercado transoceânico, acompanhando o desempenho negativo dos contratos futuros, e agora correm risco de perder o nível dos US$ 80 por tonelada.

Com a desvalorização de sexta-feira, a cotação voltou ao nível do fim de janeiro, dias depois do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG).
A recuperação da oferta da commodity, tanto pelo Brasil quanto por Austrália, e incertezas relacionadas ao progresso das negociações comerciais entre Estados Unidos e China deram a tônica dos negócios. Nesse ambiente, acrescido de dúvidas quanto à demanda de aço no mercado chinês, analistas já esperavam que essa queda ocorresse no curto prazo.
De acordo com a publicação especializada “Fastmarkets MB”, o minério com 62% de pureza no porto de Qingdao fechou o dia negociado a US$ 80,11 a tonelada, com recuo de 3,68%, ou US$ 3,06. Essa foi a maior queda diária desde 16 de outubro e o preço é o mais baixo desde 29 de janeiro.

Com isso, em novembro, a commodity acumula desvalorização de 6,8%. Em 2019, a alta foi reduzida a 10,2%. Na Bolsa de Commodity de Dalian, os contratos mais líquidos com entrega de minério em janeiro perderam 17,50 yuans, para 600 yuans por tonelada, em movimento que foi acompanhado também pelos futuros de aço.
O banco suíço Julius Baer já projetava queda dos preços para cerca de US$ 80 por tonelada em três meses e a US$ 65 por tonelada em 12 meses. Em análise da semana passada, o chefe de pesquisa Carsten Menke destacou que, ao mesmo tempo em que a oferta da commodity segue rumo à normalização, os estoques devem continuar aumentando e a demanda, se reduzindo, “apontando para uma diminuição do equilíbrio do mercado e uma queda nos preços”.

Conforme o especialista, com o anúncio de retomada de operações em outra mina da Vale que havia sido fechada após a tragédia de Brumadinho, a disponibilidade de minério segue aumentando. Logo após a notícia, os preços do minério caíram e, na segunda-feira passada, o contrato mais negociado na bolsa de Cingapura recuou temporariamente para menos de US$ 80 por tonelada, o mais baixo desde o segundo trimestre.

Já as importações chinesas de minério se recuperaram, em movimento que está mais associado à recomposição de estoques nas siderúrgicas e menos à recuperação da demanda, na avaliação de Menke. Tendo em vista que a produção de aço na China já ultrapassou o pico sazonal, a tendência é de desaceleração das compras.
“Projetando uma leve desaceleração no setor imobiliário e nenhuma grande recuperação em infraestrutura, o consumo de aço [na China] deve cair gradualmente. A demanda por minério também deve diminuir e os estoques devem seguir aumentando”, acrescentou.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/11/11/minerio-ameaca-perder-nivel-de-us-80.ghtml

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