Governo adia retorno da operação da Linha 15-Prata do Monotrilho

O Governo de São Paulo adiou o retorno da operação da Linha 15 – Prata do Monotrilho, que vai da estação Vila Prudente a São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. A previsão era de que a linha voltasse a funcionar gradualmente a partir desta segunda-feira (23).

Segundo a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, a operação seguirá paralisada por tempo indeterminado.

De acordo com a pasta, a decisão foi tomada após queda no número de passageiros em todo o transporte público da capital paulista. No sábado (21), o governador João Doria (PSDB) decretou quarentena no estado de SP até o dia 7 de abril para impedir avanço do coronavírus.

No dia 13 de março, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, afirmou que a linha voltaria a funcionar parcialmente a partir desta segunda-feira (23) e integralmente a partir de 14 de abril.

A operação Paese continua acionada para percorrer o trajeto dos trens neste período.

Falha
Os 23 trens que operam na linha foram recolhidos no dia 27 de fevereiro, depois que o cinco pneus de um dos trens estourou. Esses pneus do monotrilho funcionam com o sistema “run flat” com um reforço de borracha e ainda não há prazo para a normalização do sistema.

A causa apurada para o problema foi o pneu ter se rompido por estar tocando o run flat (borracha interna). Isso teria ocorrido por deformidades nas vias. Não é possível saber se essas deformidades foram provocadas pelo uso ou má construção.

As falhas e a paralisação fizeram o Ministério Público de São Paulo abrir um inquérito civil para investigar “possíveis irregularidades”.

O inquérito foi instaurado pelo promotor Silvio Antonio Marques, alegando que o monotrilho vem acumulando “falhas e atrasos em série”, prejudicando e “colocando em risco os usuários da região Leste de São Paulo”.

A investigação do MP tem como alvo a Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, o Metrô e o Consórcio Expresso Monotrilho Leste, responsável pela construção da linha, além da Bombardier, a empresa fabricante dos trens.

“Desde a inauguração, a Linha 15-Prata, que ainda é a única que utiliza tal modelo na cidade de São Paulo, acumula atrasos e uma série de falhas, sendo que, diariamente os usuários enfrentam velocidade reduzida, troca de trens, grandes intervalos e superlotação. (…) As irregularidades ocorrem desde 2016, quando um trem deixou a plataforma com todas as portas abertas, colocando em risco a vida dos passageiros, já que os trens do monotrilho circulam a altura média de 15 metros, sobre pilastras”, justificou Marques no pedido de investigação.

O inquérito do MP foi aberto depois de uma solicitação dos deputados estaduais Paulo Fiorillo e José Américos, do PT. Para o promotor Silvio Marques, a investigação se faz necessária também porque “o projeto da linha em exame foi anunciado com investimentos de R$2,8 bilhões, mas o valor gasto até o momento atinge R$5,5 bilhões, sendo que a data de entrega foi adiada por diversas vezes”.

Histórico de falhas

Em janeiro deste ano, a Linha-15 Prata foi recordista de falhas no sistema de trilhos da cidade. Levantamento feito pela TV Globo com base nas informações do Metrô apontou que a linha teve operação normal em 76,4% do tempo, ou seja, a cada quatro horas de funcionamento, uma foi atípica.

Logo no início do ano, a Linha 15-Prata enfrentou falhas que duraram mais de quatro dias. Por conta de problema na altura da estação São Lucas, na Zona Leste, os trens circulavam com lentidão e maior tempo de parada.

Em 2019, foram 27 dias com funcionamento em operação parcial. O caso mais grave foi de uma colisão entre dois trens em uma área de manobra. O acidente ocorreu nos trilhos que passam sobre a Avenida Sapopemba. Não houve feridos.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/03/23/governo-adia-retorno-da-operacao-da-linha-15-prata-do-monotrilho.ghtml

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