Porto de Santos deve seguir plano de desestatização com nova chefia

O novo presidente da Santos Port Authority (SPA), Fernando Biral, é pouco conhecido no setor portuário, mas é visto como um nome técnico, que deverá dar seguimento à reestruturação da companhia estatal, preparando o caminho para sua desestatização. O executivo substitui Casemiro Tércio Carvalho, que anunciou sua saída na última sexta-feira, surpreendendo operadores do porto de Santos.

Biral, inicialmente anunciado como interino, teve sua indicação definitiva confirmada ontem pelo Ministério de Infraestrutura.

A indicação rápida foi articulada pela pasta justamente para evitar a cobiça política de partidos, segundo fontes ligadas ao ministério. O executivo foi apresentado ao presidente Jair Bolsonaro já na semana passada. Historicamente, o Porto de Santos foi marcado por interferências de grupos como PR e MDB, que dominaram indicações e decisões.

Com um perfil incisivo, Carvalho assumiu a gestão da autoridade portuária no início de 2019, logo após a deflagração de escândalos de corrupção no porto. Logo na chegada, declarou a meta de melhorar a governança e as finanças da autoridade portuária.

No percurso, porém, o executivo enfrentou uma série de disputas internas, segundo pessoas que atuam em Santos e que pediram anonimato.

Houve divergências com operadores portuários, como no caso da DP World (ex-Embraport), por conta de mudanças no traçado do terminal e alterações na cobrança de taxas, além da revisão de aditivos contratuais, como o da Transpetro. Também ocorreram discordâncias com sindicatos por conta do projeto de privatização, e com a Ecorodovias, no embate sobre a construção da ponte Santos-Guarujá.

Para defensores, o executivo assumiu um agenda transformadora em defesa dos interesses do porto, e que, com isso, criou desafetos. Para alguns, porém, Carvalho tentou promover reformas muito abruptas e “foi com sede demais ao pote”, diz uma fonte.

A avaliação na SPA é que a saída do executivo teve motivações pessoais, e que a troca não significa uma ruptura na gestão, já que não há alterações na própria equipe do Ministério de Infraestrutura, que o apoiou nas discussões, assim como no restante da diretoria da companhia docas.

O novo presidente da SPA também já fazia parte da equipe desde abril de 2019, quando assumiu a diretoria de Administração e Finanças, após uma seleção via headhunter. Antes disso, trabalhou em empresas focadas em reestruturação de empresas, como a RK Partners. Dentro do próprio porto, é apontado como responsável pela melhoria nos resultados financeiros e por equacionar o déficit do Portus, fundo de pensão dos trabalhadores do porto.

O executivo, porém, ainda é visto como uma incógnita no setor. De perfil mais discreto, ele sempre atuou internamente e só agora deverá ter um contato mais direto com os operadores.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/04/29/porto-de-santos-deve-seguir-plano-de-desestatizacao-com-nova-chefia.ghtml

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