Estadão – Os empreendimentos já programados dentro do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) deverão levar a investimentos de R$ 78 bilhões neste ano. A estimativa é da Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Economia.
O valor em 2022 está acima do ano passado, quando a projeção é que foram feitos aportes no total de R$ 40 bilhões. Em nota, o órgão estima um montante de investimentos de R$ 360 bilhões no período de 2019 a 2025.
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Sem espaço no orçamento público, o PPI é uma das principais apostas do governo brasileiro para alavancar o investimento privado. O programa é citado com frequência pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como “prova” de que aportes milionários serão feitos no País nos próximos anos.
A estimativa do governo é que os investimentos a serem contratados entre 2019 e 2022 levarão ao longo do tempo a aportes de R$ 1,3 trilhão. O estudo da SPE foi feito para quantificar os recursos que deverão entrar no curto prazo.
O valor a ser investido neste ano representa 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e cerca de 5% de todo o investimento feito na economia brasileira em 2021 (medido pela formação bruta de capital fixo).
Em dezembro, a carteira do PPI tinha 131 projetos e leilões entre 2019 e 2021 e mais 154 previstos para 2022. São obras como licitações de aeroportos e ferrovias, saneamento, o leilão de 5G e blocos de petróleo.
O assessor especial de Assuntos Estratégicos da Economia, Adolfo Sachsida, destacou que o aumento nos investimentos leva à maior geração de empregos e de crescimento da economia. Ele apresentou dados que projetam que a cada aumento de um ponto porcentual na taxa de investimento, 770 mil empregos são gerados. “O investimento privado e o mercado de trabalho são as nossas apostas para 2022”, completou.
Do total esperado no PPI neste ano, quase metade corresponde a projetos no setor de óleo e gás (49,89%). Transporte responde por 32,94% e energia elétrica, 7,15%.
Poupança
Uma segunda nota informativa da SPE analisou o aumento da taxa de poupança em diferentes países, condição importante para financiar a expansão do investimento. De acordo com o estudo, o Brasil foi o segundo país que mais elevou a taxa de poupança no grupo dos 20 países com maior Produto Interno Bruto (PIB), e o terceiro com maior investimento entre 2018 e 2021.
Sachsida defendeu que os recursos hoje são mais bem alocados por serem direcionados pelo setor privado e financiado por crédito livre e pelo mercado de capitais. “As pessoas comparam a taxa de investimento hoje com a de cinco, seis anos atrás. Está errado. Era direcionado por uma política de escolher campeões nacionais, escolher quem vai receber mais recursos”, alegou.
O secretário admitiu que o ambiente internacional está “um pouco mais adverso” com a crise geopolítica trazida pela ameaça de guerra no leste europeu, mas minimizou o impacto da questão no fluxo de investimentos para o Brasil.
“Existem fatores que não controlamos e que controlamos. A questão internacional não está no nosso controle. Quanto mais rápido nos movimentarmos, mais preparados estaremos para o cenário internacional”, completou.
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