Corredor entre Atlântico e Pacífico reduziria em 30% os custos de transporte de carga até a China

Corredor Bioceânico — Foto: Divulgação
Corredor Bioceânico — Foto: Divulgação

Valor Econômico – Durante a abertura do Fórum Internacional de Logística Multimodal Sustentável (FILMS), em Foz do Iguaçu, nesta quarta-feira (11), João Carlos Parkinson de Castro, ministro da carreira diplomática do Ministério das Relações Exteriores, defendeu a implantação do corredor ligando os oceanos Atlântico e Pacífico para reduzir distâncias e o custo do transporte para o acesso a mercados.

Estudos da pasta apontam que a rota poderia reduzir 30% os custos de transporte de cargas entre Brasil e China, além de reduzir em 23% o tempo de viagem. Para o diplomata, um corredor Bioceânico Multimodal de Capricórnio, ligando portos do Chile ao de Paranaguá, conectando Argentina e Paraguai, garantiria melhor acesso aos mercados asiáticos, favorecendo o desenvolvimento da indústria de transformação no Paraguai e a exportação de produtos com mais valor agregado.

“Produtos brasileiros, paraguaios, argentinos e chilenos serão exportados para Ásia, Costa Oeste das Américas, Peru, Colômbia e Equador com maior eficiência e menor custo e tempo”, disse ele, destacando que a iniciativa poderia fomentar um polo industrial e agrícola no entorno de Foz do Iguaçu.

Castro lembrou a escalada do custo do frete marítimo na atual conjuntura internacional, além da dificuldade de encontrar contêineres. Para ele, corredores logísticos como o proposto responderiam a essas questões.

Coordenador do evento logístico, Danilo Vendruscolo afirmou que os países têm boas condições para levar seus produtos aos grandes mercados mundiais e a criação do Corredor Bioceânico Multimodal de Capricórnio, poderia reduzir em “30% os custos para o transporte de cargas e atrair investimentos”. Entretanto, Vendruscolo salientou que é preciso evoluir em novas soluções logísticas.

Ao que indica, os países têm interesse no projeto. Segundo o embaixador do Paraguai no Brasil, Juan Ángel Delgadillo, o governo de seu país está à disposição para contribuir com soluções logísticas na região, já que o país vizinho não tem saída para o mar e a rota ajudaria a escoar seus produtos.

“Nós, dos governos, temos o papel de ser a voz para levar as demandas à prática, trabalhando sempre juntos, setor público e privado”, declarou.

O cônsul da Argentina em Foz do Iguaçu, Alejandro Massucco, mencionou que o corredor bioceânico será um indutor para o comércio e os transportes. “O futuro está na integração de nossos povos. Nessa época difícil, com o mundo precisando de alimentos, Brasil, Paraguai e Argentina são produtores por excelência. Com uma integração inteligente, não vamos parar”.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2022/05/12/corredor-entre-atlantico-e-pacifico-reduziria-em-30percent-os-custos-de-transporte-de-carga-ate-a-china.ghtml

2 Comentários

  1. O projeto da ferrovia São Paulo-Cuiabá foi enaltecido por Euclides da Cunha, há mais de 100 anos, como o caminho mais curto para ligar o Atlântico ao Pacífico. Em seu livro “Contrastes e Confrontos” o escritor já defendia naquela época a construção da ponte: “mercê de uma ponte de 800 metros sobre o grande rio, a travessia entre Jaboticabal e Cuiabá será feita folgadamente em 8 dias… se isso não acontecer, decididamente, porque nos falta um grande engenheiro, um grande empresário e um grande presidente”. Após 50 anos, o ilustre mato-grossense Vicente Emílio Vuolo abraçou esse ideal apresentando na Câmara dos Deputados o projeto 312-A, que incluiu no Plano Nacional de Viação a ligação ferroviária São Paulo-Rubinéia-Aparecida do Taboado-Rondonópolis-Cuiabá, por meio da construção da ponte Rodo-ferrovia sobre o Rio Paraná. Esse projeto foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo Presidente Geisel, transformado na Lei nº 6.376/76. É importante salientar que a largura da ponte passou de 800 para 3.600 metros devido à construção da barragem de Ilha Solteira e a formação do grande lago.

  2. Ao analisar o mapa logo percebe-se que esse tal corredor proposto esta baseado em ligações basicamente rodoviárias, sendo assim o corredor saindo de Santos-Mairinque-Bauru- Corumbá-Santa Cruz de La Sierra- Porto Irinque (Chile) (todo utilizando-se ferrovias já existentes de mesma bitola e muito mais pratico e o volume a ser transportado e muito maior que o proposto na reportagem. Me parece que falta apenas construir um pequeno trecho (ponte custo de 43 milhões de dólares) em Salta na Argentina. Enfim….. Att Paulo Roberto

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