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País precisa investir mais em rodovia e ferrovia

Valor Econômico – O fortalecimento da infraestrutura no Brasil depende da superação de obstáculos de curto e longo prazos. Os desafios vão da necessidade de renovação de vagões ferroviários e de novas linhas de crédito até estratégias para lidar com efeitos da reforma tributária. Esse foi o entendimento de especialistas da série de debates “Logística no Brasil”, promovida pelo Valor, com oferecimento da Infra S.A. e do Ministério dos Transportes.

No evento, realizado em Brasília nesta quarta-feira (9), os participantes destacaram linhas de ação para o desenvolvimento do setor. O foco, indicaram, deve recair nos setores ferroviário, rodoviário e de armazenagem. Nas rodovias e no segmento de estocagem, a infraestrutura brasileira não tem conseguido acompanhar o ritmo da produção agrícola. O alerta foi de Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica de logística e infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A safra de grãos já atinge 336 milhões de toneladas, disse Lopes. “No escoamento, o principal gargalo são caminhos da fazenda até portos”, afirmou. E acrescentou: “E também há a questão das estradas, especialmente as vicinais, que não são consideradas em nenhum plano de governo.” Ela prosseguiu: “E, em grãos, só conseguimos armazenar 63% de tudo que produzimos.” A técnica da CNA defendeu ainda a oferta de linhas de crédito, específicas e atrativas, para construção de mais silos de armazenagem, principalmente dentro de estabelecimentos produtores.

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Uma expansão mais ágil da malha ferroviária também permitiria escoar um volume maior de produção agrícola e outros fluxos de produção, disse Davi Barreto, diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF). “O setor ferroviário cresce a 2%, 3% por ano, o agropecuário cresce a 5%, 6%, 7%”, comentou. Para que o setor ferroviário cresça de forma mais veloz, Barreto defendeu a união do poder público e da iniciativa privada para alocar mais investimentos nesse modal. O investimento público no campo ferroviário deve ser entendido, pelo poder público, como estratégico para desenvolvimento do país, defendeu.

Outro desafio no segmento ferroviário é a necessidade de renovação de vagões, acrescentou Paulo Resende, diretor do núcleo de infraestrutura e logística da Fundação Dom Cabral. Segundo ele, 50% da atual frota brasileira de vagões têm mais de 30 anos. “Não temos a menor capacidade de produção de vagões da maneira que precisamos, e todos nossos trilhos são importados”, acrescentou. Esse cenário, continuou Resende, contribuiu para que o valor dos ativos de infraestrutura brasileiros caísse de 22% para 12% do PIB em dez anos.

Aumentar importância da infraestrutura na economia é uma das vertentes do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, lançado ano passado, informou Jorge Bastos, presidente da Infra S.A., empresa pública federal, vinculada ao Ministério dos Transportes.

O executivo da Infra S.A. destacou a importância de conversas contínuas sobre o PNL entre ministérios, iniciativa privada e sociedade em geral. Esse diálogo, explicou, é essencial para a coleta de sugestões e para identificar gargalos, de modo que possam ser, depois, solucionados. Também no debate, Valter Luís de Souza, diretor de relações institucionais da Confederação Nacional do Transporte (CNT), concordou com a importância de se debater o PNL com o setor privado e a sociedade.

A iniciativa privada ainda tem que lidar com outros desafios, de curto prazo, disse Marco Aurélio Barcelos, diretor-presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Um deles é o novo regramento da reforma tributária no que concerne ao reequilíbrio de contratos de concessão rodoviária. Outro desafio de curto prazo citado por Barcelos é a possível taxação de debêntures de infraestrutura, proposta pelo governo. Sobre o tema, Barcelos afirmou que “não se pode colocar ‘quebra mola na pista do aeroporto”, envolvendo projetos que vão avançar. Segundo ele, a entidade já pediu ao governo que não incida alíquota em contratos de emissões de debêntures já firmados.

Fonte: https://valor.globo.com/brasil/noticia/2025/07/10/pais-precisa-investir-mais-em-rodovia-e-ferrovia.ghtml

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