Diário de Pernambuco – O governo federal avalia tirar do papel o projeto do Veículo Leve sobre Trilho (VLT) do Recife, que compreende três trechos: o Eixo Boa Viagem, a Linha Forte do Brum-Olinda e a Linha Largo da Paz-Forte do Brum. Este último, elaborado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), se integraria à Linha Sul do Metrô do Recife e corresponde ao trecho intermediário do Corredor Norte-Sul.
O trecho Largo da Paz-Forte do Brum é considerado o de implantação mais simples, pois aproveita um traçado que, até pouco tempo atrás, era utilizado pelo trem a diesel que chegava ao Porto do Recife. O trajeto, segundo o projeto, terá dez paradas, com distância média de 400 metros entre elas.
O VLT é visto como o modal mais adequado para a área por atravessar sítios históricos. A visão é compartilhada por Luciene Machado, superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES. “Durante nosso processo de escuta, todos indicaram o VLT para aquele trecho [Recife Antigo]. Então, o estudo entende que já há uma definição da tecnologia”, explica.
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O projeto da CBTU destaca a integração com novos empreendimentos, como o Novotel Recife Marina, o Recife Expo Center e projetos habitacionais como o Moinho Business e o Novo Recife (Cais José Estelita).
A superintendente da CBTU no Recife, Marcela Campos, também ressalta a adequação do modelo. “O projeto prevê VLTs elétricos com tração a baterias, sem a necessidade de rede aérea (catenária), não agredindo a paisagem central. Além disso, não haverá estações grandes, mas apenas pontos de parada, como totens”, detalha.
OUTROS PROJETOS
O VLT é uma das propostas selecionadas pelo Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), desenvolvido pelo BNDES, que terá sua 5ª edição publicada em breve, com detalhamento técnico e financeiro de cada projeto.
Desde seu lançamento, o ENMU já avaliou 18 propostas para a Região Metropolitana, e muitas delas têm traçados sobrepostos, como o VLT e o BRT no corredor Norte-Sul. Nesses casos, a escolha do modal ainda não foi definida e dependerá de análises de custo de implantação e de operação.
“Aquilo que demanda menos recursos para implementar não é, necessariamente, o mais barato de operar no dia a dia”, pondera Luciene Machado, do BNDES. “Um ônibus tem vida útil de seis a sete anos. Já uma composição de VLT tem, pelo menos, o dobro disso. E nós estamos olhando um horizonte até 2054”, finaliza.
Em relação aos projetos de expansão do Metrô do Recife, como as linhas Oeste (Derby-São Lourenço) e Noroeste (Macaxeira – Cruz Cabugá), Luciene explica que o estudo não encontrou, por enquanto, demanda que justificasse a ampliação. Mas isso não significa, no entanto, que a desmobilização do metrô esteja nos planos.
“É importante requalificar os trechos existentes [do metrô], porque eles existem, eles estão lá, são usados pela população e devem ser requalificados. O que o estudo vai indicar em relação a essas linhas é como requalificar, como aumentar a eficiência, como melhorá-las”, reforça.
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