G1 – O governo de São Paulo assinou um contrato de R$ 395 milhões com a concessionária BR Mobilidade, operadora do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista, para instalar a sinalização e concluir sistemas pendentes da segunda linha. Esses serviços, originalmente a cargo da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), não foram realizados e a estatal está em processo de extinção. A previsão dos serviços é de dezembro de 2026.
As obras da nova linha foram iniciadas em setembro de 2020, sob responsabilidade da EMTU e execução da Alya Construtora e, segundo o governo, estão concluídas. A operação, no entanto, tinha previsão de início no primeiro semestre de 2025, o que não aconteceu. Atualmente, são realizados testes do modal – que será operado pela BR Mobilidade.
A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) firmou um aditivo contratual com a BR Mobilidade, na última segunda-feira (4), incluindo no contrato de concessão a realização de serviços que estão pendentes e não foram realizados pela EMTU.
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De acordo com o documento, caberá à BR Mobilidade implantar a sinalização e demais sistemas do VLT — apontados pelo governo como o único impeditivo para a circulação do modal na nova linha. A decisão, tomada em caráter de urgência, visa acelerar o início da operação.
O valor foi definido após a BR Mobilidade apresentar estudos e cronogramas à Agência de Transportes de São Paulo (Artesp), que havia consultado a empresa sobre o interesse em assumir a execução dos serviços inacabados. A proposta que foi aceita.
O aporte foi estimado em R$ 362.009.049. Como o investimento não estava previsto no contrato original, ele foi reajustado para R$ 395.183.513, com a atualização do valor em relação ao primeiro ano contratual – baseado em janeiro de 2025.
O valor foi incluído no contrato de concessão existente, em que a concessionária faz a gestão, manutenção e operação das outras linhas do VLT da Baixada Santista. Ele foi assinado em 2015, com prazo de 20 anos, e investimento foi de R$ 1,65 bi.
O que a BR Mobilidade vai fazer?
A BR Mobilidade deve levantar e planejar a conclusão dos sistemas de energia, telecomunicação e comunicação semafórica do novo trecho do VLT. Para isso, a empresa deve avaliar a condição dos equipamentos já adquiridos pela EMTU, visando reaproveitar os itens.
O processo inclui, ainda, a revisão dos trabalhos já executados pela EMTU, atualização de projetos, inspeções em campo, testes, tratativas com fabricantes, simulações elétricas e elaboração de projetos para instalação de sistemas de incêndio e wi-fi na linha existente.
Confira os investimentos previstos:
- Mobilização – R$ 40.553.394,71
- Protocolo da documentação técnica da cabine 13,8 kV padrão CP – R$ 202.766,97
- Entrega de equipamentos novos – R$ 104.222.294,41
- Instalação – R$ 174.785.131,22
- Comissionamento e testes – R$ 79.484.653,64
- Treinamento – R$ 1.013.834,87
- Termo de aceite final – R$ 5.271.941,31
O g1 procurou a Artesp e a BR Mobilidade em busca de mais informações e posicionamentos, mas não teve retorno até a última atualização da reportagem.
Governo de SP
Em nota, a Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (SPI) informou que o termo aditivo ao contrato transfere para a BR Mobilidade a responsabilidade de implantar sistemas como radiocomunicação, sinalização, energia, detecção de incêndio e Wi-Fi, além de estudos técnicos e avaliação e aquisição de equipamentos, para viabilizar a operação do Trecho Conselheiro Nébias–Valongo do VLT.
“A tarefa antes cabia à EMTU, que foi liquidada. Para recompor o contrato, o Governo do Estado de São Paulo fará um aporte de R$ 395,1 milhões, liberado conforme o avanço físico comprovado das obras, com fiscalização da Agência Reguladora (Artesp)”, acrescentou a SPI.
Ainda de acordo com a pasta, a previsão para início da operação assistida no trecho é neste semestre.
VLT
A 2ª linha do VLT realizará a ligação entre a Avenida Conselheiro Nébias e a região do Valongo. Em Santos (SP), o modal terá 8 km de extensão e 12 estações, com capacidade para transportar 35 mil pessoas por dia.
A terceira linha do equipamento ainda deverá ser construída em São Vicente, ligando as áreas Insular e Continental do município. A ação será realizada após a reforma da Ponte A Tribuna, que teve início em março de 2024, com previsão de entrega em 2 anos.
A terceira linha contará com mais 7,5 km de extensão e quatro estações. O novo trecho deve beneficiar cerca de 150 mil moradores da Área Continental na ligação com o município de Santos.
Ao ser totalmente concluído, o VLT da Baixada Santista deverá contar com 27 km de extensão, com interligações dispostas em 31 estações.
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