Correio Popular (Campinas-SP) – A TIC Trens, responsável pela implantação e gerenciamento do Trem Intercidades (TIC) São Paulo-Campinas (Eixo Norte), vai recorrer ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) para obter financiamento para execução da obra. A empresa foi autorizada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a solicitar o empréstimo por meio dos recursos voltados a Grandes e Médias Cidades – Setor Privado, conforme deliberação publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOESP). Se concedido, será o segundo financiamento via PAC, programa do governo federal, para o empreendimento orçado em R$ 14,2 bilhões, sem contar a reforma e ampliação da Estação Água Branca, em São Paulo, que será executado pela TIC Trens e foi incluído no contrato posteriormente à assinatura.
No final de 2023, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou o empréstimo de R$ 6,4 bilhões para a implantação do TIC São Paulo-Campinas. O financiamento compõe a contrapartida de R$ 8,5 bilhões que o governo paulista fará no projeto, realizado pelo modelo de Parceria Público-Privada (PPP). A diferença de R$ 5,7 bilhões no investimento é de responsabilidade da TIC Trens, que tem a concessão do serviço por 30 anos. A concessionária foi criada pelo brasileiro Grupo Comporte e a estatal chinesa CRRC, que formaram o consórcio vencedor da concorrência internacional para implantação do Trem Intercidades.
Não há um prazo previsto para a divulgação de uma nova etapa do Programa de Aceleração do Crescimento. No final do mês passado, o PAC Seleções 2025 autorizou financiamentos totalizando R$ 6,05 bilhões para 29 propostas de mobilidade urbana destinadas a 26 cidades e estados. São operações voltadas para grandes e médias cidades brasileiras para reduzir o tempo de viagem e emissão de poluentes, atendendo tanto centros urbanos quanto regiões periféricas com população de baixa renda. Nesta nova etapa, as propostas selecionadas estão aptas a análise de operações de crédito para a realização de melhorias em infraestruturas de sistemas de alta e média capacidade como BRTs, VLTs, trens urbanos, metrôs, corredores de ônibus, ciclovias e ciclofaixas, que promovem a conexão de redes cicloviárias e a de pedestres com rotas de transporte público.
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EM ANDAMENTO
A TIC Trens está no momento formatando o projeto executivo do Trem Intercidades para definir o empréstimo solicitado. A concessionária realiza estudos de viabilidade econômica para duplicação do trecho entre a Estação Água Branca, na capital, e Jundiaí, onde haverá uma parada intermediária. A avaliação considera diversos fatores, como topografia, demanda projetada, disponibilidade de espaço e infraestrutura existente. Pela concessão, o TIC São Paulo-Campinas deveria operar em via única, com pontos de ultrapassagens de outros serviços que integram o empreendimento. Essa é a configuração prevista para o trecho entre Campinas e Jundiaí, que será compartilhado com o Trem Intermetropolitano (TIM), ligando as duas cidades e com paradas em Valinhos, Vinhedo e Louveira.
Entre Jundiaí e São Paulo já circula a Linha 7-Rubi, que será assumida definitivamente pela TIC Trens em novembro próximo, quando passará a contar o prazo de concessão de serviço. As vantagens apontadas pela duplicação nesse trajeto são maior agilidade nas viagens e a possibilidade de ampliar a oferta de partidas, já que cada sentido teria seu próprio trilho.
A definição sobre a duplicação da via férrea deverá ocorrer nos próximos meses, uma vez que o prazo para início das obras está mantido para maio próximo.
O TIM está programado para entrar em circulação em 2029, enquanto o TIC será inaugurado em 2031. O serviço expresso entre São Paulo e Campinas percorrerá 101 km, com a viagem devendo durar 64 minutos. O Trem Intercidades deverá rodar a velocidade máxima de 140 km/h, enquanto o Intermetropolitano terá velocidade de 80 km/h.
Durante visita a Campinas na terça-feira, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) reafirmou a manutenção do cronograma de obras do TIC Eixo Norte. Para ele, o empreendimento já uma realidade. Ele também reafirmou que no próximo ano será finalizado o projeto para a construção de duas linhas de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) em Campinas, ligando o Centro ao Aeroporto Internacional de Viracopos e às cidades de Hortolândia e Sumaré.
NOVA FASE
No começo deste mês, o governo estadual publicou no Diário Oficial a desapropriação de uma área de 1.931,59 metros quadrados (m²), localizada na Rua Guaicurus, 324, na capital, para a ampliação da Estação Água Branca, que será um hub ferroviário englobando vários serviços. Além do TIC São Paulo-Campinas, ele será usado pelo TIC São PauloSorocaba (Eixo Oeste), previsto para ser leiloado ainda neste ano, e pela Linha 7-Rubi, além das linhas do metrô 6-Laranja, 8-Diamante, 9-Esmeralda e o prolongamento da 3-Vermelha.
A desapropriação será paga pela TIC Trens. A modernização e ampliação da Estação Água está estimada em R$ 1,15 bilhão, com o custo sendo assumido pela concessionária através de um aditivo publicado no contrato. O governo do Estado assumiu a responsabilidade de garantir “oportunamente” o equilíbrio econômico-financeiro do projeto do TIC Eixo Norte. O Trem Intercidades deverá beneficiar 15 milhões de pessoas em 11 municípios, envolvendo três das maiores regiões metropolitanas do São Paulo. O empreendimento deverá gerar 10,5 mil empregos, entre diretos, indiretos e induzidos.
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