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Futura sócia da Cosan, Perfin mantém interesse em disputar novas concessões

Valor Econômico – Futura acionista minoritária do grupo Cosan, com o empresário Rubens Ometto Silveira Mello e sócios do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, a gestora Perfin, que tem investimentos em ativos de saneamento, transmissão de energia e rodovias no país, seguirá com fôlego para participar de novas rodadas de concessão – ainda que de forma mais seletiva, apurou o Valor.

O negócio fechado com a Cosan dará um salto nos negócios da gestora. Pela estrutura societária anunciada pelo grupo de Rubens Ometto no domingo (21), a Perfin fará um aporte de R$ 2 bilhões na companhia, por meio de um “follow-on”. Já o BTG colocará R$ 4,5 bilhões e Ometto, por meio da Aguassanta, sua holding familiar, mais R$ 750 milhões. No total, a capitalização será de R$ 10 bilhões, com um montante adicional de R$ 2,75 bilhões.

Ao final da capitalização, a Perfin, por meio do seu fundo de infraestrutura, terá 10,4% de participação na Cosan. Os sócios do BTG Pactual terão 23,3% e o Aguassanta, 21,3%.

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Mesmo com esse desembolso bilionário, a Perfin pretende participar de futuros leilões de infraestrutura, ainda que em um ritmo menos acelerado que num passado recente, mas deve manter interesse nos projetos considerados mais estratégicos.

Sua estrutura de capital, segundo uma fonte, foi pensada para permitir essa flexibilidade. “O fundo de infraestrutura segue em processo de captação e a estrutura de coinvestimento com outros fundos permite à Perfin analisar novas concessões e projetos estratégicos”, afirmou. “Há nomes grandes olhando para o fundo [que a gestora] está captando”.

Com forte presença em infraestrutura, Perfin participou de recentes rodadas de leilão e arrematou rodovias em Minas Gerais

A Perfin tem R$ 12,7 bilhões sob gestão somente em seu fundo de infraestrutura, considerando a posição de agosto, e tem um processo de captação em curso, para futuros investimentos. O fundo Infra tem hoje mais de R$ 2,5 bilhões. Os recursos para o aporte na Cosan já estão reservados.

Com ativos complementares aos investidos pela Perfin – a gestora vinha estudando alternativas em gás e o segmento de ferrovias era alvo -, a Cosan já havia despertado a atenção da gestora, que buscou uma aproximação aos primeiros sinais de que uma das saídas para reestruturar a dívida do grupo era uma capitalização.

A Perfin é formada por três gestoras, com os mesmos sócios para todos os negócios – o BTG Pactual é acionista minoritário. Há a área de infraestrutura, que participa da capitalização da Cosan, e também um fundo de ações e uma operação de gestão de patrimônio. No total, a empresa tem R$ 35 bilhões sob gestão.

A gestora investe no setor de energia desde sua constituição, em 2007, e tem entre seus sócios fundadores Ralph Gustavo Rosenberg e José Roberto Ermírio de Moraes Filho, da família fundadora do grupo industrial Votorantim.

A gestora tem sido presença constante em leilões de concessões, principalmente no setor de rodovias. Nesse ramo, tem participado das ofertas com a EPR, sua empresa em sociedade com a Equipav, criada em 2022. O negócio tem investimentos de quase R$ 38 bilhões para ainda tirar do papel, de contratos adquiridos nesse intervalo.

A EPR já possui, por exemplo, três concessões de rodovias federais e outros três lotes do Estado de Minas Gerais.

Outro alvo da Perfin é o segmento de saneamento. Em agosto, a gestora aumentou sua participação no capital social da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), para 10%. O governo mineiro pretende realizar o leilão de privatização da empresa no primeiro trimestre de 2026. O setor de saneamento tem movimentado bilhões de reais nos últimos meses nos últimos leilões.

Nos últimos meses, a Perfin também participou de licitações para a área de logística, para terminais de grãos no Porto de Paranaguá (PR), mas suas propostas não foram as vencedoras.

Na área de gás e energia, a forte presença da Cosan via Compass é outro fator que deve ter atraído a gestora, que já indicou interesse nesse mercado.

Embora seja uma operação distinta à da Compass, a Perfin anunciou no início deste ano um investimento de até R$ 450 milhões na Virtu GNL, tendo como contrapartida 50% de participação na empresa especializada em logística de gás natural liquefeito (GNL).

Uma vez dentro da Cosan, a gestora terá de aguardar uma resolução entre Ometto e Shell a respeito da Raízen, joint venture entre as duas empresas. A distribuidora de combustíveis também busca um novo sócio, como parte dos esforços para reduzir seu elevado endividamento e tem vendido ativos, incluindo parte das suas usinas de etanol.

As conversas, neste caso, não envolvem apenas os futuros sócios da Cosan. E os recursos aportados na capitalização da holding não serão usados na reestruturação da Raízen.

Procurada, a Perfin não comentou o assunto.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/09/25/futura-socia-da-cosan-perfin-mantem-interesse-em-disputar-novas-concessoes.ghtml

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