33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
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Mais uma edição de sucesso

Ao todo, foram três dias de evento no Distrito Anhembi, na cidade de São Paulo. A NT Expo – Negócios nos Trilhos se consolidou, em sua 23ª edição, como o principal ponto de encontro da América Latina. Foram rodadas de negócios, conteúdos estratégicos, apresentações de novas máquinas para reforçar o setor ferroviário brasileiro e, principalmente, muito networking.

É claro que a Revista Ferroviária não ficaria fora. Um estande foi montado para receber assinantes, amigos, empresários e mostrar o posicionamento do veículo mais antigo do modal. São mais de 80 anos ajudando a escrever a história dos trilhos, valorizando cada conquista e enfrentando cada dificuldade.

O diretor da RF, Claudinei Carvalho, acredita na resiliência do setor. “A Revista Ferroviária sempre esteve presente, lutando por este setor que, com altos e baixos, segue firme e disposto a retomar seu protagonismo. Não deixaríamos de estar com um estande na NT, afinal, é uma grande oportunidade de troca e desenvolvimento”, contou.

O evento reuniu líderes, especialistas, representantes de operadoras, fabricantes e gestores públicos para debater o futuro da ferrovia no país. “A NT Expo é, acima de tudo, um espaço de convergência — de ideias, tecnologias e pessoas que compartilham a visão de um futuro mais eficiente, sustentável e inovador para o setor ferroviário”, afirmou Hermano Pinto Jr., diretor do Núcleo Tecnologia e Infraestrutura para a América do Sul da Informa Markets Latam.

Para ele, a programação técnica da NT é para ser debatida e admirada. “O Congresso NT Expo é hoje um fórum essencial de debate e atualização do setor, reunindo 60 especialistas em 18 painéis que abordaram desde concessões ferroviárias até transição energética, passando por cibersegurança e inteligência artificial aplicada aos trilhos”.

Em sua participação na cerimônia de abertura, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, se posicionou em defesa da intermodalidade, pois acredita que os modais não concorrem entre si, eles se complementam.

Também fez questão de destacar a iniciativa da Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) na recuperação de trechos ociosos ou inoperantes da malha ferroviária, permitida pela implementação de “shortlines” que representam uma oportunidade para nichos específicos.

O presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto, falou sobre o aquecimento do setor. “Foram R$ 14 bilhões investidos no setor ferroviário no ano passado e a expectativa é de R$ 54 bilhões nos próximos três anos. O modal já representa 20% da matriz de carga, com grande competitividade, baixo índice de acidentes e menor impacto ambiental”. Para Barreto, as ferrovias nacionais são referência, mas ainda é necessário apoio regulatório e novos investimentos.

Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), pontuou marcos da história do setor. “São 200 anos da primeira ferrovia no mundo e 171 anos no Brasil. A ferrovia é estratégica e sustentável. A indústria nacional está cada vez mais envolvida com a transição energética e tecnologias como trens movidos a hidrogênio e locomotivas híbridas”.

Representando a ANPTrilhos, o presidente do Conselho Administrativo, Joubert Flores, falou sobre a necessidade de ampliação da participação do transporte de passageiros: “são mais de três mil quilômetros que ainda precisam ser implantados”.

Renato Meirelles, vice-presidente do Simefre, ressaltou o papel estruturante da ferrovia na logística nacional e apontou desafios centrais para que o setor possa avançar. “Precisamos preparar profissionais qualificados para projetar, fabricar, operar e manter as novas linhas e tecnologias que estão chegando ao país. E, ao mesmo tempo, garantir segurança jurídica, estabilidade regulatória e um arcabouço econômico sólido para atrair capital às novas licitações, tanto de transporte de cargas quanto de passageiros”, disse.

Concluindo a cerimônia de abertura, o vice-presidente da International Heavy Haul Association (IHHA), Antonio Merheb, defendeu um plano nacional de longo prazo para o setor e acredita que o Brasil está no caminho certo, crescendo com eficiência e segurança. “Precisamos interligar zonas de produção aos portos. Não se trata de competição entre modais, mas de integração”, contou.

Público pode interagir, além de ficar por dentro das novidades do mercado

A NT Expo, reconhecida como um dos principais encontros do setor metroferroviário da América Latina, acontece em um momento de efervescência para a indústria, marcado por novos investimentos, avanços regulatórios e uma crescente valorização do transporte sobre trilhos como alternativa eficiente, sustentável e competitiva no Brasil.

Inovações – As empresas não mediram esforços para apresentarem seus produtos ao público. A Marcopolo Rail apresentou aos visitantes o mockup de um trem. “Buscamos criar soluções que impactem de forma positiva o cotidiano. Além de atender às necessidades de locomoção, nossos projetos visam proporcionar atributos como conforto, segurança e entretenimento, contando com uma engenharia e equipes multidisciplinares atentas às tendências de mercado e principais normas internacionais. O transporte de alta capacidade sobre trilhos é essencial para garantir uma mobilidade integrada, sustentável e eficiente”, afirma Petras Amaral Santos, gerente executivo da companhia.

No estande da Wabtec, que foi dividido em dois ambientes temáticos, a empresa reforçou seu compromisso com tecnologias de menor impacto ambiental. “Queremos mostrar como nossas soluções podem contribuir para os compromissos de sustentabilidade dos nossos clientes e da sociedade”, destacou Maria Izabela Almeida, líder de comunicação da empresa.

150 marcas apresentaram as novidades do modal

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) trouxe dois simuladores reais usados para treinar os maquinistas, que operam cinco linhas e transportam mais de 1,7 milhão de passageiros todos os dias. “Ações como essa ajudam o público a entender um pouco sobre como se dá uma operação complexa como a nossa, de transporte metropolitano de passageiros, na qual a CPTM é referência. E a aproximação com outras empresas é fundamental, pois elas oferecem serviços que muitas vezes complementam os nossos”, disse o diretor de planejamento e novos negócios da empresa, José Marcos Miziara Filho.

A Companhia Brasileira de Ferro e Aço (CBFA) apresentou uma conquista que reforça seu compromisso com a mobilidade ferroviária: a certificação internacional AAR-M1003, da Association of American Railroads (AAR), dos Estados Unidos. A empresa é a primeira do Hemisfério Sul a obter essa certificação na categoria de manutenção de rodeiros ferroviários e, agora, faz parte de um seleto grupo de companhias em âmbito mundial aptas a fornecer diretamente para o mercado norte-americano.

Mais de cinco mil profissionais compareceram ao evento

Para o presidente da companhia, Dennis Ramos, além de reforçar a confiança do mercado nacional, o reconhecimento internacional impulsiona a empresa a novas parcerias estratégicas e amplia sua presença no cenário global. “A certificação AAR-M1003 coroa uma história construída com dedicação, foco na excelência e responsabilidade técnica. A certificação é também um passaporte estratégico para novos mercados e parcerias internacionais, ampliando nossa presença no cenário global e reforçando a confiança dos clientes em todo o continente”, afirmou.

Marcopolo Rail apresentou um mockup de trem

Congresso – Um dos temas debatido foi o impacto econômico da expansão ferroviária. Representantes dos setores público e privado defenderam a aceleração dos investimentos do modal como estratégia fundamental para melhorar a competitividade nacional, reduzir o custo logístico e promover o desenvolvimento sustentável.

O secretário nacional de transporte ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Cezar Ribeiro, apontou que o crescimento da malha está diretamente ligado ao aumento dos investimentos. “Injetar recursos que movimentam a indústria ferroviária é investir num país com menor custo logístico”, afirmou.

CRRC apresentou grande portfólio

A vice-presidente da Rumo Logística, Natalia Marcassa, destacou os esforços da companhia em busca da escassez de mão de obra qualificada. “Estamos desenvolvendo, em parceria com o Senai, um programa de capacitação voltado para a construção da nova ferrovia estadual no Mato Grosso”, explicou.

Natalia também ressaltou que a Rumo deve investir entre R$ 5,8 a R$ 6 bilhões em 2025, mas que ainda há muitas oportunidades travadas pelo alto custo da taxa de juros. Em seu discurso, defendeu iniciativas de transição energética para priorizar o modal ferroviário como meio eficiente de descarbonização da matriz de transportes.

Lado externo – Como novidade, pela primeira vez o evento criou um pátio de exposição externo. Grandes veículos e maquinários do setor ferroviário foram expostos lá, encantando todos os visitantes. Transformaram o espaço em uma imponente vitrine ao ar livre. Lá puderam ser conferidas soluções de alta tecnologia voltadas à operação, manutenção e sustentabilidade.

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