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Ometto e Esteves se unem em capitalização da Cosan

Valor Econômico – O Grupo Cosan informou, na noite de domingo, que a holding do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, fundador do conglomerado, vai receber uma injeção de capital R$ 4,5 bilhões dos sócios do BTG Pactual, de André Esteves, e outros R$ 2 bilhões da Perfin, de infraestrutura. Ometto, por meio de sua “familly office” Aguassanta, vai colocar mais R$ 750 milhões, totalizando uma o injeção de R$ 7,25 bilhões.

Esse aumento de capital, por meio de um “follow-on”, com emissão primária de ações, ainda contará com duas operações “hot issue” (adicionais). A primeira é de até R$ 1,8 bilhão, com um “lockup” (prazo de saída estabelecido) de dois anos, dentro de um total R$ 2,75 bilhões.

A segunda emissão será realizada para completar os R$ 10 bilhões, caso os R$ 1,8 bilhão não sejam totalmente aportados, disse uma fonte da companhia.

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Com a injeção de 10 bilhões na holding da Cosan, o empresário Rubens Ometto será amplamente diluído – dos 36,2% atuais, ficará com 22,5% após a capitalização. Os sócios do BTG, reunidos numa partnership, ficarão com 24,6%, maior fatia na holding, e a Perfin, com outros 10,9%.

No entanto, como parte das ações do BTG serão preferenciais, ou seja, não compõem o acordo de acionistas, permitirá que Rubens Ometto fique com 50,01% no novo bloco de controle que será acertado entre os sócios.

Com a maioria, Ometto garantirá indicação de cinco conselheiros, incluindo a manutenção como chairman e um independente. BTG e Perfin indicarão quatro cadeiras, sendo um conselheiro independente.

“Quem tem sócio, tem patrão”, afirmou Ometto ao Valor. O empresário vai ter de dividir as principais decisões com os novos acionistas do grupo fundado por ele. Ometto falou que estava costurando esse acordo nos últimos meses para que os recursos novos fossem integralmente usados para redução de dívida, hoje em cerca de R$ 17 bilhões.

O volume total de ações que entra com a oferta anunciada pela Cosan vai mais que dobrar o total no mercado, considerando que hoje há quase 1,87 bilhão de ONs, e a empresa anunciou a emissão de 2 bilhões a R$ 5, abaixo do preço de tela. Com o anúncio divulgado ontem, investidores passaram a ligar para os bancos e assessores para entender porque o grupo não teria discutido uma reestruturação da dívida.

O Valor apurou que, pelo acordo entre Ometto e o BTG, o banco pode ter o controle de fato da empresa no intervalo de 4 a 6 anos.

O empresário Rubens Ometto reforçou que essa operação não está ligada à Raízen, que mantém os projetos de desinvestimentos.

Além do BTG e Perfin, o empresário David Feffer, dono da Suzano, também estava entre os interessados em participar dessa capitalização na Cosan, conforme o Pipeline apurou, mas o martelo foi batido com BTG e Perfin.

A família Feffer acabou saindo da conversa por falta de acordo de governança. Esteves, que já era o mais animado com o negócio, acabou tomando fatia ainda maior – e, por isso, o BTG vai ter posição maior que Ometto ao final do processo de capitalização.

Os negócios de Ometto começaram a dar sinais de alerta desde que o empresário decidiu se tornar acionista da mineradora Vale. O aporte bilionário para uma fatia de quase 5% na Vale dava ao empresário poder de voto na gigante do minério. A operação drenou totalmente o caixa do grupo e ele teve de voltar atrás e sair da Vale. Ficou um gosto amargo.

Ometto queria ter influência política na Vale e acabou comprando, junto com outros acionistas, uma briga com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

O empresário vendeu sua posição na Vale e começou a se desfazer de negócios não estratégicos na Raízen, companhia que é distribuidora de combustíveis em parceria com a Shell e também o maior grupo produtor de açúcar e etanol, e tem dívidas de cerca de R$ 50 bilhões.

Há uma pretensão de vender mais de R$ 15 bilhões em ativos, incluindo usinas, refinaria da Argentina, e outros negócios não estratégicos. Nas últimas semanas, o grupo se desfez da participação que tinha com o grupo Femsa na rede de varejo Oxxo.

O grupo também deverá receber até o início de outubro as propostas vinculantes para a compra de uma fatia da Raízen. Tradings japonesas, como Mitsubishi e Mitsui, estariam entre as interessadas. Mitsui já tem parceria com a Cosan em outros investimentos.

A venda deverá ser feita para um grupo estratégico estrangeiro, segundo essa pessoa, que falou sob sigilo. Os potenciais interessados que demonstram intenção de compra buscam ter participação no mercado global de etanol.

Ainda não está definida a fatia que será vendida. “Depende do tamanho do cheque”, disse uma outra fonte. Até o momento, o grupo já se desfez de usinas emblemáticas para o setor sucroenergético e outras deverão ser vendidas nos próximos meses.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/09/22/ometto-e-esteves-se-unem-em-capitalizacao-da-cosan.ghtml

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