Folha de S. Paulo – Trilhos que no passado foram importantes para o desenvolvimento econômico da região de Campinas estão passando por um processo de modernização na rota turística entre a mais populosa cidade do interior de São Paulo e Jaguariúna.
A linha férrea entre os municípios paulistas foi operada para o transporte de cargas e passageiros a partir de 1872 pela Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, uma das empresas que em 1971 deixaram de existir para a criação da Fepasa (Ferrovia Paulista S.A.).
Sob gestão da ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) desde o início dos anos 80, os trilhos estão sendo novamente modernizados, agora com a troca dos dormentes antigos, de madeira, por peças de concreto entre Campinas e Jaguariúna.
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Foram entregues nesta semana 4,5 quilômetros de novos dormentes, o que faz com 70% do trecho total, de 25 quilômetros, já esteja com dormentes de concreto.
De acordo com a associação, a equipe de manutenção de vias está agora conectando os pontos e removendo o que ainda resta de dormentes de madeira. Em seguida, as vias receberão equipamentos que farão correção geométrica e nivelamento, para deixá-las sem balanços e mais segura.
A troca de dormentes não é uma tarefa simples. A própria ABPF, em sua regional Sul de Minas, trabalha na reconstrução de uma ferrovia entre Cruzeiro (SP) e o Túnel da Mantiqueira, em Passa Quatro (MG), na divisa entre os dois estados. Para reconstruir os 18 quilômetros de ferrovia que faltam, serão necessários 28.500 dormentes —além da remoção de barreiras, recomposição de aterros e instalação de 114 mil pregos.
Na iniciativa privada, linhas férreas que foram colocadas em funcionamento na segunda metade do século 19 estão passando por renovação pela primeira vez em municípios do Rio de Janeiro.
A renovação faz parte de um programa da MRS Logística, concessionária que administra 1.643 quilômetros de trilhos no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em São Paulo.
Iniciado em 2022, o projeto GIV (Grandes Intervenções de Via) chegou no final de julho a 100 quilômetros de linhas renovadas, na região de Volta Redonda, Barra do Piraí, Barra Mansa e Quatis, no Rio.
Para atingir essa quilometragem de linhas férreas, foram necessários mais de 165 mil dormentes, em sua maioria de concreto (120 mil), mas também de aço (30 mil) e de madeira (15 mil), com uma equipe de 120 pessoas.
No caso da Mogiana, a reforma tem também um outro significado: no próximo ano, a estação Anhumas, em Campinas, de onde parte aos finais de semana e feriados o trem rumo a Jaguariúna, completará cem anos de sua inauguração.
Aberta em 12 de outubro de 1926, ela foi construída perto de onde havia uma outra estação, de mesmo nome, e que foi demolida.
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