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Competitividade na ferrovia

Quase toda uma carreira dedicada ao setor público. No dia da entrevista, ele estava em Brasília e, mesmo com uma agenda bastante conturbada, atendeu a equipe da Revista Ferroviária com muita simpatia e entusiasmo.

Davi Barreto, diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), tem um currículo e tanto. Engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e mestre em Regulação pela Universidade de Brasília, já exerceu o cargo de auditor federal de controle externo do Tribunal de Contas da União (TCU), atuando em temas como a regulação de infraestrutura, concessões, gestão fiscal, planejamento e orçamento governamental.

Entre 2019 e 2023, ocupou o cargo de diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), na qual deixou seu legado de liderança nas inovações regulatórias.

Defende o Estado com um papel estratégico com investimentos, planejamento de longo prazo e expansão de toda malha ferroviária. Quando fala sobre a matriz de transporte, reforça a importância de mais independência perante o modal rodoviário. As ferrovias são o caminho mais rápido, seguro e econômico para que o país possa avançar.

Acredita que a competitividade é a chave para transformar a ferrovia em um modelo de negócio atrativo para os investidores e defende a bandeira da sustentabilidade. Para ele, apenas as estradas de ferro são capazes de contribuir de forma ampla no combate às mudanças climáticas.

Na entrevista, ainda falou sobre a presença da China no Brasil, que vai ganhando cada vez mais espaço. Para ele, ferrovias demandam planejamento de anos e a China acaba levando vantagem quando o assunto é agilidade.

Menciona a importância dos investimentos do setor público, já que grandes ferrovias não se viabilizam apenas com recursos privados. Se existir uma casa organizada, com planejamento e segurança, os investidores chegam porque eles buscam previsibilidade. Não vão apostar em uma carteira que não tem o mínimo de organização. É preciso continuidade para que grandes aportes cheguem ao País.

Com brilho nos olhos, o executivo não desviou de nenhuma pergunta durante todo o bate-papo. Mesmo não sendo de discussão de sua Associação, externou sua opinião e posicionamento com segurança, deixando claro a todo momento sua paixão pelo setor ferroviário.

No ano de 2024 foram quase R$14 bilhões em investimentos, um ano de recorde histórico.

Davi Barreto – Diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF)

RF – Você foi um dos nomes que fez questão de reforçar o quanto o setor ferroviário estava crescendo em 2024. Disse que foi um dos anos que a área mais recebeu investimentos. Diante disso, Davi, como você enxerga o atual cenário?
DB – Em 2023 já vimos muitos investimentos, foram quase R$10 bilhões. No ano de 2024 isso ainda aumentou, somando quase R$14 bilhões em investimentos, um ano de recorde histórico. Desde que se há registros de investimentos ferroviários, nunca se investiu tanto, nunca o setor privado investiu tanto no País. Para este ano de 2025, o que foi projetado chega em quase R$20 bilhões. É difícil a gente fechar agora porque as empresas têm as suas compliances e não divulgam os números até fechamento do ano, mas pelo ritmo que a gente vê das obras, a expectativa é que isso aconteça sim. Então, hoje, nós temos o que não tínhamos há muito tempo: três empreendimentos greenfield em plena construção. A Fico, em construção pela Vale, que terá três mil trabalhadores mobilizados; a Transnordestina, com este mesmo número de trabalhadores, da mesma ordem de grandeza; e a Ferrovia do Mato Grosso, também em alto nível de execução. Então, você tem três projetos diferentes tocados pelo setor privado em ferrovias greenfield, fora uma série de outros investimentos acontecendo.

RF – E qual você destacaria agora?
DB – Na Baixada Santista, muito dinheiro sendo colocado pela MRS, pela FIPS, no aumento de capacidade e melhorias da chegada na baixada, que sempre foi um dos principais gargalos do setor ferroviário, esse acesso ao Porto de Santos. Investimentos vultuosos, a Vale, além da Fico, com um pipeline de investimentos muito grande na Vitória a Minas e Carajás principalmente, em grandes obras de conflito urbano. Muita aquisição de material rodante. Enfim, eu acho que a perspectiva que o setor tem para os próximos anos é de muito investimento. E se, de fato, se confirma a prorrogação antecipada da FCA, da FTC, repactuações da FTL, é muito provável que, nos próximos anos, certamente, o maior ciclo de investimentos ferroviários que se tenha registro na história.

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