Valor Econômico – As capitais do Nordeste têm planejado investimentos em transporte urbano. Parte se concentra em corredores de ônibus, os chamados BRTs. Aquelas que têm metrô querem expandir linhas, e sistemas de VLT, ou metrô de superfície, também estão nos planos.
Salvador e Fortaleza irão ampliar a malha metroviária. O governo baiano estima que a ampliação da linha 1 do metrô de Salvador custe R$ 1,5 bilhão. Ainda não há prazo para a conclusão do projeto, que será executado pelo Consórcio Expresso 2 de Julho.
Já a linha Leste do metrô de Fortaleza deverá ganhar mais 7,3 km até 2028. O contrato da obra, assinado em 2013, passou por reequilíbrio. “É uma obra muito complexa”, justifica o secretário de Infraestrutura do Ceará, Hélio Winston Leitão. “O maior desafio também foi resgatar na população a credibilidade dessa obra.”
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A via tem previsão de R$ 2,6 bilhões em investimentos e deverá transportar 150 mil passageiros por dia. A expectativa é que a nova linha, somada a duas obras de VLTs – um deles, ligando o aeroporto à estação Arena Castelão, a ser entregue em dois anos ao custo de R$ 180 milhões -, quase duplique a capacidade diária de transporte na capital, para 380 mil passageiros.
Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Ministério das Cidades estima que as oito regiões metropolitanas do Nordeste (não inclui Aracaju) precisarão mais que triplicar as linhas de transporte público até 2054 para dar conta da demanda para as próximas três décadas. Seriam necessários R$ 70,2 bilhões em investimentos.
Para Oswaldo Neto, professor de engenharia civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a opção pelo metrô deve ser feita com cautela, especialmente quando o BRT atende a demanda local. “Se você põe um metrô, que pode chegar a atender 65 mil passageiros por hora, num local onde só tem 8 mil, você está perdendo dinheiro”, afirma.
É esse o público – 8 mil passageiros por dia – do metrô de superfície de Teresina. O governo do Piauí espera quintuplicar o uso após a gratuidade da passagem e com a chegada de novos VLTs, em um investimento de R$ 531,5 milhões que incluem ainda melhorias nas estações ferroviárias.
Para o professor da UFFPE, a prioridade para a região é a ampliação de corredores exclusivos de ônibus e ]veículos elétricos, algo que vem sendo buscado por algumas prefeituras. João Pessoa e o governo da Paraíba trabalham na licitação de um sistema que prevê dois corredores e três terminais de integração, com investimento, que deve contemplar outras melhorias, da ordem de R$ 400 milhões.
Em Maceió, um pacote prevê a criação de 28 km de BRTs, três novos terminais de integração e a ampliação do Terminal Benedito Bentes, o maior da cidade. A cidade deverá ganhar 18 km de faixas exclusivas para ônibus e a troca da frota por veículos modernos, o que deve aumentar em 10% a demanda mensal de passageiros. As obras têm conclusão prevista para 2028.
Aracaju conseguiu R$ 36 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para renovar a frota de ônibus. São Luís recebeu autorização federal para financiamento de R$ 269,7 milhões a fim de modernizar e integrar o sistema de transporte público. Natal foi autorizada a financiar R$ 33,5 milhões em mobilidade.
Já o metrô da região metropolitana do Recife, com concessão prevista para 2026, vive um cenário de superlotação e atrasos, agravado pela greve de funcionários na semana passada contra a privatização, autorizada pelo governo federal em maio. O serviço é operado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), estatal vinculada ao Ministério das Cidades.
A concessão tem estimativa de investimentos de R$ 3,4 bilhões, segundo o BNDES. Estão previstas melhorias e maior eficiência operacional. Em paralelo, o governo de Pernambuco pediu ao governo federal antecipação de investimentos de R$ 1 bilhão para a compra de novos trens.
O governo estadual afirma que procurou, desde 2023, o governo federal para tratar de investimentos e que chegou a solicitar recursos do Novo PAC/Seleções, acrescentando que discute com a União um acordo de cooperação técnica para melhorar a prestação do serviço. O Ministério das Cidades informou, por sua vez, que a seleção do PAC Mobilidade priorizou projetos considerados mais maduros.
“Recife está muito deficiente em termos de manutenção do seu sistema de metrô. Tem uma grave crise lá”, resume Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes.
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