Estadão – A Prologis não seu deu por vencida. A multinacional norte-americana, uma das maiores do mundo em logística, ainda acredita na possibilidade de chegar a um acordo com o Governo do Estado de São Paulo sobre o uso do terreno gigantesco de São Bernardo do Campo (SP), onde funcionava a fábrica da Ford.
A Prologis comprou o terreno de 1 milhão m² (125 campos de futebol) por R$ 850 milhões em 2024 com o intuito de construir no local um complexo de galpões logísticos e data centers com investimentos totais de R$ 33 bilhões em uma década. As obras estavam prestes a começar nesta virada de ano.
No entanto, a companhia foi surpreendida, no fim de outubro, pela declaração de utilidade pública (DUP) da área. O governo decidiu reservar um pedaço de 224 mil m² do terreno (24% do total) para o pátio de trens da futura Linha 20 do Metrô – o que inviabilizou o complexo logístico, segundo a Prologis.
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Executivo avalia que há espaço para diálogo
“Acreditamos que ainda teremos condição de dialogar com o Metrô e com o Governo do Estado para buscar uma solução”, afirmou o líder da Prologis no Brasil, Hermano Souza, em entrevista à Coluna. “Queremos oferecer uma área que possa viabilizar o que há de projetos previstos”, acrescentou.
Souza explicou que a desapropriação inviabilizará o projeto por representar cerca de 40% quando considerada a área útil do terreno, descontando os espaços verdes e declives, onde a construção é proibida ou limitada. Com isso, sobraria cerca de 400 mil m² para as edificações imobiliárias. “Isso muda completamente a forma de aproveitamento do terreno. Os espaços ficam fragmentados, e nós não conseguimos mais fazer galpões integrados em grande escala”, ponderou.
Uma solução, segundo o executivo, seria mudar a posição das instalações do Metrô para acomodar tanto o pátio dos trens quanto os galpões e data centers. As partes fizeram reuniões técnicas nas últimas semanas, mas sem um consenso. “Entendemos que o Metrô é superimportante, mas ainda acho que há caminho para uma solução melhor do que essa. Por que não fazer um centro de logística, tecnologia e mobilidade?”, propôs. Questionado se está disposto a brigar na Justiça, Souza insistiu no diálogo. “Não queremos criar animosidade, nem embate”.
Em nota, o Metrô informou que estudou exaustivamente todas as alternativas técnicas para implantação do pátio, mas a área escolhida foi a mais viável para o projeto ferroviário. “O terreno mostrou-se o mais viável por atender a requisitos fundamentais para a logística da linha, em razão de sua proximidade do traçado, que vai possibilitar a redução de construção de estacionamentos intermediários de trens e servir como ponto estratégico para a partida de duas tuneladoras (tatuzões)”, explicou.
Empresa tem outros projetos em andamento
Enquanto não chega a um acordo com o setor público, a Prologis vai dar andamento aos seus outros projetos. A companhia está construindo um parque logístico em Cotia (SP), próximo à Rodovia Raposo Tavares. O empreendimento terá 200 mil m² e ficará pronto no fim de 2026, tendo sido já inteiramente pré-alugado (o inquilino não foi revelado). Isso mostra o quanto o setor está aquecido, segundo Souza.
Ao todo, a Prologis tem 46 galpões nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio, totalizando 1,8 milhão m². A empresa dobrou de tamanho desde 2019 e vê espaço para seguir crescendo. Atualmente, 95% dos imóveis estão ocupados. Pela frente, tem mais dois projetos em fase de aprovação, com início das obras previsto para curto a médio prazos. Um deles fica em Cajamar (SP) e terá 200 mil m², e o outro no Rio de Janeiro, capital, com mais 100 mil m².
O líder da companhia no Brasil diz que o setor continua sendo impulsionado pela demanda das empresas de comércio eletrônico por novos centros de armazenamento e distribuição de mercadorias. O varejo físico – supermercados, farmácias, materiais de construção e pequenas indústrias – também está contribuindo com uma parte relevante da demanda. “O consumo de modo geral está indo bem, independentemente do online”, apontou.
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