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Rumo retira trilhos da ferrovia e leva para SC

A Hora (RS) – Partes da malha ferroviária gaúcha estão sendo removidas pela concessionária Rumo Logística e levadas para Santa Catarina. O material inclui trilhos, fixadores e componentes de linhas férreas do eixo principal da Malha Sul.

Observado por moradores locais e pelo grupo “Aventureiros do TPS (Tronco Principal Sul)” o desmonte ocorre a partir da estação de Santa Tereza, passando por Alcântara, Jabuticaba, Coronel Salgado, Feitor Faé, São João e Silva Vargas. Entre cada um dos pontos, são cerca de 22 quilômetros.

Pelo informado pela Rumo Logística, a ação faz parte de um processo de remanejamento para pontos da malha sul que seguem em operação. A empresa sustenta que as ações seguem as normas e estão dentro das autorizações da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável por fiscalizar o contrato.

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Nas três décadas de concessão, não houve investimento para modernização dos ramais. Com trilhos antigos e sem manutenção, locomotivas ultrapassadas e mais lentas tornaram a opção pelo modal pouco atrativa.

Junto com isso, a Rumo também passou a ofertar poucas linhas. Sem periodicidade e prazos de entrega sem previsão, a malha gaúcha se tornou a mais ociosa do país.

Segundo a ANTT, a solução das ferrovias gaúchas, como de toda a malha Sul, depende de definição de política pública a cargo do Ministério dos Transportes, após encerramento do grupo de trabalho criado para discussão do futuro da concessão. Nesse intervalo, a concessionária tem informado algumas necessidades de transferência de materiais dentro da própria malha para otimizar trechos que continuam com transporte, com a promessa de reposição.

Preocupação regional

O trecho desativado não faz parte da Ferrovia do Trigo, usada para o projeto Trem dos Vales. Mesmo assim, o trabalho da Rumo gera preocupação entre líderes regionais. Para o presidente da Associação dos Municípios de Turismo da Região dos Vales (Amturvales), Rafael Fontana, é preciso respostas.

“Ainda que não seja o trecho turístico, precisamos saber o motivo dessa retirada. A ferrovia é patrimônio público, pertence à União e sob responsabilidade do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).”

De acordo com ele, desde a grande inundação de maio de 2024, o governo federal não apresentou qualquer plano para recuperação da ferrovia gaúcha. “Foi feito um grupo de trabalho entre a Secretaria Nacional das Ferrovias e a concessionária, sem nenhum resultado”, critica.

O relatório deveria ter sido entregue entre fevereiro e março deste ano. Desde então, o prazo já foi prorrogado três vezes (primeiro para junho, depois para julho e depois para o fim de setembro).

O grupo de trabalho tem a participação do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, de Leonardo Ribeiro, integrante da Secretaria Nacional de Ferrovias. Também estão o diretor-geral da ANTT, Rafael Vitale, o diretor-geral do DNIT, Fabrício Galvão, e o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos.

A missão é estabelecer um documento sobre as condições da ferrovia, onde são possíveis manutenções, quais trechos precisam ser desviados ou reconstruídos.

Também estabelecerá a origem dos investimentos, quanto sairá do setor público e quais são de responsabilidade da concessionária.

Proposta rechaçada

O governo federal entregou um pré-estudo, com a proposta de fatiar a Malha Sul em três novos corredores logísticos, com novos leilões previstos para o ano que vem. Os projetos são conduzidos pela Infra S.A., estatal de planejamento do setor de transportes.

As divisões propostas incluem: Corredor Paraná, entre Paranaguá (PR) e São Francisco do Sul (SC); Corredor Gaúcho, ligando o norte e oeste do RS ao porto de Rio Grande; Corredor São Paulo–Uruguaiana, para integração com o centro-oeste do país.

Esse modelo foi criticado pelas equipes dos governos dos três estados da Região Sul do país. Conforme o secretário estadual adjunto dos Transportes, Clóvis Magalhães, não foi aceito o fatiamento da malha. “O que os quatro estados do Sul defendem é a integralidade do sistema. A lógica de segmentar só fragiliza ainda mais. Precisamos de uma nova ferrovia, não de mais sucateamento”, critica.

Ao todo, o RS tem mais de 3,6 mil quilômetros de ferrovias. Ao longo das últimas três décadas, houve um processo de degradação e apenas 921 km estavam ativos. “O declínio do transporte ferroviário não começou com a tragédia climática. Veio pela falta de investimentos das concessionárias, primeiro com a antiga ALL e, depois, com a Rumo. Nossa capacidade logística caiu ano após ano.”

O que diz a Rumo

A concessionária informa que realiza, de forma contínua, ações de manutenção em diferentes trechos da ferrovia e que a realocação de trilhos e outros materiais faz parte de um processo de remanejamento para pontos da malha sul que seguem em operação. Essa movimentação é feita dentro das normas do setor, com autorização do poder concedente, e prevê obrigações de recomposição ou indenização, quando aplicáveis. A iniciativa tem como objetivo preservar a integridade da malha e garantir a segurança das operações.

A empresa ressalta ainda que permanece em diálogo com o Governo Federal sobre a situação da infraestrutura ferroviária no Rio Grande do Sul, fortemente impactada pelas enchentes de 2024, e segue atuando dentro de todas as autorizações legais e regulatórias emitidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O que diz a lei:

  • Conforme a Resolução ANTT nº 5.945 de 1º de junho de 2021, qualquer desativação definitiva de trecho ferroviário requer:
  • Requerimento formal da concessionária à ANTT
  • Comunicação aos usuários e municípios afetados
  • Análise técnica pela ANTT
  • Decisão mediante Deliberação da Diretoria Colegiada da ANTT
  • Desvinculação de bens certificada por Portaria da Superintendência competente

Fonte: https://grupoahora.net.br/conteudos/2025/11/08/rumo-retira-trilhos-da-ferrovia-e-leva-para-sc/

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