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Portuguesa Mota-Engil negocia compra da Bamin

Valor Econômico – A Mota-Engil, empresa portuguesa que tem como uma das principais sócias a China Communications Construction Company (CCCC), está negociando a aquisição da Bamin, segundo fontes. A empresa detém a concessão de um trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) na Bahia, além de uma operação de mineração no Estado, e planos de construir um porto em Ilhéus.

Uma pessoa a par do tema afirma que a operação estaria avançada junto à controladora da companhia, a Eurasian Resources Group (ERG), sediada no Cazaquistão. Procuradas, as companhias não comentaram.

Ainda segundo fontes, a Bamin chegou a ter memorandos de entendimentos com outras três companhias. Conforme o Valor já informou, a Vale chegou a analisar a compra do ativo, sob pressão do governo, em parceria com a BNDESPar (braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Cedro Participações. A Brazil Iron chegou a apresentar uma proposta à ERG pela Bamin.

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Além delas, a Rumo, da Cosan, teve um memorando firmado para estudar o projeto, porém a ideia não foi adiante e não há interesse da empresa, disseram pessoas a par do tema.

A Bamin conquistou a concessão do trecho 1 da Fiol em abril de 2021 – a empresa foi a única interessada no leilão do governo federal. Porém, as obras do empreendimento, que conectaria Caetité (BA) a Ilhéus (BA), não saíram do papel até o momento.

A venda da Bamin deverá incluir também uma repactuação do contrato junto ao poder público. Fontes dizem que a empresa chegou a tentar uma renegociação com o governo, mas só haverá disposição em caso de troca de controle.

Todo o projeto da Bamin – ferrovia, porto e a Mina Pedra de Ferro, em Caetité (BA) – deverá demandar mais de R$ 30 bilhões de investimentos, avaliam fontes.

Nos últimos meses, representantes da Bamin têm dado declarações atribuindo os descumprimentos contratuais aos efeitos econômicos da guerra da Ucrânia sobre a ERG. Porém, desde a licitação do ativo há dúvidas no mercado sobre a viabilidade do empreendimento e a capacidade do grupo de financiar o projeto. Na ocasião do leilão, em 2021, havia expectativa de que a empresa se juntasse a parceiros chineses – inclusive a CCCC, sócia da Mota-Engil -, o que não se concretizou.

A Mota-Engil tem analisado uma série de investimentos no Brasil. O grupo conquistou, neste ano, a Parceria Público-Privada (PPP) do túnel Santos-Guarujá, com previsão de R$ 6,8 bilhões em investimentos. A empresa também participou da licitação do Lote 4 de rodovias no Paraná, que demandará R$ 11 bilhões de obras, mas acabou perdendo a disputa.

Para uma pessoa a par do tema, hoje existe uma facilidade maior para o investimento chinês no Brasil, principalmente após a assinatura de um memorando de entendimento entre os governos, neste ano, em que foram listados projetos de infraestrutura considerados estratégicos para os países – entre eles, a Fiol. Isso facilitaria uma tomada de decisão da CCCC desta vez, avalia a fonte.

Ao longo de 2025, o governo federal vem tentando encontrar uma saída para o trecho 1 da Fiol. A resolução do imbróglio é vista como estratégica pelo governo, que também depende disso para destravar toda a continuação do corredor ferroviário. A Fiol tem outros dois trechos: o segundo, entre Caetité (BA) e Barreiras (BA), que já captaria cargas do agronegócio; e o terceiro, até Mara Rosa (GO), onde haveria conexão com a Ferrovia Norte-Sul.

O governo planeja fazer uma concessão com os trechos 2 e 3 da Fiol, juntamente com a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT). No entanto, sem o trecho da Bamin, que faz a conexão de todo o corredor com o litoral, a rota perde o sentido.

Além da ferrovia, o empreendimento da Bamin inclui construir, do zero, um porto em Ilhéus, considerado essencial para viabilizar o escoamento. Trata-se de um empreendimento privado, que tampouco avançou nos últimos anos. Analistas do setor veem a obra como complexa e ambientalmente sensível.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2025/12/17/portuguesa-mota-engil-negocia-compra-da-bamin.ghtml

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