Valor Econômico – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fez contatos informais com concorrentes para sondá-los sobre o potencial interesse em seu negócio de aço, apurou o Valor. Segundo duas fontes, o grupo de Benjamin Steinbruch poderá vender até 100% de sua operação siderúrgica, dentro do plano de revisão estratégica de ativos colocado em curso na segunda metade do ano passado.
Por enquanto, as conversas sobre a venda de uma fatia ou até a totalidade do braço siderúrgico têm sido conduzidas pela própria companhia, que em breve deve mandatar um banco para assessorá-la nesse desinvestimento.
A CSN anunciou neste mês que pretende vender entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões em ativos com o objetivo de reduzir sua alavancagem financeira. Na ocasião, a companhia limitou-se a informar que iria avaliar alternativas e rotas estratégicas, o que poderia passar por alguma parceria, na área de siderurgia.
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A anúncio marca uma mudança de abordagem notória do grupo de Steinbruch, mais conhecido pelo perfil arrojado e tomador de risco – e de alavancagem – e por ser, historicamente, avesso à venda de ativos.
Em 2024, a companhia já havia indicado planos de trazer sócios para alguns de seus negócios, entre os quais energia e mineração, mas não estava no radar a venda de posições acionárias mais relevantes, incluindo o controle.
“Vamos resolver de uma vez por todas a alavancagem da CSN”, disse há cerca de dez dias Steinbruch, presidente do conselho de administração do grupo, durante conferência para detalhar o plano de desinvestimentos. “Não temos empresas ruins, mas estamos vivendo um momento da economia com juros estratosféricos e competição de produtos importados, o que compromete o crescimento e os investimentos”.
Siderurgia ainda é a maior operação do grupo em receitas, responsável por cerca de 45% da receita líquida no terceiro trimestre de 2025, seguida por mineração (37,5%) e cimentos (11,3%). Por outro lado, em termos de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), o negócio de mineração é de longe a maior contribuição, com peso de 58,4% naquele trimestre, contra 12,9% da operação de aço.
Em cimentos, um negócio relativamente recente no portfólio da grupo e que ganhou musculatura mediante uma série de aquisições nos últimos anos, a CSN informou que o plano é vender o controle. O Morgan Stanley está assessorando o grupo nessa frente.
A companhia também disse que pretende vender uma “fatia relevante” de seus ativos de infraestrutura. Segundo uma fonte ouvida pelo Valor, a ideia, neste caso, é se desfazer de 20% a 30% da operação, trazendo um novo sócio para o negócio. Bradesco e Citibank foram mandatos para conduzir a transação.
Tanto em cimentos quanto em infraestrutura, a ambição da companhia é assinar um acordo de venda no terceiro trimestre deste ano. O Valor apurou que a CSN iniciou os primeiros contatos com interessados ainda no ano passado e já tem conversas em andamento. O negócio de cimentos atraiu potenciais compradores brasileiros e estrangeiros e a fatia em infraestrutura está sendo avaliada por grupos internacionais, segundo fonte.
A estratégia do grupo é concentrar seus negócios em mineração e infraestrutura, que têm melhores perspectivas e trarão maior contribuição às margens. No caso da siderurgia, a avaliação, conforme um interlocutor, é que o negócio seguirá pressionado pelas importações, concorrendo por recursos da CSN que poderiam ser direcionados a ativos mais rentáveis.
Do lado do balanço, o plano é reduzir a alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda para cerca de 1 vez e dobrar o Ebitda em até oito anos.
Na semana passada, a S&P cortou a nota de crédito da companhia, para “B+” e com perspectiva negativa (de novo rebaixamento em 12 meses), devido à alavancagem persistentemente elevada.
Para 2026 e 2027, a agência de classificação de risco projeta para a companhia dívida líquida equivalente a mais de 5 vezes o Ebitda anualizado – os indicadores calculados pelas agências de risco podem diferir daqueles publicados pelas companhias por questões de metodologia -, com possibilidade de redução, sem considerar a potencial venda de ativos somente a partir de 2028.
Com os desinvestimentos em cimentos e infraestrutura, o grupo poderia reduzir sua dívida em cerca de um terço até 2027, pelos cálculos da S&P. Em setembro, a alavancagem financeira da CSN estava em 3,14 vezes, em termos ajustados, com dívida líquida de R$ 37,5 bilhões.
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