Valor Econômico – Começo de ano costuma ser o momento em que investidores revisitam estratégias e ajustam carteiras. Para quem busca renda recorrente, uma das principais perguntas é: onde estão os proventos? Um levantamento feito no Painel de Cotações do Valor One, plataforma do Valor que reúne notícias de mercado, dados e ferramentas para avaliar investimentos, apresenta as companhias que são as maiores pagadoras de dividendos do Ibovespa com base no dividend yield (DY), que mede a rentabilidade dos proventos. Esse indicador mostra quanto uma empresa distribuiu em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) em 12 meses em relação ao preço da ação. Os dados são referentes ao fechamento desta quinta-feira (22/01).
Na liderança está a Marcopolo (POMO4), fabricante de carrocerias de ônibus e microônibus e desenvolvedora de soluções de eletromobilidade, com dividend yield de 17,78%. Em segundo lugar vem a PetroReconcavo(RECV3) com DY de 16,49%. Na terceira posição, a Direcional (DIRR3), voltada a empreendimentos em todas as faixas do Minha Casa, Minha Vida, com 16,18%.
Já a Cury (CURY3), outra construtora de empreendimentos residenciais populares e econômicos, apresenta DY de 13,63%, ficando em quarto lugar. Na sequência, a Cemig (CMIG4), grupo que atua na geração, transmissão e distribuição de energia, além de solar e gás natural, aparece na quinta posição, com retorno dos dividendos de 13,37%.
As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.
Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.
Em sexto lugar no Ibovespa está Bradespar (BRAP4), empresa de investimentos e participações, hoje com portfólio concentrado em Vale (VALE3), com dividend yield de 13,04%. Depois, na sétima posição, vem a Itaúsa (ITSA4), holding que é acionista relevante do Itaú Unibanco e investe em empresas como Alpargatas, Dexco, Aegea e Copa Energia, apresentando DY de 12,55%.
Na sequência aparecem a incorporadora Cyrela (CYRE3), com dividend yield de 11,81%, e BB Seguridade (BBSE3), companhia do Banco do Brasil do segmento de seguros, com DY de 11,34%. Fechando a lista das dez maiores pagadoras de proventos dentro do Ibovespa está a Azzas 2154 (AZZA3), grupo de moda dono das marcas de calçados e vestuário Arezzo, Schutz, Reserva, Farm Rio, Animale e Maria Filó, entre outras, com 9,85% de rentabilidade dos dividendos.
Cautela e atenção nas escolhas
Mesmo quando o dividend yield aparece em patamares elevados, é preciso cautela na análise, pois nem sempre esse movimento é um bom sinal ou resultado direto da eficiência da empresa. Especialistas reforçam que o indicador não deve ser analisado de forma isolada.
Em algumas circunstâncias, o indicador sobe não porque a empresa passou a pagar mais, mas porque o preço da ação caiu de forma acentuada por diversos motivos como desafios setoriais e de mercado, questões operacionais ou problemas financeiros e de governança. Isso gera uma alta distorcida do DY, o que pode iludir à primeira vista.
Nos últimos 12 meses, as ações da PetroReconcavo acumularam desvalorização de 24,24% (até o fechamento de 22/01), pressionadas pelo ciclo negativo do petróleo e pela maior sensibilidade das empresas independentes às oscilações da commodity. A queda expressiva no preço elevou o dividend yield, mas esse movimento não necessariamente indica melhora nos fundamentos.
É preciso considerar ainda outros casos específicos no mercado. A Bradespar, por exemplo, costuma negociar com desconto porque é uma holding com participação relevante na Vale, e não a empresa operacional. Esse desconto eleva o dividend yield, já que os proventos recebidos da mineradora são distribuídos sobre uma base de preço menor.
Há também situações em que o percentual é inflado por distribuições extraordinárias, que não necessariamente se repetirão. Por isso, analistas recomendam olhar além dos rankings e considerar aspectos como a estratégia da companhia, a qualidade da governança, a capacidade de geração de caixa, o nível de endividamento, a eficiência operacional e o histórico de resultados. Esses fatores ajudam a indicar se a empresa consegue sustentar lucros e manter um fluxo de distribuição de proventos ao longo do tempo.
Ferramentas oferecidas pelo Valor One ajudam justamente nessas avaliações mais amplas. Além de acompanhar o dividend yield, o investidor tem acesso a indicadores fundamentalistas das empresas e relatórios de analistas certificados, que destrincham o contexto e as estratégias dos negócios, fazem projeções e avaliações de riscos, fatores importantes para diferenciar boas pagadoras de dividendos de episódios pontuais que podem distorcer os números.
VÁ ALÉM DA MANCHETE
O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.
A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.
Seja o primeiro a comentar