Estadão – Uma nova Declaração de Utilidade Pública (DUP) veiculada em dezembro incluiu novos locais voltados a futuras desapropriações para a implementação da Linha 20-Rosa, de metrô, que deve ligar a zona oeste de São Paulo a Santo André, no ABC Paulista. A publicação incluiu algumas das áreas mais valorizadas da capital, como terrenos em pleno centro financeiro da Avenida Brigadeiro Faria Lima.
Dentre as áreas valorizadas listadas nas DUPs do ano passado (incluindo outra em março), estão imóveis em frente ao Complexo B32 (conhecido pelo “Prédio da Baleia”) e nas proximidades do Pátio Victor Malzoni (sede do Google Brasil). Ainda não há data prevista para o início das desapropriações.
Ao todo, a duas DUPs indicam 16,8 mil m² de desapropriações na região da Faria Lima, abrangendo bairros como Vila Olímpia, Vila Nova Conceição e Itaim Bibi, área nobre da zona sul. Esse procedimento é indicado para a implementação de poços de Ventilação e Saída de Emergência (VSE) e duas estações: Tabapuã, perto do Parque do Povo, e Jesuíno Cardoso, no entorno da JK.
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A implementação de uma linha de metrô na região da Faria Lima é uma discussão que se prolonga há anos. O próprio trajeto da Linha 20-Rosa passou por alterações desde os primeiros traçados cogitados, reduzindo de cinco para dois o número de novas estações na avenida.
Recentemente, houve mobilização de associações de bairro pelo deslocamento de maior parte do traçado para a Faria Lima. Uma dessas entidades, a Ame Jardins, chegou a contratar um ex-presidente da companhia, Sergio Avelleda — mas o estudo foi considerado “sem viabilidade técnica” pelo Metrô. Outro ponto é o custo do metro quadrado na região.
O Metrô tem dito que fará poucas mudanças na distribuição da linha e que não deve incluir mais estações na Faria Lima. “O traçado definido no anteprojeto de engenharia será mantido, pois atende aos critérios técnicos e ambientais”, destaca, em nota. Anos atrás, a empresa chegou a cogitar cinco paradas na avenida.
A Linha 20-Rosa deve ligar a Lapa, zona oeste, até Santo André, no ABC, com 32,6 quilômetros de extensão e 24 estações. O traçado passa por bairros conhecidos — como Vila Madalena, Alto de Pinheiros e Saúde — e, também, por São Bernardo do Campo, na região metropolitana.
Em nota, o Metrô indicou que as obras e projetos executivos serão licitados após a conclusão do projeto básico, o que é previsto para o 2º semestre. Também destacou já ter licença ambiental prévia, de 2024, e que as declarações de utilidade pública começaram a ser veiculadas porque “o projeto está mais avançado”.
O desenvolvimento da linha ocorre em um contexto de possíveis transformações naquele entorno, como mudanças na legislação e o recente leilão da Operação Urbana Faria Lima. Além disso, a gestão Ricardo Nunes (MDB) avalia construir um VLT na Faria Lima, como o Estadão revelou.
A Linha 20-Rosa é uma das principais do plano de expansão metroviária de São Paulo. No último ano, também avançaram os estudos da Linha 16-Violeta (Pinheiros até Vila Formosa)—com leilão estimado para o próximo semestre—, e da Linha 22-Marrom (Cotia até Sumaré), dentre outros.
Os processos de desapropriação costumam ser longos, demorando até alguns anos, a depender do andamento da implementação da linha. Os donos dos imóveis serão inicialmente procurados para desapropriação amigável. Em caso de desacordo com a proposta, a desapropriação é feita por via judicial (quando o valor oferecido pode ser revisto, com análise até mesmo de perito).
O Metrô tem destacado que considera o valor de mercado, não o venal, e que o recurso é depositado integralmente em conta bancária. Não há previsão para o início das desapropriações em si.
Embora duas grandes DUPs tenham sido veiculadas no ano passado, novas declarações de utilidade pública ainda estão pendentes. Essas novas publicações podem incluir novos trechos do entorno da Faria Lima, assim como outras áreas da cidade. Veja a seguir as áreas já incluídas:
Quais são as desapropriações previstas para a Estação Tabapuã e entorno?
A área indicada para a estação está no quarteirão formado pela Faria Lima e as ruas Tabapuã, José Gonçalves de Oliveira e Maria Rosa. “A principal funcionalidade da estação é o atendimento à centralidade da Avenida Faria Lima”, descreve o estudo de impacto ambiental encomendado pelo Metrô.
No mapa abaixo, confira os locais desse entorno abrangidos pelas duas DUPs publicadas no Diário Oficial:
Tabapuã
A estimativa é de demanda diária de 46,1 mil passageiros até 2040. Em princípio, a desapropriação deve envolver três lojas, 10 restaurantes e 11 imóveis residenciais (com cerca de 35 moradores), todos de baixa estatura.
Há também desapropriações para poço de ventilação. Esse perímetro inclui a lanchonete do McDonald’s em frente ao Complexo B32, do “Prédio da Baleia”.
Quais são as desapropriações previstas para a Estação Jesuíno Cardoso e entorno?
A previsão é de que a estação seja erguida no trecho da Faria Lima entre as ruas Ministro Jesuíno Cardoso e Coronel Joaquim Ferreira Lobo. A estimativa é de média 36,1 mil passageiros por dia até 2040.
“O entorno da estação apresenta intensa verticalização, com empreendimentos comerciais ao longo da avenida Brigadeiro Faria Lima, e residenciais no interior do bairro”, descreve o estudo de impacto ambiental contratado pelo Metrô.
“Os terrenos a serem desapropriados apresentam residências e comércios de gabarito baixo. A principal funcionalidade da estação é o atendimento à centralidade dessa região”, completa.
No mapa abaixo, confira os locais desse entorno abrangidos pelas duas DUPs publicadas no Diário Oficial:
Jesuíno Cardoso
A estimativa é de desapropriação de duas lojas, quatro estabelecimentos variados e 17 imóveis residenciais. A previsão é que essa mudança desloque cerca de 54 moradores.
Como será a Linha 20-Rosa?
A demanda diária estimada é de 1,29 milhão de passageiros. Por enquanto, a última estimativa do governo de São Paulo é de custo de cerca de R$ 35 bilhões, com oito anos de obra.
Além disso, o estudo de impacto da Linha 20-Rosa indica que o traçado e estações foram indicados a partir dos seguintes fatores:
- demanda do traçado escolhido;
- aspectos geográficos (como topografia e hidrografia);
- “sítio urbano construído” (redes viárias, arruamento e edificações);
- barreiras físicas naturais e construídas;
- tipologias de ocupação de solo e ambiente urbano;
- características e tipologias das atividades sociais e econômicas urbanas;
- características das populações residentes.
Linha 20-Rosa
Essa linha é discutida há mais de uma década. Em 2011, ocorreu uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) do Grupo Invepar (do MetrôRio), que buscava desenvolver os projetos e estudos necessários para uma futura Parceria Público-Privada (PPP), de implantação e operação. O grupo chegou a apresentar estudo cerca de dois anos depois. Questionado pela reportagem se ainda teria interesse, não respondeu.
Antes disso, nos anos 1990, discutiu-se uma linha com algumas características semelhantes à 20-Rosa, passando por Lapa, Pinheiros, Moema e Itaim Bibi. Os estudos para a composição da linha só foram iniciados, de fato, em 2019.
Depois disso, a proposta passou por várias alterações. Em 2020, eram 25 estações previstas e algumas foram posteriormente excluídas, como a Jardim Europa.
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