O Globo – As autoridades espanholas confirmaram nesta segunda-feira que o número de mortos no grave acidente ferroviário em Adamuz, na província de Córdoba, chegou a 39, com ao menos 73 feridos, dos quais 24 permanecem hospitalizados em estado grave, incluindo quatro menores. O balanço foi atualizado pelo Ministério dos Transportes após a conclusão das primeiras operações de resgate durante a madrugada, quando todos os feridos foram transferidos para hospitais da região.
O acidente ocorreu no domingo, pouco depois das 19h30, quando um trem de longa distância da operadora Iryo, que fazia o trajeto Málaga–Madri, descarrilou ao acessar uma via auxiliar na estação de Adamuz e invadiu o trilho adjacente. Minutos depois, um trem de alta velocidade da Alvia, que havia partido de Madri com destino a Huelva, colidiu com os vagões tombados e também descarrilou. Segundo o ministro dos Transportes e da Mobilidade Sustentável, Óscar Puente, os maiores danos se concentraram nos dois primeiros vagões do Alvia, que transportavam 53 pessoas.
Segundo a agência Reuters, o sindicato dos maquinistas espanhóis enviou uma carta à ADIF, empresa estatal responsável pela gestão da infraestrutura ferroviária, em agosto do ano passado, alertando sobre o trecho da ferrovia onde os dois trens colidiram. Segundo uma cópia da carta, o sindicato dos maquinistas afirmou que, naquele trecho da linha férrea, buracos e desequilíbrios nas linhas de energia aéreas estavam causando frequentes avarias e danificando os trens.
Líderes reagiram
Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, prometeu “chegar à verdade” e garantiu “absoluta transparência” sobre as causas do acidente. Sánchez informou ainda que foram decretados três dias de luto oficial.
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— Vamos chegar à verdade — afirmou o presidente, assegurando que, “quando se conhecer a resposta sobre a origem desta tragédia, com absoluta transparência e absoluta clareza, isso será comunicado à opinião pública”.
O Papa Leão XIV também reagiu, expressando suas condolências às famílias das vítimas do acidente e acrescentou que espera uma rápida recuperação aos feridos.
Outros líderes europeus, como Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, Roberta Metsola, líder do Parlamento Europeu, e Emmanuel Macron, o presidente da França, manifestaram solidariedade às vítimas e elogiaram o trabalho das equipes de resgate.
Vagões lançados em um barranco
De acordo com Puente, o ministro dos Transportes, os vagões um e dois do trem da Alvia foram “arremessados para fora” após o impacto e caíram em um barranco de cerca de quatro metros, concentrando a maior parte das vítimas fatais e dos feridos graves. Fontes oficiais informaram que, no momento da colisão, o Alvia trafegava a aproximadamente 200 km/h em um trecho reto da linha férrea, circunstância que reforçou o caráter incomum do acidente. O maquinista do trem da Alvia, de 27 anos, está entre as vítimas fatais, segundo o jornal El País.
A operadora Iryo informou, em comunicado divulgado nesta segunda-feira, que o trem envolvido foi construído em 2022 e passou por inspeção técnica no dia 15 de janeiro, apenas três dias antes do acidente. A empresa afirmou ainda que o trem “desviou para o trilho adjacente por razões ainda desconhecidas”. O ministro classificou o episódio como “extremamente estranho”, ao destacar que a composição era praticamente nova e que o trecho da linha havia sido recentemente reformado.
Causas desconhecidas
As causas do descarrilamento seguem sob investigação. A Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), órgão técnico independente vinculado ao Ministério dos Transportes, assumiu a apuração nesta segunda-feira, conforme noticiado pelo El País. Criada em 2007, a comissão conta com engenheiros e especialistas em segurança ferroviária e poderá recorrer a laboratórios externos para determinar responsabilidades e elaborar um relatório oficial.
Álvaro Fernández Heredia, presidente da Renfe, a empresa ferroviária estatal, declarou à rádio pública espanhola RNE que o erro humano está “praticamente descartado”.
Enquanto isso, a resposta de emergência mobilizou dezenas de equipes médicas, unidades de terapia intensiva, ambulâncias e a Unidade Militar de Emergência (UME), segundo informações do governo da Andaluzia e da Europa Press. Um hospital de campanha foi instalado em Adamuz, e grupos de apoio psicológico foram ativados em Madri, Córdoba, Huelva e Sevilha.
O impacto do acidente também se estendeu ao tráfego ferroviário. A Adif suspendeu todas as conexões de alta velocidade entre Madri e cidades da Andaluzia, como Málaga, Córdoba, Huelva e Sevilha, “até novo aviso”, e a Renfe autorizou cancelamentos e remarcações gratuitas.
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