Gazeta de São Paulo – O primeiro trecho da Linha 6-Laranja do Metrô, entre a Brasilândia, na zona norte, e Perdizes, na oeste, será inaugurado até o fim de 2026. Essa é a previsão do Governo de São Paulo e da concessionária Acciona, responsável pelos trabalhos. O projeto completo unirá a Brasilândia a São Joaquim, na região central da Capital.
O novo trecho do Metrô se trata de um plano antigo, que ficou parado por várias vezes por problemas relacionadas a concessionárias anteriores. A espanhola Acciona assumiu as obras em outubro de 2020.
A obra total conta, hoje, com 77% dos trabalhos finalizados. Já o ramal entre a Brasilândia e Perdizes está bem mais avançado: 88%.
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Com investimento total de R$ 19,1 bilhões, o projeto da Linha 6-Laranja é uma parceria público-privada (PPP) do governo do Estado com a concessionária Linha Universidade (Linha Uni).
O Governo de São Paulo anunciou também que colocou em prática “o maior plano de expansão da mobilidade urbana da história do Estado”, com obras simultâneas em oito linhas de metrô e trem.
“O atual ritmo de obras no sistema metroferroviário paulista é superior à média dos últimos 50 anos”, garantiu o governo.
Três turnos
Desde janeiro, a empresa entrou em três turnos de trabalho, para manter as atividades 24 horas por dia e, assim, garantir a entrega dentro do prazo. Atualmente, há 11 mil funcionários somente para o ramal.
O primeiro ramal terá oito estações: Brasilândia, Itaberaba-Hospital Vila Penteado, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes. A estação Maristela, entre Brasilândia e Itaberaba, ficará para o fim de 2027.
A segunda fase será entregue no fim de 2027 com 6 estações: PUC-Cardoso de Almeida, Faap-Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis-Saracura, Bela Vista e São Joaquim. A linha terá 15,3 quilômetros de extensão quando estiver totalmente pronta, com 15 estações e estimativa de transportar 633 mil passageiros por dia.
As estações vão passar próximas a uma série de universidades, como a PUC, a Faap, o Mackenie, a Unip, a FMU, a Fecap, a Cruzeiro do Sul, a FGV e a Uninove. A Linha 6-Laranja terá conexões com as Linhas 1-Azul, 4-Amarela e 7-Rubi do sistema metropolitano.
“Futuramente, há projetos de a estação se torne um importante hub do transporte sobre trilhos com a chegada da linha de trem que ligará São Paulo a Campinas, entre outros projetos em estudo”, afirmou André De Angelo, CEO da Acciona no Brasil, ao Estadão nesta semana.
Avanços tecnológicos
Ao todo, serão 22 trens, com seis carros cada, totalizando 132 carros atendendo ao ramal diariamente. Os novos trens, fabricados pela Alstom em Taubaté, são projetados para serem mais leves e sustentáveis.
Entre as novidades tecnológicas estão:
Frenagem regenerativa
Essa tecnologia converte a energia do movimento em eletricidade durante a frenagem. Essa energia é devolvida à rede para que outros trens a utilizem para acelerar, reduzindo o consumo total do sistema.
Operação autônoma (CBTC e UTO)
A sinalização será feita pelo sistema CBTC (Communications-Based Train Control) da Siemens, o mais moderno do mundo. Não haverá a necessidade de condutores.
Intervalos curtos
O sistema permite que os trens se comuniquem entre si e com a central em tempo real, possibilitando intervalos de até 75 segundos entre as composições.
Estações profundas
A estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado terá mais de 65 metros de profundidade, e, com isso, será a mais profunda da América Latina. Outras seis estações superarão os 45 metros, que é a profundidade da estação Santa Cruz, da Linha 5-Lilás, a atual mais distante do solo.
Risco de enchente na Pompeia
A região do Sesc Pompeia historicamente convive com enchentes durante as chuvas fortes. O CEO da Acciona afirmou, ao Estadão, que isso “não é para acontecer” após a inauguração da estação no local.
“Nós também sofremos muito durante as obras com os alagamentos ocorridos ali. Soube que a prefeitura está retomando o projeto de drenagem para acabar com as enchentes na região”, destacou.
Já a Prefeitura de São Paulo afirmou que está em fase de elaboração o material licitatório para a contratação das obras de drenagem complementares das bacias dos córregos Água Preta e Sumaré, no âmbito da Operação Urbana Água Branca, para mitigar pontos de alagamento na região”.
“A Prefeitura está em tratativas com o Governo do Estado para compatibilização dos projetos de drenagem para a região. A publicação do edital de licitação está prevista para o primeiro semestre deste ano. Após o término da licitação, as obras poderão ser contratadas e iniciadas”, completou a administração municipal.
Outra linha nova em 2026
Em outra região da cidade, as obras da Linha 17-Ouro alcançaram 95% de conclusão e tem previsão para ser inaugurada em março deste ano, após uma série de atrasos e promessas não cumpridas.
Com 6,7 quilômetros de extensão e oito estações, a linha ligará o Aeroporto de Congonhas à estação Morumbi da Linha 9-Esmeralda, com integração também ao Metrô na estação Campo Belo, da Linha 5-Lilás.
Quando entrar em operação, a Linha 17-Ouro deverá transportar cerca de 100 mil passageiros por dia.
O Governo de São Paulo anunciou também que colocou em prática “o maior plano de expansão da mobilidade urbana da história do Estado, com obras simultâneas em oito linhas de metrô e trem”.
Ao todo, segundo a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), são R$ 57 bilhões investidos na ampliação de cerca de 50 quilômetros da rede metroviária, incluindo as Linhas 2-Verde, 4-Amarela, 6-Laranja, 15-Prata e 17-Ouro. Há ainda mais R$ 14 bilhões destinados à expansão de 22 quilômetros da rede ferroviária, nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.
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