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Linha 6-Laranja do metrô terá obra até na madrugada para entregar estações neste ano; entenda

Estadão – Com inauguração parcial prevista para este ano, a concessionária da Linha 6-Laranja decidiu tornar os trabalhos ininterruptos em parte dos canteiros de obras nas zonas oeste e norte de São Paulo. A adoção do chamado “terceiro turno” para a implantação do novo trajeto de metrô tem sido anunciada e deve seguir até outubro em parte dos locais.

A expansão do período de trabalhos abrange entre 22h e 6h. O comunicado a moradores mais recente envolve a futura Estação Sesc-Pompeia, no distrito Perdizes, zona oeste, de segunda-feira, 2.

“Devido à sequência executiva necessária para construção e à Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC) de caminhões nas principais vias de acesso às obras, é necessário a implantação das atividades também nesse horário”, diz a justificativa. O balanço mais recente da concessionária apontava 81,06% da obra dessa estação concluída.

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Segundo a Linha Uni, o terceiro turno está em operação em nove estações, em sete poços de Ventilação e Saída de Emergência (VSE) e no Pátio Morro Grande. “Durante a noite, são priorizadas atividades que causem o menor impacto possível à vizinhança”, apontou em nota à reportagem.

A concessionária indicou que os ruídos das obras são monitorados periodicamente. “Para garantir a execução organizada dos trabalhos e reduzir, sempre que possível, o impacto sonoro”, ressaltou.

Os anúncios mais recentes envolvem o VSE Felipe Mendes, no distrito Freguesia do Ó, na zona norte, e a Estação Água Branca, no distrito Lapa, na oeste. Em outubro, um terceiro turno foi anunciado para a Estação Higienópolis-Mackenzie, no distrito Consolação.

Ao longo da construção da linha, vizinhos da obra reclamaram de poluição sonora. No âmbito estadual, a concessionária recebeu duas multas por ruído em “área mista” e “predominantemente residencial” da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) em 2024.

Ambas as multas são relativas à estação PUC-Cardoso de Almeida, em Perdizes, também na zona oeste, e estão com “recurso em análise” na base da agência. Antes disso, em 2022, a concessionária recebeu advertência pelos mesmos motivos.

A companhia se baseia em norma da ABNT para o limite de ruído noturno, de 50 decibéis. A Cetesb acrescentou, em nota à reportagem, que “segue acompanhando regularmente as obras, de acordo com os procedimentos técnicos de fiscalização”.

No âmbito municipal, obras públicas (mesmo executadas por concessionária privada) não estão sujeitas ao Programa Silêncio Urbano (PSIU). “Por atenderem às necessidades da população”, conforme destaca a Prefeitura em nota à reportagem.

Grande parte dos canteiros tem funcionado normalmente também aos feriados. Além disso, nos últimos meses, alguns locais tiveram temporariamente obras aos domingos, como a área da futura Estação PUC-Cardoso de Almeida, em Perdizes (em janeiro).

Em comunicado a moradores, a concessionária Linha Uni afirmou que adotará “medidas mitigadoras” para emissão de ruídos. As ações mencionadas são manutenção periódica de equipamentos e treinamento de trabalhadores sobre “comportamento adequado” e “respeito à comunidade”.

Atividades nos três turnos já haviam ocorrido em outros momentos da obra. Na futura Estação Sesc-Pompeia, foi anunciada para o período de abril a julho do ano passado e, também, entre abril e dezembro de 2024, por exemplo.

As obras e futura operação são de responsabilidade da Linha Uni. O consórcio é liderado pela multinacional espanhola Acciona.

O balanço mais recente da Linha Uni aponta o seguinte status de acabamento de cada estação:

  • Estação Brasilândia: 84,24%;
  • Estação Maristela: 59,09%;
  • Estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado: 63,36%;
  • Estação João Paulo I: 84,99%;
  • Estação Freguesia do Ó: 79,25%;
  • Estação Santa Marina: 89,34%;
  • Estação Água Branca: 92,41%;
  • Estação Sesc-Pompeia: 81,06%;
  • Estação Perdizes: 89,56%;
  • Estação PUC-Cardoso de Almeida: 79,18%;
  • Estação Faap-Pacaembu: 66,55%;
  • Estação Higienópolis-Mackenzie: 61,55%;
  • Estação 14 Bis: 15,33%;
  • Estação Bela Vista: 66,92%;
  • Estação São Joaquim: 65,54%.

A concessionária destaca, ainda, em nota ao Estadão, que “como é comum em obras de infraestrutura, os horários podem ser ajustados conforme as necessidades técnicas”. “Quando há necessidade de ampliação para o terceiro turno, a comunidade lindeira é comunicada”, completou.

O que deve ser inaugurado ainda neste ano?

A inauguração de oito das nove estações entre Brasilândia, na zona norte, e Perdizes é prevista para o 2º semestre deste ano. Nesse trecho, a entrega da estação Maristela, na Freguesia do Ó, foi recentemente adiada para o fim de 2027.

As demais estações até São Joaquim, na região central, também têm operação inicial indicada para o fim de 2027. Somados, os trajetos abertos neste ano e no próximo representam 15,3 quilômetros de extensão.

A previsão é de 633 mil passageiros diários entre Brasilândia e São Joaquim. O investimento anunciado pelo governo é de R$ 19,1 bilhões.

As obras da linha começaram há cerca de 10 anos, porém passaram por interrupções desde o início, quando era de responsabilidade do Consórcio Move São Paulo, das empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC Engenharia. A Acciona assumiu a concessão anos depois, retomando os trabalhos por volta de 2020.

Linha tem projeto de nova expansão

Em paralelo às obras, está em tramitação o projeto de expansão da linha em ambos os sentidos. A nova fase englobaria distritos da região central, norte e leste, como Aclimação, Pirituba e Mooca.

Em novembro, a Linha Uni obteve licença ambiental de instalação para a extensão da linha. Esse aval é da Cetesb, com validade de seis anos.

A ampliação contempla sete quilômetros. As seis novas estações previstas são:

  • Velha Campinas (distrito Pirituba – zona norte);
  • Morro Grande (divisa dos distritos Pirituba, Brasilândia e Freguesia do Ó – zona norte);
  • Aclimação (distrito Liberdade – centro expandido);
  • Cambuci (distrito Cambuci – centro expandido);
  • Vila Monumento (distrito Cambuci – centro expandido);
  • São Carlos (divisa dos distritos Ipiranga e Mooca – zona leste).

Com a expansão, a Linha 6-Laranja passaria a ter conexão direta também com a Linha 10-Turquesa, da CPTM. Além disso, as estações São Carlos e Aclimação estão igualmente nos estudos da Linha 16-Violeta, desenvolvidos pela Acciona.

Em dezembro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) promulgou lei que autoriza o Estado a contrair empréstimos para a expansão da linha. O aval é para € 312,6 milhões ou US$ 325 milhões (equivalente a R$ 1,9 bilhão).

Os estudos de viabilidade e vantajosidade da expansão foram incluídos no contrato do governo do Estado com o consórcio em julho. O aditivo também estabelece regras para a “liberação de imóveis públicos e privados necessários à implantação” da mesma expansão, dentre outros procedimentos.

A Acciona está, ainda, envolvida com a Linha 16-Violeta, pela qual recentemente entregou os estudos que irão embasar a licitação — cujo leilão é previsto para este ano. A ideia é englobar áreas movimentadas da cidade, como o Parque do Ibirapuera, Moema, Anália Franco e Jardins.

A concessionária começou os estudos para a expansão da linha, com análises de demanda, viabilidade técnica e integração com outros modos de transporte. Esse momento abrange ainda atividades de campo na “área de influência”, o que inclui vistoria cautelar de imóveis e estruturas, cadastro de árvores, avaliação de impacto a bens tombados e mapeamento socioeconômico.

Os locais de possível desapropriação para essa fase ainda estão em definição. Desse modo, ainda não ocorreu publicação de Declaração de Utilidade Pública (DUP).

No ano passado, perímetros de desapropriação para obras de metrô foram publicados pelo Governo do Estado para a implantação da Linha 20-Rosa (Lapa a Santo André) e 16-Violeta (Pinheiros a Vila Formosa).

Fonte: https://www.estadao.com.br/sao-paulo/linha-6-laranja-tera-obra-ate-na-madrugada-para-entregar-estacoes-neste-ano-entenda/

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