Valor Econômico – A Cosan, de Rubens Ometto, deve vender uma parte de sua subsidiária de gás e energia Compass como parte de sua estratégia para reduzir o endividamento. O plano é realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da companhia na B3 até abril, uma transação que deve movimentar R$ 5 bilhões. O grupo tem 88% do negócio.
Uma fonte próxima ao tema disse que a Compass tem o perfil para ser “a abre-alas de IPOs” no mercado brasileiro, que não registra uma abertura de capital local há mais de quatro anos. Esse interlocutor afirma que a oferta é de grande porte, uma das premissas para a transação, e se trata de uma empresa geradora de caixa, o que a tornaria uma boa candidata para quebrar o jejum na bolsa brasileira.
O BTG Pactual e o Bank of America já estão mandatados, mas o restante do sindicato de bancos que irá estruturar a operação deverá ser contratado ainda nesta semana, disse uma das fontes consultadas. Além da Compass, o grupo Cosan trabalha para a venda de parte da Rumo, sua empresa de logística ferroviária, cujo mandato também está com o BTG Pactual.
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Uma fonte disse que a oferta da Compass poderia ocorrer ainda em março, utilizando os dados referentes ao demonstrativo financeiro de 2025, se aproveitando de um momento de forte entrada de capital estrangeiro na B3, fluxo que chega mediante um movimento de diversificação regional de grandes fundos globais. No entanto, dada a pressa para levantar capital, fontes afirmam que o valor total da companhia de gás de Ometto pode sofrer um desconto no mercado. A primeira tentativa de IPO da Compass ocorreu em 2020, mas não foi adiante.
Cosan tem 88% do capital da empresa de gás e energia Compass, que é importante geradora de caixa.
No fim de 2024, a Cosan tentou abrir o capital de outra subsidiária, a Moove, de lubrificantes, mas não seguiu em frente, após investidores mostrarem maior seletividade. A oferta iria ocorrer em Nova York. O grupo avaliou, à época, que a companhia estava descontada e não valeria a pena seguir com a operação na bolsa americana.
A Cosan tem utilizado todas as ferramentas para reduzir sua pesada alavancagem, que está próxima de quatro vezes de acordo com os dados referentes ao terceiro trimestre do ano passado. No início do ano passado, o grupo também vendeu toda a sua participação na mineradora Vale, por R$ 9 bilhões. O investimento do empresário na mineradora, um ano antes, foi considerado um passo estratégico arriscado por agentes do mercado.
Com pesado endividamento e sob o impacto de juros de 15% ao ano, o conglomerado de Ometto anunciou em setembro do ano passado um aumento de capital de R$ 10 bilhões, movimento que marcou a entrada do BTG Pactual e da gestora Perfin no grupo fundado por Ometto. A transação, contudo, não ajudou a estancar a crise financeira das empresas do conglomerado. A companhia divulga seus resultados anuais no dia 9 de março.
A Raízen é considerada a empresa mais problemática e vai precisar de uma nova injeção relevante de recursos, que tudo indica que virá em sua maior parte da Shell, sócia na joint venture.
Grupo tentou pela primeira vez fazer o IPO da companhia em 2020, mas desistiu da operação.
Na proposta da Shell, em um cenário de uma capitalização de cerca de R$ 5 bilhões da Raízen, a companhia britânica estaria disposta a colocar um pouco mais de R$ 3,5 bilhões, com o restante vindo da Cosan e seu principal acionista Rubens Ometto, conforme informou o Pipeline. Mas o tamanho da capitalização ainda não está totalmente definido.
Procurados pela reportagem, a Cosan e a Compass não quiseram comentar o assunto.
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