A segurança operacional e a integridade das equipes são prioridades permanentes para as operadoras ferroviárias e demandam monitoramento contínuo. Com o objetivo de promover o debate técnico e o compartilhamento de boas práticas, a MRS Logística realizou, em São Paulo, o I Encontro de Ferrovias sobre Gestão de Riscos Operacionais, reunindo especialistas das principais ferrovias de carga do país.
Durante o encontro, representantes do setor apresentaram suas iniciativas voltadas à identificação, análise, tratamento e monitoramento dos riscos operacionais. Metrô São Paulo e CPTM também participaram como convidados. As práticas compartilhadas demonstraram que a gestão de riscos faz parte da rotina das empresas ferroviárias, com forte foco em ações preventivas e na mitigação de impactos.
“Gerenciar riscos é antever aquilo que pode dar errado e se antecipar à sua possível materialização evitando assim impactos negativos nos objetivos estratégicos da empresa. O Gerenciamento de Riscos Operacionais, especificamente, tem como objetivo central a prevenção de eventos catastróficos com impactos negativos principalmente em vidas, meio ambiente, financeiro e interrupção operacional.
Além da missão de prevenir, nos preocupamos também com a mitigação dos efeitos de um risco, caso este se materialize. Ou seja, fazemos todo um esforço para prevenir, mas se ele se materializar, estaremos prontos para atenuar seus efeitos”, explicou Fernando Gomes, gerente de riscos operacionais da MRS Logística.

Ele explicou que os principais desafios para as ferrovias em geral são ativos de terceiros, ausência de cultura de gestão e processos, operações espalhadas, interfaces com as comunidades, operação em áreas densamente povoadas e fenômenos/ameaças advindas das mudanças climáticas.
A Transnordestina Logística está em fase de implantação e apresentou o status do projeto, que está em 79% de obras concluídas. Eles possuem o mapeamento dos riscos e classificações de acompanhamento.
“Para a TLSA, a gestão de riscos é estratégica: mesmo na fase de implantação, adotamos processos estruturados que fortalecem a prevenção, a tomada de decisão e a segurança ao longo de todo o ciclo do empreendimento”, destaca Eveline Colares, coordenadora de projetos.

Dentro do grupo CSN, a Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) possui 1.237 km operacional e os combustíveis estão entre as principais cargas, com 780 milhões de litros transportados/ano. Wellington Amaral, especialista em segurança operacional, explicou que o plano de gestão de riscos é progressivo e descentralizado.
A equipe realiza reuniões semanais para análises e alinhamentos, com checklist por área. São realizados simulados para que as equipes estejam preparadas de acordo com as emergências.
Na Vale, a empresa tem uma gestão integrada de riscos para os corredores Norte (EFC) e Sudeste (EFVM). Eles fazem análises qualitativas, semi-qualitativas e quantitativas dos riscos operacionais.

João Gregório de Bem Jr., especialista de segurança de processos da EFC, apresentou as principais iniciativas da companhia como a realização de workshops ao longo do trecho para tratar dos temas inerentes da operação.
Lais Assis, coordenadora de gestão de riscos do Corredor Sudeste da Vale, apresentou os desafios da empresa para implantar o sistema de gestão de riscos operacionais e listou alguns pontos como: compromisso da liderança com segurança de processo; treinamento e capacitação; cultura; estabelecimento e implementação da governança; integração da gestão de segurança de processos; disponibilidade de informações; entre outros.
A VLI também investe em gestão de riscos, realizam simulados para avaliar a gestão de uma crise e contratam empresa externa para avaliação das ações diante do cenário.
“Governança de risco é estar alinhado com a estratégia da companhia. Além da temática, o nosso time tem que estar alinhado com os objetivos da VLI para agirmos de forma estratégica³”, explicou Lorenna Zanetti, de riscos e controles internos corporativos da VLI.
A Rumo também tem gestão integrada de riscos e, neste ano, a empresa criou uma comissão de riscos, que são avaliados da empresa como um todo e pelas áreas como operacional e comercial.
“É pegar a metodologia e aplicar em campo. Pautado na metodologia com foco”, diz Washington Freitas, gerente de segurança e riscos operacionais da companhia.
A MRS apresentou imagens de acidentes em passagens em nível, um dos itens tratados na gestão de riscos.
“Quanto maior a capacidade de uma empresa em gerenciar seus riscos operacionais, maior também será sua capacidade de produzir e entregar produtos ou serviços de qualidade e confiança com o menor impacto possível no ambiente onde atua e na sociedade como um todo, gerando também valor aos seus investidores e credores”, completou Fernando Gomes.

O presidente da MRS Logística, Guilherme Segalla de Mello, participou do encerramento do encontro e ressaltou a importância da união das ferrovias nesta troca de experiências e aperfeiçoamento de suas gestões através dos exemplos apresentados no evento.
Ele citou os exemplos dos abalroamentos dos últimos meses e enfatizou: “imprudência não tem o que fazer. Da nossa parte, tem que saber se a via está ok, que a visibilidade está boa, que não tem um problema que a gente não possa se antecipar, isso tem a ver com o risco operacional, agora a imprudência a gente vai tentando combater, mas nem todo mundo entende que o trem realmente não para”.
Mesmo após o acionamento dos freios, o trem se desloca alguns metros devido ao seu peso.
O I Encontro de Ferrovias sobre Gestão de Riscos Operacionais foi realizado com o apoio da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

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