
Desde muito cedo, antes mesmo de compreender o peso das grandes decisões corporativas, Alberto Pagano já observava o mundo se mover sobre rodas, trilhos e estradas. Filho de revendedores de combustíveis no interior paulista, cresceu entre caminhões, transportadoras e conversas sobre abastecimento. Em Cravinhos, ao lado de Ribeirão Preto e sob a influência histórica da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, ele aprendeu, ainda menino, que logística não é apenas transporte — é conexão, desenvolvimento e legado.
O fascínio pelos modais não era passageiro; era o prenúncio de uma vocação. Aos 16 anos, começou a trabalhar no negócio da família, aprendendo na prática o valor da responsabilidade. Mais tarde, ao ingressar como trainee em Logística no Grupo Votorantim, na antiga VCP, iniciou uma trajetória sólida no setor de celulose e papel que atravessaria décadas. De analista a diretor, percorreu áreas operacionais e estratégicas, participou de projetos complexos, mergulhou nos desafios da mineração e da infraestrutura, e acumulou experiências que só quem “sente na pele” a operação pode carregar.
Desde março de 2024, integra a Arauco, consolidando uma história iniciada em 2005 no setor. O projeto atual — seu sexto greenfield e a quarta planta de celulose cuja estrutura logística ajuda a erguer desde a folha em branco — representa mais do que um desafio técnico. Representa a materialização de um propósito: construir algo que sobreviva ao tempo. Ferrovias atravessam gerações. Terminais e sistemas logísticos moldam regiões inteiras. E é essa dimensão histórica que o move.
Curioso e incansável aprendiz, Pagano acredita na melhoria contínua e na inovação como motores de transformação. Mas, acima de qualquer cargo ou conquista, há uma força silenciosa que sustenta sua jornada: a família. É nela que encontra inspiração e sentido. Em conversas longas com o sogro — que participou da formação da MRS Logística durante sua carreira na Usiminas — ele compartilha histórias, aprende lições e reafirma a certeza de que infraestrutura é feita de pessoas antes de ser feita de aço e concreto.
Entre miniaturas de caminhões e trens que coleciona em casa e os grandes projetos que lidera na vida real, existe um mesmo fio condutor: a paixão por construir caminhos. Caminhos que conectam mercados, encurtam distâncias e, sobretudo, contam histórias. A de Alberto Pagano é uma delas — e está longe de chegar ao destino final.
Os ganhos em eficiência, sustentabilidade e segurança reforçam que essa escolha beneficia não só a empresa, mas toda a região.
Alberto Pagano – Diretor de Logística e Suprimentos da Arauco
Revista Ferroviária – Impossível começar essa entrevista sem mencionarmos o momento que a Arauco vive diante do mercado mundial, com a construção da primeira ferrovia shortline privada do País ligando a futura fábrica de celulose da companhia à Malha Norte. Como é para você fazer parte deste marco?
AP – É um desafio proporcional à grandeza do empreendimento. Participar desde a concepção de um projeto que tem potencial real de transformar positivamente a realidade desta região é extremamente motivador. Sabemos que o impacto se estende a milhares de pessoas direta e indiretamente ligadas ao Projeto Sucuriú, e isso reforça a responsabilidade e o propósito do que estamos construindo.
RF – Além de ser um dos maiores investimentos da empresa, estamos falando da implantação da primeira ferrovia shortline do País dentro do modelo de autorização concebido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
AP – Exatamente. A instalação da EF-A35 representa um marco histórico não apenas para a Arauco, mas para o setor ferroviário brasileiro. O novo modelo regulatório abre caminho para uma nova etapa do transporte ferroviário no País, e este projeto demonstra, na prática, que a iniciativa privada pode contribuir com soluções logísticas modernas, sustentáveis e seguras. Os ganhos em eficiência, sustentabilidade e segurança reforçam que essa escolha beneficia não só a empresa, mas toda a região.
Already a subscriber? Click here
1 Comentário