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Para conter crise, Cosan prevê venda de participações

Valor Econômico – A Cosan disse ontem que planeja reduzir o endividamento da holding com a venda de participações de seu portfólio de negócios, mas não informou quais ativos poderão ser negociados.

“A holding, como existia no passado, não tem mais razão de continuar. Vamos gerar eficiência e reduzir a alavancagem com venda de participações”, disse Marcelo Martins, presidente da Cosan, em teleconferência de apresentação de resultados a analistas. Ele afirmou que não há data para a conclusão do processo e que nenhum ativo foi especificamente escolhido para ser vendido no momento.

Sob o guarda-chuva do conglomerado estão a Raízen, que opera usinas de açúcar e etanol e distribuição de combustíveis, e que desencadeou a crise no grupo, a Compass (gás), Rumo (logística), Moove (lubrificantes) e Radar (terras).

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O diretor financeiro da Cosan, Rafael Bergman, negou, neste momento, a hipótese de venda de participação na Rumo e disse que a possibilidade é a de que a especulação de potenciais interessados esteja acontecendo para gerar impacto de preço, numa tentativa de alcançar formato de compra que não interessa à companhia.

“Não significa que não vamos considerar vender alguma participação na Rumo. Consideraremos vendas de participação em todos os negócios. Mas isso vai ser, efetivamente, um movimento oportunista, ou seja, no momento adequado e na melhor estrutura que possa surgir”, disse Bergman.

A Compass entrou com pedido de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na semana passada. É a segunda tentativa do grupo de fazer o IPO. A expectativa é captar R$ 5 bilhões.

O grupo reportou prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre, queda de 38% sobre o mesmo período de 2024. No acumulado de 2025, o prejuízo líquido totalizou R$ 9,72 bilhões, alta de 3% sobre o ano anterior.

A receita líquida do quarto trimestre foi de R$ 9,61 bilhões, queda de 18% sobre o mesmo período de 2024. No acumulado do ano passado, a receita totalizou R$ 40,4 bilhões, recuo de 8% sobre 2024.

A dívida líquida expandida (métrica que considera a estrutura de ações preferências da Cosan em dezembro) encerrou o ano em R$ 9,7 bilhões, queda de 46% em relação a setembro e de 58% sobre mesmo trimestre de 2024. Já a alavancagem fechou o quarto trimestre em 3,1 vezes, inferior 0,6 vez quando comparado com o período imediatamente anterior.

O grupo atribui o resultado negativo à crise da Raízen e também ao reconhecimento do “impairment” (deterioração) das ações da Vale. A Cosan tornou-se acionista minoritário da mineradora no fim de 2022, mas teve de se desfazer das ações da companhia no início de 2025 para melhorar a estrutura de capital do conglomerado.

Ao longo do ano passado, o grupo enfrentou uma deterioração financeira da Raízen. BTG e Perfin entraram no capital da Cosan, mas o aumento de capital de R$ 10 bilhões não foi suficiente para estancar a turbulência no negócio.

A prioridade em 2025, segundo a Cosan, foi resolver a estrutura de capital da holding, para evitar que a situação da Raízen contaminasse o desempenho do grupo. “Os passos que foram tomados no ano passado tinham em vista protegermos a Cosan para endereçar paralelamente a estrutura de capital de um dos nossos principais negócios [o da Raízen]”, disse Martins.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/03/11/para-conter-crise-cosan-preve-venda-de-participacoes.ghtml

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