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Investimento milionário

Com uma agenda difícil de conciliar, mas super disposto, Danilo Miyasato, presidente e líder regional da Wabtec na América Latina, atendeu a equipe da Revista Ferroviária para a entrevista do mês. Entre uma agenda e outra, o morador da terra do pão de queijo, a querida Minas Gerais, falou sobre a inauguração do novo Centro Global de Engenharia, o primeiro da empresa no Brasil.

O investimento nesta nova etapa é superior a R$ 20 milhões para expansão nas operações e ampliação da equipe. Então, além de muita tecnologia e pioneirismo, pode-se esperar mais contratações na região de Contagem, o que por si só já dá um gás no setor e gera muita expectativa.

Um entusiasta das estradas de ferro, Miyasato soma 23 anos de experiência na área. Formado em engenharia, em 2002, iniciou sua trajetória profissional em um programa trainee na ALL — atualmente Rumo — e depois teve a oportunidade de trabalhar na MRS Logística e na Brasil Ecodiesel, nas áreas de logística e planejamento.

Na Wabtec desde 2008, atuou em diferentes posições estratégicas dentro da companhia, passando pelas áreas de Desenvolvimento de Negócios, Serviços, Gestão de Contas Globais e Liderança Comercial para a América Latina. Assumiu a posição de presidente e líder regional da Wabtec LATAM no final de 2020, onde permanece até hoje.

Conversou sobre o atual momento do modal e acredita ser favorável para crescimento. Durante todo o bate-papo, falou sobre o uso da tecnologia e a responsabilidade ambiental, uma das preocupações da empresa.

Fez questão, ainda, de reforçar o quanto a companhia acredita no setor ferroviário brasileiro e, por isso, investe alto buscando aumentar a produtividade, a segurança operacional, a diminuição de emissões e, é claro, o suporte aos clientes.

E já adiantou que tem muita novidade vindo aí, com a produção de máquinas cada vez mais eficientes, seguras e sustentáveis. Para 2026, há entregas previstas para a Vale, que, em março, adquiriu 50 locomotivas.

Nascido em São Paulo, Miyasato formou-se em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo. O esposo da Viviane tem uma vida cheia de tarefas, mas busca inspiração nas práticas meditativas e em uma boa corrida. Também adora sair pedalando por aí com o André, seu filho de apenas 12 anos.

Apaixonado por artes, viagens e tecnologia, tem uma visão de futuro otimista para o setor. Aposta em um cenário crescente, que contribuirá com o desenvolvimento das indústrias e das ferrovias, e diz que quer deixar um legado importante não apenas para a Wabtec, mas para todo o mercado, estando preparado para todos os próximos passos da fabricante.

Nossa estratégia sempre foi pautada em uma visão de longo prazo.

Danilo Miyasato – Presidente e líder regional da Wabtec na América Latina

Revista Ferroviária – Danilo, à frente da Wabtec desde 2008, você já viu de perto vários cenários. Como você enxerga o atual momento do setor?

Danilo Miyasato – Vivemos um momento de expansão onde temos o crescimento do mercado de cargas com vocação ferroviária, como agrícola, minério e papel e celulose. Aliado a isso, estamos vivendo um capítulo importante com a modernização e retomada de investimentos no setor ferroviário brasileiro, impulsionado pela renovação das concessões, novos contratos e projetos estruturantes em andamento.

A demanda por soluções mais eficientes, sustentáveis e com foco em segurança operacional cresce de forma consistente, ancorada na perspectiva de ampliação da participação das ferrovias na logística nacional e pela agenda global de descarbonização.

O Brasil tem uma carteira de projetos para os próximos anos, apresentada por meio da Política Nacional de Concessões Ferroviárias, do Ministério dos Transportes, em novembro deste ano, que reforça a busca pela maior participação das ferrovias nas exportações, de 17% para 40% até 2035. É um setor em transformação e com grande potencial.

RF – A Wabtec está sempre inovando e apostando alto com grandes investimentos. Este é o caminho?

DM – Sem dúvida. A inovação com propósito é parte central da estratégia global da Wabtec. Nosso investimento na ampliação de engenharia e manufatura no Brasil reforça isso.

Acreditamos que soluções tecnológicas, como o uso de combustíveis alternativos e projetos digitais, são essenciais para aumentar a produtividade, a segurança operacional, diminuir emissões e suportar nossos clientes na jornada de crescimento da logística ferroviária nacional.

RF – Agora, são mais de R$ 20 milhões para o Centro Global de Engenharia. Qual o grande desafio da empresa diante disso?

DM – O desafio mais imediato é a atração, retenção e desenvolvimento de talentos na jornada de crescimento do Centro de Engenharia.

Estamos no Brasil desde 1962 e nossa estratégia sempre foi pautada em uma visão de longo prazo, não só para novas tecnologias, mas também para o desenvolvimento dos nossos colaboradores.

RF – Paralelo a isso, existe alguma ação de expansão deste Centro?

DM – Como forma de catalisar a expansão do nosso Centro de Engenharia, estamos atuando em parceria com universidades, centros de pesquisa, instituições de ensino técnico e entidades públicas para ampliar o acesso ao setor e apresentar aos profissionais a jornada de transformação da Wabtec no setor ferroviário.

Nosso objetivo é mostrar que somos referência em tecnologia de ponta, produtividade, eficiência e segurança operacional, e que oferecemos oportunidades reais de desenvolvimento e carreira para os próximos anos.

RF – Existe previsão de contratação de mão de obra? Se sim, aproximadamente quantas pessoas?

DM – Sim. A expansão da nossa operação em Contagem, especialmente com o novo Centro Global de Engenharia, já está gerando um volume importante de contratações.

Criamos cerca de 300 posições de trabalho e seguimos em processo de contratação, com expectativa de atingir esse número ao final de 2028.

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