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Summit Valor: Brasil desponta como uma plataforma para empresas chinesas que buscam internacionalização

Valor Econômico – O Brasil ganha espaço no radar de empresas chinesas como possível base de produção e exportação para a América Latina e outros mercados. A mudança de foco na relação econômica bilateral, ainda bastante concentrada em commodities, esteve entre os temas debatidos no “Summit Valor Brasil-China 2026”, que reuniu mais de 200 autoridades, executivos e especialistas no dia 25 de março, em Xangai.

Nos oito painéis do evento — organizado pela Editora Globo e pelo Valor, em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Associação de Amizade da China com Países Estrangeiros (CPAFCC, na sigla em inglês) —, a estratégia foi destacada no contexto de reorganização das cadeias produtivas globais desde a pandemia.

O Brasil desponta como uma plataforma para empresas chinesas que buscam internacionalização porque dispõe de recursos naturais, tem matriz energética limpa e um bom posicionamento diplomático. É a oportunidade de atrair investimentos e impulsionar uma reindustrialização alinhada à economia verde.

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“É fundamental que os investimentos chineses passem a ver o Brasil como uma plataforma de exportação para o comércio exterior”, afirmou o embaixador brasileiro em Pequim, Marcos Galvão. O desafio, segundo ele, é ampliar a inserção industrial: hoje, 75% das exportações brasileiras para a China estão concentradas em três commodities, enquanto os embarques chineses ao Brasil são diversificados.

Para Frederic Kachar, diretor-geral da Editora Globo e do Sistema Globo de Rádio, o Brasil pode se consolidar como um hub para a indústria chinesa. “Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, e essa relação evoluiu, explorando as vocações de cada lado, com uma clara orientação de complementaridade entre as economias”, afirmou.

A abertura do evento contou com Chen Jing, vice-presidente do Comitê Permanente do Congresso Popular Municipal de Xanghai, e Shen Xin, vice-presidente da CPAFFC.

“O Brasil não é apenas um mercado, é uma base de produção para atender a América Latina”, afirmou David Zhou, diretor de produto e homologação da BYD América. A instalação de fábricas com foco exportador indica um caminho replicável para outros setores.

Zhou participou do painel sobre Mobilidade, que reuniu também Sidney Levy, presidente da Invest.Rio; Victor Oliveira de Queiroz, gerente-geral do escritório da ApexBrasil em Pequim; Priscila Sakalem, secretária de Transporte e Mobilidade Urbana do Rio de Janeiro; e Briza Bueno, diretora-geral no Brasil da AliExpress.

Na frente tecnológica, a lógica de fazer do Brasil uma nova base industrial também foi destacada. Para Felipe Daud, diretor de relações governamentais do Alibaba, o país reúne condições para atrair data centers e se inserir na cadeia global de IA. “Mas há uma corrida para não perder essa janela de oportunidade”, afirmou.

O painel sobre IA apontou a energia limpa como ativo estratégico. Além de Daud, o Brasil estava representado por Igor Marchesini Ferreira, assessor especial do ministro da Fazenda, e Leticia Frazão Leme, ministra conselheira e diplomata na Embaixada do Brasil em Pequim.

A experiência chinesa foi apresentada por autoridades e executivos de Hangzhou: Zhou Yong e Hui Jingbo, respectivamente diretores de marketing da StarSpecies Robotics e da Zhizhen Technology, e Shirley Lu Han, especialista em medicamentos da Câmara de Comércio da China. Eles destacaram um ecossistema de inovação baseado na integração entre governo, empresas e academia.

Em relação a uma agenda ambiental, a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, conselheira do Cebri, destacou que Brasil e China ocupam posição central nas cadeias globais da descarbonização. “Não há nenhuma solução, da descarbonização à eletrificação da economia global, sem passar por água, solo e minerais críticos.” Ela discutiu o tema com o embaixador Marcos Galvão, Fang Li, representante-chefe do World Resources Institute (WRI), e Xu Tianqi, vice-diretor de estudos financeiros da Universidade Remmin da China.

No debate sobre o mercado de baixo carbono, Larissa Wachholz, sênior fellow do Cebri e sócia da consultoria Vallya, apontou que o Brasil tem potencial para se tornar fornecedor relevante de combustíveis verdes para a China. Na mesa estavam Sergio Peres, professor da Universidade de Pernambuco; Xia Shubiao, diretor de segurança da China Marine Bunker; Feng An, fundador do centro de inovação iCET; Shen Wang, CEO da SafPac Hong Kong; e Li Zhenglong, professor da Universidade de Zhejiang.

No campo industrial, o desafio é criar escala. Ricardo Lima, CEO da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), relatou o interesse de fabricantes globais em instalar operações no país. Ele advertiu, porém, que a atração de cadeias produtivas mais sofisticadas depende de políticas públicas que estimulem demanda. Lima debateu com Jorge Arbache, economista e professor da Universidade de Brasília; Marcelo Sampaio, diretor-executivo de assuntos jurídicos e institucionais da Vale Minerals China; Shelley Wang, diretora da Hexing Electrical; e Han Zhao, oficial sênior de investimentos do Asian Infrastructure Investment Bank.

A infraestrutura é outro pilar dessa estratégia. O secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, apresentou a Li Sisheng, VP da Powerchina International, e Zhang Jianyu, diretor-chefe da Aliança Internacional para e estratégia e pesquisa no Shanghai International Port, oito corredores logísticos com potencial de elevar a participação das ferrovias de 20% para 35% da matriz de transporte. Os projetos visam reduzir custos e dar escala às exportações, uma demanda chinesa.

O agronegócio, tradicional base da relação bilateral, também passa por transformação. Inty Mendoza, representante-chefe para a China do CNA Senar, afirmou que a sustentabilidade vai ditar a relação comercial. “A marca Brasil precisa ser construída na mente do consumidor chinês”, disse.

O painel teve a presença de Pablo Machado, vice-presidente de negócios na China da Suzano; André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia; Kevin Chen, reitor internacional da Academia Chinesa de Desenvolvimento Rural; e Tian Lei, vice-presidente da Associação de Carne da China.

No painel de encerramento, os caminhos para um ecossistema de finanças robusto entre os dois países foram discutidos por Marcos Caramuru, conselheiro internacional do Cebri e ex-embaixador do Brasil na China; Lucas Reis, líder sênior de financiamento climático do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Ricardo Damiani, representante-chefe adjunto do Banco do Brasil na China; Li Zhiqing, professor na Universidade Fudan; Ruiming Song, consultor para clima da Century City Holdings; e Liao Shuping, pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa do Banco da China.

Os painéis foram conduzidos por jornalistas do Valor: Fernanda Delmas (diretora de redação), Zínia Baeta (editora-executiva), Lucas de Vitta (editor-assistente de Internacional), Marli Olmos (repórter especial); Maria Luiza Filgueiras (editora do Pipeline) e por Marcelo Ninio, correspondente e colunista do jornal O Globo em Pequim.

A programação incluiu ainda visitas a empresas que operam com tecnologia de ponta: Alibaba, Fourier Intelligence, JDL e United Imaging.

O “Summit Valor Brasil-China 2026” foi o terceiro evento do gênero promovido pelo jornal na China desde 2024. A edição teve patrocínio de BYD, Prefeitura do Rio, por meio da Invest.Rio, Embratur, Governo do Estado do Rio de Janeiro e ApexBrasil, com apoio de Prefeitura de São Paulo e São Paulo Negócios, Suzano, CBMM, Alibaba, World Resources Institute, Instituto Clima e Sociedade (iCS), CNA Senar e Confederação Nacional da Indústria (CNI). Não houve despesas bancadas pelo jornal em caso de convites feitos a agentes públicos que participaram dos debates.

Fonte: https://valor.globo.com/publicacoes/especiais/revista-brasil-china/noticia/2026/04/30/summit-valor-brasil-desponta-como-uma-plataforma-para-empresas-chinesas-que-buscam-internacionalizacao.ghtml

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