Folha de S. Paulo – Os metroviários de São Paulo rejeitaram uma paralisação que estava marcada para esta quarta-feira (13) em São Paulo. A decisão foi tomada em uma assembleia realizada na noite desta terça-feira (12), na sede do seu sindicato, na zona leste da capital paulista.
No total, 1.500 pessoas votaram a favor de aceitar a propota do Metrô que, entre outros pontos, prevê reajuste de 4,47%. Outras 1.294 pessoas votaram pela greve. Houve 146 abstenções.
A principal reivindicação dos metroviários era a abertura de concurso público para a reposição do quadro de funcionários. Segundo a diretora de imprensa do sindicato, Camila Lisboa, o quadro do Metrô reduziu para praticamente a metade nos últimos dez anos.
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“Hoje há 5.663 funcionários distribuídos em todas as áreas de atendimento, operação dos trens, segurança pública, manutenção, administração”, diz.
A dirigente destaca que, na pesquisa de satisfação dos passageiros, referente ao ano de 2025, 76,3% das pessoas disseram que o serviço metroviário é bom ou muito bom. Resultado este, segundo ela, que se dá com sobrecarga de trabalho e maior adoecimento dos funcionários em atividade.
“Sem concurso há mais de dez anos, a luta pela abertura do mesmo é um dos motivos para ir à greve. Junto a isso, os trabalhadores sofrem um grave ataque em seu plano de saúde e a empresa se nega a negociar itens como a igualdade salarial nas mesmas funções e garantir negociações de Participação nos Resultados”, afirma a diretora, ressaltando que a greve pode não ocorrer caso a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a direção do Metrô aceitem negociar.
A questão do plano de saúde, segundo o sindicato, é que haveria um rombo no sistema por causa da diminuição do quadro de funcionários. Por isso, a gestão Tarcísio estaria prevendo dobrar o desconto do plano no salário dos trabalhadores e cobrar dez vezes mais caro por alguns itens, como internação.
Sob divergência na forma de apresentação, o Metrô fez uma proposta que, entre outros, consta reajuste de 4,47%, injeção de R$ 6 milhões para para tapar parte do rombo do plano de saúde da categoria —segundo o Metrô é de R$ 15 milhões e o sindicato, de R$ 32 milhões—, intervalo de 30 minutos interjornada e discussão sobre plano de carreira, entre outros.
O Metrô diz que vai bancar 1% do percentual de reajute que seria descontado dos trabalhadores para amenizar o problema dos planos de saúde.
Os sindicatistas reclamaram do fato de a proposta não ter sido oficializada para a assembleia, e que só chegou via decisão do TRT (Tribunal Regional do Trabalho).
À Folha, o presidente do Metrô, Antonio Julio Castiglioni Neto, afirmou que na última semana a empresa publicou em redes sociais o que estava concedendo a trabalhadores.
O impasse, conforme o executivo, ocorre em meio a um acordo coletivo de trabalho assinado no ano passado, que vence em maio de 2027.
Caso a paralisação de fato acontecesse, ela deveria afetar as linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 15-prata. A 4-amarela, 5-lilás e 17-ouro não entram por serem mantidas por concessionárias.
No dia 10 de fevereiro deste ano, durante a campanha salarial, os metroviários aprovaram um estado de greve e também indicaram uma possível paralisação, mas ela não ocorreu.
A última greve dos metroviários ocorreu em 28 de novembro de 2023. Na ocasião, a paralisação reuniu diferentes pautas e contou com trabalhadores do Metrô, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), da Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado), professores da rede pública e de servidores da Fundação Casa.
Entre as pautas que provocaram a paralisação unificada estava a privatização da Sabesp e de outros setores, como no transporte sobre trilhos. Outras questões relacionadas a decisões da gestão Tarcísio também compuseram os argumentos utilizados pelos trabalhadores para justificar a greve unificada, tais como um corte de 5% no orçamento da educação, o leilão da linha 7-rubi da CPTM e terceirizações.
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