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Pedido de destituição de presidente do conselho da Vale exigiu articulação com investidores e governo

Valor Econômico – O pedido de destituição de Daniel Stieler, presidente do conselho de administração da Vale, formalizado na noite de quinta-feira (11) pela Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, foi alinhado com outros investidores da mineradora, sobretudo os estrangeiros, ao longo dos últimos dois meses, apurou o Valor. Os passos também foram sendo comunicados ao Palácio do Planalto.

O alinhamento com os acionistas de referência da empresa, incluindo Black Rock e Capital Group, e com o governo foi uma maneira de tentar conduzir a transição no alto comando do colegiado da mineradora sem maiores sobressaltos.

A Previ tem cerca de 10% do capital da Vale. A mineradora é o maior ativo do plano de previdência mais antigo da fundação, o Plano 1.

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Os sócios estrangeiros respondem por cerca de metade do capital da Vale e, na relação com o governo, a empresa depende de licenças e concessões para operar minas, ferrovias e portos.

O Valor apurou que não houve um pedido do governo para tirar Stieler, mas sim um entendimento na Previ de que era preciso uma renovação.

Nas discussões, se acordou um movimento em duas etapas. A Previ indicou o ex-presidente do fundo de pensão José Maurício Pereira Coelho para conselheiro da Vale no lugar de Stieler. E, em contrapartida, a fundação aceitou a sugestão dos estrangeiros de que o atual líder dos conselheiros independentes no conselho da companhia, o português Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, seja escolhido como novo “chairman” do colegiado.

Stieler, que foi presidente da Previ no governo Bolsonaro, está no conselho da Vale desde 2021. Ele se manteve como conselheiro da mineradora, um dos conselhos mais cobiçados nas grandes empresas abertas brasileiras, na transição para o governo Lula.

Mas a partir de fevereiro deste ano surgiram os primeiros sinais de que havia uma necessidade de renovação mais ampla nos cargos indicados pela Previ na Vale.

Na ocasião, João Fukunaga, que havia sido presidente da Previ no atual governo, renunciou ao cargo de conselheiro da Vale. Em outubro do ano passado, depois de enfrentar questionamentos desde o começo da gestão, Fukunaga já havia renunciado como presidente da Previ, sendo substituído por Márcio Chiumento, que era diretor da fundação. O próprio Chiumento assumiu a cadeira de Fukunaga no colegiado da Vale.

Quando Fukunaga renunciou como conselheiro da mineradora, em fevereiro, se pensou em levar adiante também a saída de Stieler, mas houve receio de que as trocas fossem interpretadas como um movimento político, penalizando as ações da empresa. E se resolveu esperar.

Em 2024, a mineradora já havia passado por uma conturbada sucessão para o cargo de CEO com tentativas de interferência do governo.

A Previ é acionista da Vale desde a privatização da mineradora em 1997 e, historicamente, ocupou a cadeira de presidente do conselho da empresa. Isso mudou só mais recentemente, quando a Vale havia se transformado em uma empresa de capital pulverizado. Stieler, apesar de presidente do colegiado, não tem mais cargo de diretor na Previ.

O Valor apurou que uma atuação mais executiva de Stieler em temas que eram da alçada do comitê de executivo, formado pelo presidente e vice-presidentes da Vale, era vista com certa reserva na Previ.

Na noite de quinta-feira (11), a Vale informou ao mercado em fato relevante que havia recebido correspondência da Previ pedindo a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para destituir Stieler.

Em nota ao Valor na tarde desta sexta-feira (12), a Previ afirmou: “A iniciativa reforça a estratégia da Previ de não atuar diretamente na gestão da companhia, mas sim como investidora institucional, comprometida com a fiscalização e indução de boas práticas de governança.”

Na nota, a fundação também defendeu o nome de José Maurício Coelho para o conselho, afirmando: “O Sr. José Maurício Pereira Coelho possui ampla experiência em finanças e governança corporativa, tendo exercido, inclusive, a presidência do Conselho de Administração da Vale no período de 2019 a 2021.”

Prossegue a nota: “No mesmo sentido, a indicação do Sr. Manuel Lino Silva de Souza Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do Conselho também está alinhada a um perfil técnico, independente e amplamente reconhecido no mercado. Com mais de 35 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia, especialmente no setor de mineração, o executivo acumulou relevante atuação em conselhos internacionais na área industrial.”

E conclui: “A Previ entende que esse movimento reforça seu compromisso com o contínuo aprimoramento da governança corporativa da Companhia e com a geração de valor sustentável no longo prazo.”

Próximos passos
A incógnita agora é quais serão os próximos passos. Até o momento a Vale não fez a convocação da AGE para destituir Stieler, nomear Coelho e deliberar sobre o novo “chairman”.

Há dois cenários possíveis até agora:

Um deles é Stieler não renunciar e se manter no cargo até a AGE. A assembleia deve ocorrer em até 30 dias a partir da convocação

O outro é Stieler renunciar ao cargo.

Nessa hipótese, o conselho de administração deve convocar uma reunião extraordinária do colegiado para aprovar José Maurício Coelho como substituto e, ato-contínuo, eleger “Ollie” como novo chairman.

Há previsão no estatuto da Vale de que, em caso de vacância do presidente ou do vice-presidente do conselho, o próprio colegiado eleja o substituto. Os nomes eleitos pelo conselho terão que ser referendados na próxima assembleia da companhia, que por enquanto é a Assembleia Geral ordinária (AGO) de 2027.

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2026/06/12/pedido-de-destituicao-de-presidente-do-conselho-da-vale-exigiu-articulacao-com-investidores-e-governo.ghtml

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