Estadão – A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, indicou José Maurício Pereira Coelho para ocupar a vaga de Daniel Stieler no conselho de administração da Vale – do qual era o presidente. Pereira Coelho fez parte do colegiado da mineradora até 2021 e presidiu o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil entre 2018 e 2021. A assembleia que validará a disputa pela vaga foi marcada para o dia 22 de julho e ele disputará a cadeira com a executiva Ieda Gomes Yell, indicada pelo conselho da companhia. Ieda atua profissionalmente como conselheira de grandes empresas multinacionais, como o Grupo Saint Gobain e o Bureau Veritas.
A presidência do conselho da Vale tem sido disputada desde que a Previ, maior acionista individual da mineradora (com 7,01% de seu capital), pediu que fosse convocada uma assembleia para a destituição de Stieler. O executivo resistiu à mudança, o que gerou articulações internas entre conselheiros e investidores, já que sua saída estava prevista apenas para o próximo ano. Mas acabou renunciado ao cargo na última segunda-feira, 6.
Sobre o nome sugerido pela Previ, o conselho disse que se absteve de recomendar pelo fato de Pereira Coelho não ter passado pelo processo formal de indicação da empresa. Na eleição à presidência do conselho disputam Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, (apoiado pela Previ) e Marcelo Gasparino da Silva.
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Nesta quinta-feira, 9, a Vale informou, após questionamentos feitos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que não houve “acordo, composição ou indenização condicionando a renúncia de Daniel Stieler à presidência do conselho de administração”. O jornal Valor Econômico havia publicado que haveria uma compensação financeira para que Stieler renunciasse. Segundo a companhia, a renúncia foi uma decisão pessoal de Stieler, formalizada por carta entregue na segunda-feira, 6.
No esclarecimento enviado à CVM, a Vale afirmou que a decisão de Stieler motivou a negociação e a celebração de um Contrato de Compensação por Não Competição e Outras Avenças, e não o contrário. A mineradora disse que o contrato foi fechado porque se tratava de um desligamento não planejado, enquanto havia temas estratégicos em maturação no âmbito das funções exercidas por ele.
De acordo com a empresa, o contrato estabelece obrigações de não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade por 24 meses, em razão do acesso do ex-presidente do colegiado a informações confidenciais e estratégicas do grupo durante o período em que atuou no conselho. Segundo o Valor, a soma no período de 24 meses poderia chegar a R$ 6,2 milhões, mas a mineradora não confirma.
A Vale afirmou ainda que a política de remuneração do conselho de administração “permanece integralmente vigente e não sofreu qualquer alteração”. Segundo o documento, a compensação prevista no contrato é contrapartida pelas obrigações assumidas por Stieler durante o período de 24 meses e “não se confunde” com remuneração pelo exercício do cargo.
A companhia também disse que os valores previstos no contrato foram analisados por uma empresa internacionalmente reconhecida, especializada em recrutamento de executivos e desenho de remuneração, e que a avaliação concluiu que os parâmetros estão alinhados às práticas de mercado.
Por fim, a Vale informou que considerou que os termos específicos do contrato não se qualificam como fato relevante, por entender que não têm potencial de influenciar a decisão de investimento dos acionistas ou a cotação dos valores mobiliários da companhia.
Bancos têm visões mistas sobre a empresa
Os bancos que analisam as ações da Vale têm posições divergentes sobre a companhia. O BTG afirma, em relatório, que, aos preços atuais de mercado, a Vale “continua parecendo barata”. Segundo o banco, as ações são negociadas entre 4,2 vezes e 4,3 vezes o múltiplo EV/Ebitda (valor da empresa sobre a geração de caixa) estimado para 2026, um desconto de 25% a 30% em relação às grandes mineradoras australianas.
Já o Morgan Stanley rebaixou a recomendação da Vale de overweight (equivalente à compra) para equal-weight (neutro), citando a revisão para baixo das projeções de preço do minério de ferro diante de uma perspectiva de excedente de oferta e de custos mais pressionados. O banco também reduziu o preço-alvo do ADR negociado em Nova York de US$ 19,50 para US$ 16,50, o que implica potencial de alta de 12,3% ante o fechamento de ontem.
No BTG, os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi, Rodrigo Gotardo e Marcel Zambello reconhecem uma deterioração em algumas premissas operacionais nos últimos meses, principalmente em relação aos custos caixa C1 (custo da produção da mina até o porto) do minério de ferro, pressionados por uma combinação de fatores operacionais temporários e inflação de custos.
Apesar desse cenário, o banco avalia que as revisões nas estimativas de resultados seguem limitadas, já que os preços do minério de ferro, do cobre e do níquel permanecem próximos das projeções feitas pela instituição nos últimos meses.
Diante disso, o BTG mantém recomendação de Compra para as ações da Vale e preço-alvo de R$ 90, o que indica potencial de valorização de 23,79% em relação ao fechamento anterior.
O banco destaca ainda que a análise busca avaliar como o desempenho das ações pode variar sob diferentes cenários para minério de ferro, câmbio e custos. “Com as ações da Vale acumulando queda de 7% no último mês, acreditamos que vale a pena revisitar os números por meio de uma análise de sensibilidade simples”, afirmam os analistas.
Porém, no Morgan Stanley, os analistas Carlos De Alba, Justin A. Ferrer e Henrique Braga veem desafios crescentes para o mercado de minério com a projeção de menor produção global de aço, puxada pela China, o que elevaria os excedentes de oferta de minério transportado por via marítima. A equipe de commodities do Morgan reduziu suas estimativas para o preço do minério em 2% a 4% entre 2026 e 2028 e passou a tratar o minério como a “commodity menos preferida” no cenário.
Além do ambiente de preços, o Morgan apontou pressão de custos na Vale. O banco agora estima o custo caixa C1 do minério em US$ 23 por tonelada em 2026, 5% acima do modelo anterior e acima do guidance da companhia, de US$ 20 a US$ 21,50 por tonelada. Para 2027, a projeção é de US$ 19,50 por tonelada, alta de 7% ante o modelo anterior.
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