33ª Edição · Prêmio Revista Ferroviária
Vote no Prêmio RF 2026!
Faça parte do Colégio Eleitoral
Clique e Cadastre-se
revistaferroviaria.com.br

Motiva avalia buscar sócio para divisão de trilhos enquanto obtém maior rentabilidade em suas concessões

Metrô CPTM – Após concentrar esforços na venda da plataforma de aeroportos, a Motiva (ex-CCR) passou a direcionar atenção para seus ativos de mobilidade sobre trilhos. Em conferência com analistas no mês passado, o CEO Miguel Setas afirmou que, concluída a negociação com a mexicana Asur — que deve render cerca de R$ 5 bilhões —, o foco “recai naturalmente sobre trilhos”. A companhia pretende levantar entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões com reciclagem de ativos, incluindo eventual venda de participação minoritária na plataforma ferroviária.

A movimentação ocorre em um momento em que a empresa não tem conseguido ampliar sua presença no setor. Nos últimos leilões de concessões sobre trilhos, a Motiva não arrematou novos contratos relevantes, mantendo seu portfólio concentrado nas operações já existentes.

Ao mesmo tempo, a companhia iniciou uma estratégia de consolidação de marca. As operações vêm sendo gradualmente agrupadas sob a denominação “Motiva Trilhos”, substituindo a comunicação centrada apenas nas concessionárias como ViaQuatro, ViaMobilidade, Metrô Bahia e VLT Carioca. A mudança padroniza a identidade institucional num momento em que a empresa busca dar maior clareza ao valuation da plataforma.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF — desde 1940.

Por R$ 8,42/mês — parcele em 12x sem juros.

Assinar agora

Investimentos e passivos contratuais

O portfólio atual, no entanto, ainda exige desembolsos relevantes. Em São Paulo, a ViaMobilidade deve assumir no segundo semestre a operação da Linha 17-Ouro. O monotrilho sofreu sucessivos atrasos desde o início das obras, o que deve gerar compensações financeiras à concessionária previstas em contrato.

Também estão em curso projetos de expansão da Linha 4-Amarela, operada pela ViaQuatro, e da Linha 5-Lilás, sob responsabilidade da ViaMobilidade. Essas ampliações implicam compromissos de investimento e fases de obras que afetam o fluxo de caixa no curto prazo.

Desempenho operacional
Os dados operacionais de 2025 mostram estabilidade no volume total transportado. Considerando o total comparável (desconsiderando o efeito da saída das Barcas em fevereiro de 2025), houve crescimento de 2,1% no número de passageiros no ano, para 754,8 milhões.

Entre as operações, o VLT Carioca registrou o maior avanço percentual em 2025, com alta de 10,9% no volume transportado. As Linhas 8 e 9 da ViaMobilidade cresceram 3,0%, enquanto a ViaQuatro avançou 1,8%. O Metrô Bahia apresentou leve retração de 0,2% no acumulado anual.

No quarto trimestre, o crescimento foi mais moderado. O consolidado comparável avançou 1,3%, enquanto algumas operações registraram pequenas quedas pontuais de demanda.

A tarifa média subiu em praticamente todos os ativos, com variações entre 3% e 5% no ano, contribuindo para o aumento da receita tarifária, que cresceu 2,9% em 2025.

Resultado financeiro
Do ponto de vista financeiro, os números indicam melhora de rentabilidade operacional. A receita líquida sem construção aumentou 20,3% em 2025, alcançando R$ 4,88 bilhões. O EBITDA ajustado avançou 14,6%, para R$ 2,42 bilhões, elevando a margem EBITDA ajustada de 52,0% para 60,6%.

A forte redução dos custos totais, especialmente com queda expressiva das despesas relacionadas à construção, contribuiu para esse ganho de margem. Também houve redução relevante em “outros custos e despesas”.

Por outro lado, o grupo registrou impacto de itens não recorrentes de R$ 1,08 bilhão em 2025, o que afeta a leitura do resultado líquido consolidado.

Em síntese, a plataforma de trilhos apresenta geração operacional positiva e margens elevadas, mas segue inserida em um contexto de alto investimento, compromissos contratuais e ausência de novos ativos no portfólio recente. A busca por um sócio estratégico pode representar tanto uma forma de monetizar parte do valor já criado quanto uma tentativa de compartilhar riscos num ciclo ainda marcado por expansão de projetos e necessidade de capital.

Fonte: https://www.metrocptm.com.br/motiva-avalia-buscar-socio-para-divisao-de-trilhos-enquanto-obtem-maior-rentabilidade-em-suas-concessoes/

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*